quarta-feira, fevereiro 27, 2008

O Herói do Cinema de Ação


É difícil citar com convicção quem foi o primeiro grande herói de ação do cinema. Na verdade, o que significa ser um herói? Veja alguns significados no dicionário: "Homem que suporta exemplarmente um destino incomum, como um extremo infortúnio ou sofrimento, ou que arrisca sua vida pelo dever ou pelo próximo." ou "O protagonista de qualquer aventura histórica ou drama real." Mas também pode ser "O que, por qualquer motivo, se distingue ou sobressai."

O American Film Institute, por exemplo, escolheu o advogado Atticus Finch (Gregory Peck) como o maior herói do cinema americano. O protagonista de O Sol é Para Todos é um herói na tradução correta da palavra, mas suas ações eram muito mais éticas ou idealistas do que físicas. Quando o termo se refere ao cinema, aposto que você se lembra de Sean Connery, como James Bond, ou Harrison Ford, como Indiana Jones. Enfim, quando surgiu o herói de ação? E qual é o seu perfil?

1910-1950

Tom Mix, que estreou em 1909, foi um dos primeiros ídolos do cinema e o primeiro grande herói dos westerns, um gênero tipicamente americano. Foi contemporâneo do ator e atleta americano Douglas Fairbanks, outro grande ídolo da época do cinema mudo que personificou o heroísmo nas telas. Fairbanks emprestou sua classe a Zorro, D'Artagnan, Don Juan, entre outros. Em 1919, ao lado de Mary Pickford, D. W. Griffith e Charles Chaplin, Fairbanks fundou o estúdio United Artists – hoje sob o domínio de Tom Cruise.


Um sucessor à altura de Douglas Fairbanks no "gênero" capa-e-espada de Hollywood foi, certamente, o australiano Errol Flynn. O astro também foi Don Juan. Mas emprestou sua imagem e semelhança a Robin Hood e ao pirata inglês Geoffrey Thorpe, de O Gavião do Mar, filme de 1940 dirigido por Michael Curtiz. As Aventuras de Robin Hood, de 1938, marcou sua carreira para sempre como o príncipe dos ladrões.

Quase que paralelamente ao sucesso de Flynn, o clássico herói Tarzan, criado por Edgar Rice Burroughs, já existia antes da década de 1930 e vários atores interpretaram o homem macaco.

O atleta americano Buster Crabbe foi um deles, mas sua figura é mais lembrada como Flash Gordon, Buck Rogers, e Billy the Kid, que mais tarde teve o nome alterado para Billy Carson. Algumas vezes creditado como Larry "Buster" Crabbe, ele foi um dos maiores heróis das tradicionais matinês.

Mas o Tarzan mais famoso de todos foi o também atleta romeno Johnny Weissmuller com cerca de 20 filmes como o herói até o final dos anos 40. Mais tarde, ele imortalizou outro exemplo de coragem: Jim das Selvas. Analisando os filmes de ação da época, Hollywood enxergava o herói com um físico atlético e dono de um olhar sedutor, mas sempre discreto, educado e com jeito de bom moço para se casar com a filha preferida de qualquer família. Um modelo para os rapazes e um sonho de consumo das meninas.

De qualquer forma, o anti-herói já colocava seu veneno no meio de tanta bondade. Será que posso chamar de anti-herói? Na verdade, ele começou a mostrar a Hollywood que o herói não é necessariamente um exemplo de perfeição. O americano John Wayne pode ser a representação máxima desse perfil nos grandes faroestes de John Ford. Apesar de pouco educado, menos galante e mais durão, o caubói do astro também é um herói. O problema inicial de Wayne e Ford foi tornar o faroeste mais... sério. Os westerns eram adorados pelo público, claro. Mas os críticos achavam que aquilo era "apenas" entretenimento. O cineasta John Ford, o maioral do gênero é recordista no Oscar de direção, mas suas quatro estatuetas não vieram de westerns.

Com o tempo, ironicamente, a figura de John Wayne ditou os tipos de heróis que veríamos dos anos 50 em diante. No cinema de John Ford, o melhor filme possível é aquele em que a ação é longa e os diálogos breves. Wayne foi seu maior porta-voz. Além do astro, as evoluções do som e da imagem mostraram que o mocinho pode ficar imundo nas cenas de ação. O herói não tinha mais aquela imagem de "limpinho". E não escondia a raiva ao ser derrotado – sendo dominado pela fúria em muitas de suas ações. Mas de alguma forma, o charme do "mocinho" continuava.


