sexta-feira, março 07, 2008

Roland Emmerich, o homem que copiava


Não sei o que vocês acham, mas apesar de adorar filmes de aventura e ficção científica, nunca engoli as propostas do diretor alemão Roland Emmerich. Talvez ele seja o cineasta estrangeiro mais apaixonado que existe pelos EUA. Sua maior declaração de amor foi Independence Day, aquela apoteose da bobagem, que transformou o 4 de julho em feriado mundial.

Emmerich não liga muito para a profundidade dramática de suas histórias e prefere substitui-la por espetáculos gigantescos de destruição. Pior: seus filmes não têm personalidade, assinatura. Cada trabalho de Emmerich lembra produções superiores ou consagradas. Homenagem é uma coisa totalmente diferente. O problema é pegar idéias anteriores para contar histórias repetitivas sem um pingo de vontade em oferecer algo novo. Então, eis a pergunta que não quer calar: Por que Hollywood ainda banca os seus filmes? A resposta é simples: Emmerich é sinônimo de boa bilheteria.

Hoje estréia a mais nova aventura do diretor: 10.000 a.C. (bem que poderia se chamar 10.000 a.C. - Quando o Flamengo Ganhava Fora de Casa). Mas antes de discutir o novo Roland Emmerich, vamos relembrar alguns exemplares da trajetória do "homem que copiava".


Joey - Fazendo Contato (1985): O menino Joey Collins (Joshua Morrell) lida com a recente morte de seu pai. De repente, o guri começa a fazer contato com o espírito do velho, que se comunica pelo telefone (!). Um filme pouco visto de Emmerich. Aqui, o fã assumido de Steven Spielberg tentou misturar a ternura de E.T. com o terror sobrenatural de Poltergeist.

Soldado Universal (1992): No auge da carreira, Jean-Claude Van Damme saiu no sopapo com Dolph Lundgren nessa tentativa de Roland Emmerich de criar seu próprio Exterminador do Futuro. Neste filme, o diretor alemão começou a esboçar seu amor pelos EUA ao idolatrar o militarismo ianque.

Stargate (1994): Os Deuses foram astronautas? Como as pirâmides do Egito foram erguidas? Nas mãos de um diretor mais competente, essas perguntas interessantes poderiam render um novo filmaço de ficção científica, mas Emmerich só queria brincar de Star Wars. E homenagear a força do exército americano. De novo. Ainda assim, Stargate é o filme mais divertido do diretor.

Independence Day (1996): Alienígenas malvados invadem a Terra e querem a nossa cabeça. O filme foi uma febre durante seu lançamento, até mesmo porque há tempos que o cinema não apostava numa invasão alienígena. Mas, aos poucos, o público foi esquecendo de ID4. E cadê "o homem que copiava"? A cena do avião de Will Smith escapando da navezinha alienígena no Grand Canyon remete ao clímax de Guerra nas Estrelas, quando a nave de Luke Skywalker é perseguida por Darth Vader na Estrela da Morte. A batalha final entre humanos e ETs também lembra O Retorno de Jedi. Aliás, a solução encontrada para deter os alienígenas é um vírus de computador (alusão moderna a Guerra dos Mundos). Depois de ID4, M. Night Shyamalan fez Sinais, e Steven Spielberg refilmou Guerra dos Mundos - duas produções que superam o trabalho de Emmerich.

Godzilla (1998): O pior filme do diretor. Além de tentar recriar o monstrengo japonês, Emmerich brinca de Jurassic Park lá pelas tantas com os filhotes de Godzilla. Até o recente Cloverfield é melhor.

O Patriota (2000): Com a permissão de Mel Gibson, Emmerich tentou fazer o seu Coração Valente. Só que o diretor se deixou levar pela enésima homenagem aos EUA. Pelo menos, isso ajudou a carreira de Heath Ledger a decolar.

O Dia Depois de Amanhã (2004): Emmerich coloca Nova York numa nova era glacial. Só que tudo congela rápido demais e é difícil acreditar nisso. Os efeitos visuais são impressionantes. Mas é o clichê do clichê. Um filme catástrofe que ninguém pediu para ser feito.

10.000 a.C. (2008): Ainda não vi, mas me parece uma mistureba de A Guerra do Fogo, Apocalypto, 300 e... A Era do Gelo. Vamos ver no que dá. O cineasta não é o único, claro. Hollywood está cheia de Roland Emmerichs como, por exemplo, Stephen Sommers, o diretor de A Múmia e Van Helsing. Mas eles são tão ruins que fazem Michael Bay, outro arquiteto da destruição, parecer Orson Welles. Pelo menos, 10.000 a.C. tem a presença da atriz Camilla Belle para compensar.

14 Comments:

At 5:43 PM, março 07, 2008, Blogger Kamila said...

Ótimo post, Otavio. O Roland Emmerich é uma espécie de Michael Bay que ainda não teve o seu "Transformers".

Enfim, acho que ele é bom no nicho de mercado em que ele está inserido.

Bom final de semana!

 
At 10:07 PM, março 07, 2008, Anonymous Wally said...

Concordo com a Kamila e gostei de seu post. Emmerich nunca entrega novidade. Faz filmes catástrofes divertidos e com grandes efeitos especiais, mas só. Godzilla sem dúvida é seu pior, filmizinho muito ruim. Mas não vi todos, nem Independence Day para ser sincero. Eu considero O Dia Depois de Amanhã e O Patriota bons filmes, mas apenas bons. Só para diversão mesmo. O primeiro tem uma jornada heróicamente estupida de um pai que cruza o país (?!?!) e o segundo muito melodrama e pouca densidade. Para falar a verdade, não to com a mínima vontade de ver 10.000 ac nos cinemas.