Antes, os atores tinham seus fãs. Mas foi John Wayne quem consolidou a imagem do herói. Ele explorou o mito americano como caubói e soldado. Muitos jovens queriam se alistar graças ao filmes de John Wayne. Sua imagem se espalhou de um jeito nunca visto antes. Wayne não era somente um ator ou um astro de cinema. Ele explicou ao mundo o que é um herói de carne e osso. E não exatamente um "mocinho".

To Be Continued...

11 Comments:

At 2:24 PM, fevereiro 28, 2008, Blogger Museu do Cinema said...

É Otávio, acho que nossos pais tiveram seus herois, eu sou dos tempos do Bruce Willis, Stallone, "Schazenegger" e Van Damme, apesar de meu preferido ser o ex-marido da Demi Moore, não chamaria de heroi. E hoje? É aquela velha e certa frase: cada época com o heroi que merece.

 
At 2:37 PM, fevereiro 28, 2008, Blogger Otavio Almeida said...

Também sou da época de Stallone, Schwarzenegger e Bruce Willis. Mas também foi a época de Harrison Ford.

Acho que hoje, o Jason Bourne é o grande herói de ação.

Abs!

 
At 3:48 PM, fevereiro 28, 2008, Blogger Kamila said...

Os heróis da época do meu pai foram esses aí que estão na primeira parte do seu texto, especialmente John Wayne e os atores dos filmes westerns.

Já, o meu herói de infância (e aqui tem uma influência direta de meu pai que me fazia assistir aos filmes dele) foi Charles Bronson. Meu primeiro contato com filmes foi com a série "Desejo de Matar", com "Kinjite - Desejos Proibidos".

E concordo quando você diz que, hoje, o Jason Bourne é o grande herói de ação. Mas, também tem os personagens das histórias em quadrinhos, que fazem as cabeças dos jovens.

Beijos e parabéns pelo ótimo post!

 
At 3:55 PM, fevereiro 28, 2008, Anonymous Wally said...

Legal! Gostei do seu post, não sabia de muita coisa aí. E concordo, Jason Bourne é o grande herói de nossos tempos.

Ciao!

 
At 3:59 PM, fevereiro 28, 2008, Blogger Otavio Almeida said...

Opa! Mas essa é a primeira parte, ok? Parei nos anos 50...

Ainda preciso terminar o texto sobre a década de 60. E também vou demorar a chegar no Jason Bourne.

Abs!

 
At 6:02 PM, fevereiro 28, 2008, Blogger André Renato said...

Muito bem pensado o estudo! Acompanharei as outras partes! Gosto muito, na era 1910-1950, de John Wayne e de outro grande anti-herói clássico: Humphrey Bogart!

 
At 6:20 PM, fevereiro 28, 2008, Anonymous Vinícius P. said...

Confesso que achei um tanto estranho quando o AFI escolheu o personagem do Gregory Peck em "O Sol é Para Todos" como maior herói em todos os tempos, esperava algo como Indiana Jones mesmo (ainda que o filme do Peck seja excelente e sua atuação, impecável). Enfim, adorei o post, mas não conheço muitos trabalhos dos nomes que você citou aqui. E o western dominou essa primeira edição dos heróis do cinema de ação...

Abraço!

 
At 6:38 PM, fevereiro 28, 2008, Blogger Otavio Almeida said...

Acho que o Humphrey Bogart não foi exatamente um herói de ação, André. Mas definitivamente, ele foi um herói do cinema.

É lógico que não vi grande parte dos trabalhos de Tom Mix e Douglas Fairbanks. Mas vi algo do Johnny Weissmuller e Buster Crabbe. Acho que para chegar ao herói atual do cinema de ação, talvez seja bom entender a evolução desse perfil. Já John Wayne, eu vi vários em DVD.

Abs!

 
At 6:43 PM, fevereiro 28, 2008, Blogger Otavio Almeida said...

Ah! Existem alguns títulos de Fairbanks, Tom Mix, Weissmuller e Crabbe para baixar da internet.

John Wayne e Errol Flynn chegaram ao DVD...

Abs!

 
At 11:09 PM, fevereiro 28, 2008, Blogger Pedro Henrique said...

Todos "são" demais. Mas, dessa geração, Wayne é Príncipe, Rei, Imperador....

Abraço!!!!

 
At 2:48 PM, março 01, 2008, Blogger Weiner said...

Dos seus selecionados, fico com o homem responsável pela derivação de meu nome: John Wayne.
Hahahaha, é verdade. Ainda bem que não colocaram meu nome de John Weiner. Ia ser podre.
Abraço!

 

Postar um comentário

<< Home