E Otavio, achei que era o único que gostava de Guerra dos Mundos, de Spielberg. Mesmo longe de seu melhor, é um filme tão bem dirigido que fiquei boquiaberto com as sequencias, só o roteiro que fica devendo mesmo, e aquele desfechozinho...

Ciao!

 
At 9:16 AM, março 08, 2008, Anonymous Luciano Lima said...

Estava comentado isso hoje mesmo. Sempre que perguntava para algum amigo sobre 10.000 a.C a resposta era a mesma: "Aquele que é um 300 com Apocalypto?". Muito boas as comparações, Otávio! (ri muito com "A Era do Gelo")

 
At 1:40 PM, março 08, 2008, Anonymous Vinícius P. said...

Não gosto muito do Roland Emmerich, tanto que não estou com a mínima vontade de ver "10.000 a.C.". Meu preferido (de longe, até) é "O Dia Depois de Amanhã", excelente.

Abraço!

 
At 5:23 PM, março 08, 2008, Anonymous Anônimo said...

Esse blog é de viado! Muito chato! Cadê as mulheres?

 
At 5:42 PM, março 08, 2008, Blogger Weiner said...

Otavio, parabéns pelo post, extremamente criativo e muito inteligente! Roland Emmerich é mesmo o homem que copiava. E pelo visto que continuará copiando. Dos filmes citados por você, detestei a maioria. Salvo apenas "Independence Day" e "O Dia Depois de Amanhã". Sobre "10.000 A.C" eu assisti ontem e só indico para quem gosta de apreciar bons efeitos especiais. Todo o resto é tristemente forçado e absolutamente dispensável.
Abraço!

 
At 6:13 PM, março 08, 2008, Blogger Felipe Nobrega said...

Puxa, acho que daí só se salva "Independence Day", pois ele é um copiador de si mesmo... rsrsrs

foi um filme febre, ams que não tem como negar que não fez parte de forma fundamental do sanos 90. Ah! e o Patriota é de doer...

 
At 6:54 PM, março 08, 2008, Blogger Pedro Henrique said...

Devo ver hoje 10.000 A.C...

Assim que voltar do cinema passo pra dizer achei.

Abraço!!!

 
At 10:21 AM, março 09, 2008, Blogger André Renato said...

Emmerich, Michael Bay e outros da mesma laia são o pior do cinema fantástico contemporâneo. As imitações que fazem são muito submissas e pouco criativas. Parece que eles não tem a bagagem cinematográfica o suficiente (ou seja, eles não conhecem ou não ligam para os grandes clássicos) para fazer filmes grandiosos. Neste sentido, os mestres são gente como Peter Jackson e Steven Spielberg, que se inspiram num cinema de aventuras mais antigo, com muito mais classe...

Mas acho O dia Depois de Amanhã o melhor (ou o menos pior) de Emmerich.

 
At 1:03 PM, março 09, 2008, Blogger Otavio Almeida said...

Obrigado, Kamila! Mas tem gente que acha que INDEPENDENCE DAY é uma espécie de TRANSFORMERS na carreira de Emmerich.

Wally, adoro GUERRA DOS MUNDOS. Vc viu no cinema? O que é aquele clima de medo, não? O que vemos na tela é exatamente o que o Tom Cruise vê. O filho dele se salvou (o que acham absurdo), mas não sabemos como. Na hora em que ele luta com o Tim Robbins, não vemos nada, pq ele venda os olhos da menina. É brilhante!

É, Luciano! Os bichinhos do trailer e do material promocional são de A ERA DO GELO.

Vinicius, eu detesto O DIA DEPOIS DE AMANHÃ. Acho forçado demais, pq ele se baseia em teorias científicas, mas distorce o que poderia ser realidade.

Weiner, eu ainda não vi o filme pq estou atrasado. Não vi ELIZABETH, JOGOS DO PODER... tem muita coisa ainda pra ver...

Felipe, eu acho que O PATRIOTA vai bem até a cena da machadinha. Depois vira clichê do clichê.

Pedro, depois me conta.

André, eu colocaria o James Cameron nessa lista ao lado de Steven Spielberg e Peter Jackson. Só que o cara não faz mais nada, né?

Abs!

 
At 2:38 PM, março 09, 2008, Anonymous Wally said...

Finalmente! Otavio, agora fiquei feliz, porque outra pessoa adorou Guerra dos Mundos tambem. Acho um filmao! Tudo ai que voce disse e mais um pouco. A direcao 'e brilhante em todos os sentidos. E sim, vi nos cinemas, experiencia unica por assim dizer.

E tambem acho O Dia Depois de Amanha, forcado, todo aquele heroismo do pai la nao me convenceu, mas pelo menos diverte.

Ciao!

 
At 2:57 PM, março 09, 2008, Blogger Otavio Almeida said...

É um primor de narrativa, Wally! A maioria se irritou com o anti-clímax e não percebeu isso. Filme de fantasia também podem ter seus "achados". Abs!

 
At 10:23 PM, março 09, 2008, Blogger Pac Cavoto said...

pra aumentar as provas de amor dele aos EUA, em O Dia Depois de Amanha, o México simplesmente abre as portae e fala.. .venha EUA instale-se aqui seu novo domínio... detesto filmes que querem q eu vire americano.Porém, gosto muito de Independence Day =) talvez por ser bem moleque na época e por te ro Will "Maluco do Pedaço" Smith

 
At 3:11 PM, março 11, 2008, Blogger fabiana said...

O dia depois de amanhã e Independence Day são, tipo, o mesmo filme, se você analisar bem... hahahahahaha

E, olha, eu gosto de A Múmia. Me entreteu muito bem enquanto Indy tirava umas férias.

 

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