terça-feira, junho 24, 2008

Elizabeth - A Era de Ouro

"Espelho, espelho meu... em Elizabeth - Parte III,
eu terei a cara de Judi Dench em Shakespeare Apaixonado?"


Em 1998, o diretor Shekhar Kapur e a atriz Cate Blanchett conquistaram o mundo com o sucesso do filme Elizabeth. Nove anos mais tarde, Kapur não repetiu a dose em Honra & Coragem ou na "parte dois" da saga da Rainha Virgem, Elizabeth - A Era de Ouro (Elizabeth - The Golden Age, 2007). Cate Blanchett, pelo contrário, melhora a cada trabalho. Ela é a razão para qualquer um encarar a seqüência luxuosa, porém vazia e completamente desnecessária do filme de 1998.

Não que o original seja grande coisa, mas não deixa de ser interessante, afinal Cate Blanchett arrebatou público e crítica pela primeira vez naquele filme. Foi interessante também por dramatizar os bastidores da ascensão da protestante Elizabeth ao trono da Inglaterra contra a vontade de uma Europa católica. É um filme assumidamente político, que ganha força com a atuação magistral de Cate Blanchett. Ela é perfeita ao mostrar a transição de uma menina, que é obrigada a agir de forma fria e agressiva para impôr respeito.

De uma certa maneira, penso no trabalho de Al Pacino em O Poderoso Chefão, que contribuiu para a maior viagem ao Lado Negro da Força já visto pelo cinema. Há algo de sobrenatural na transformação de Michael Corleone em Don. Nem George Lucas, com seu Anakin Skywalker em Star Wars - Episódio III, conseguiu ser tão poderoso na mensagem de uma pessoa corrompida (ou obrigada a mudar) pelo poder. Nessa estranha comparação, acho que Cate Blanchett também é fantástica na transformação da Rainha Elizabeth I.

Em Elizabeth - A Era de Ouro, infelizmente, não temos nada de O Poderoso Chefão - Parte II. No filmaço de Coppola, o jovem Vito (Robert De Niro) constrói seu império unindo amigos e família, enquanto Michael (Pacino) afasta todas as pessoas que o amam. Diferente de Chefão II, Elizabeth - A Era de Ouro não ousa na estrutura narrativa. Não temos outra linha do tempo para acompanhar a trama ou qualquer outro artifício capaz de injetar criatividade ao filme de Shekhar Kapur. É simplesmente a seqüência do Elizabeth original. Nada mais. Assim, nem é preciso ter uma terceira parte, pois a desculpa para a realização de A Era de Ouro é a mesma para um possível Elizabeth III, IV ou V, afinal há muita coisa para contar sobre a Rainha Virgem. Mas pergunto: é necessário?

Elizabeth (Cate Blanchett) continua enfrentando os mesmos dilemas, as mesmas responsabilidades num período histórico diferente. É hora de enfrentar o Rei Felipe II da Espanha (Jordi Molla), que sonha desenvolver o catolicismo na Inglaterra. Durante todo o filme, o diretor Shekhar Kapur prepara o espectador para a batalha final. Até lá, a Rainha casada com seu país terá ciúmes de um intrépido pirata, Sir Walter Raleigh (Clive Owen), enfrentará traidores, assassinos e conspiradores. Apesar de desnecessário, Elizabeth - A Era de Ouro até possui material para render um filme espetacular. Mas não é. Dois exemplos imperdoáveis que arruinam as ambições do diretor: a batalha que fecha o filme não empolga nem criança (é curta e sua edição preguiçosa destrói qualquer expectativa dramática) e a relação entre Elizabeth e Raleigh (fundamental no roteiro) cairia bem numa trama de novela das oito.

Pelo menos, A Era de Ouro não é longo. Ou seja, não cansa. Mas para justificar esta seqüência de Elizabeth, faltou ousadia a Shekhar Kapur. O filme é deslumbrante como uma bela embalagem de presente (direção de arte, figurino e fotografia), mas seu conteúdo não emociona ninguém. Resta toda a majestade de Cate Blanchett, que encara o filme como se fosse o último de sua bela carreira. Com uma atriz assim, não dá para dormir no cinema.

Elizabeth - A Era de Ouro (Elizabeth - The Golden Age, 2007)
Direção: Shekhar Kapur
Roteiro: William Nicholson e Michael Hirst
Elenco: Cate Blanchett, Geoffrey Rush, Clive Owen, Jordi Molla, Samantha Morton e Abbie Cornish

Obs: Disponível em DVD pela Universal

9 Comments:

At 8:00 PM, junho 24, 2008, Anonymous Kamila said...

Otavio, eu gostei desse filme até a saída da personagem da Samantha Morton. O que veio depois disso, na minha opinião, foi puro exagero - inclusive a performance da Cate Blanchett.

 
At 8:04 PM, junho 24, 2008, Blogger Robson Saldanha said...

Eu só dei três estrelas pela maquiagem, trilha sonora e a atuação de Cate. O resto descarta!

 
At 12:25 AM, junho 25, 2008, Blogger Fábio L. Rockenbach said...

Mesma cotação que dei para minha resenha, duas estrelinhas parcas. Ao contrário do primeiro filme, a continuação se perde em tramas e conspirações que antes eram a força da história, agora apenas é enchimento sem substâncias - e antes, elas emolduravam a ascensão de uma garota em rainha, e agora não justificam as ações dela. Nem vou mencionar a "grande armada" espanhola, anunciada desde o início do filme com pompa e que é, enfim, a sombra no horizonte que move todas as ações do filme e resulta em um grande anti-clímax. Meu maior porém é ao fato de Kapur ter se rendido completamente aos interesses comerciais, quando optou por rejuvenescer uma rainha que, na época, tinha seus 50 anos de idade, por tornar Raleigh um Clive Owen da vida quando era um moleque de pouco mais de 20 anos - e essa relação, de uma velha senhora apaixonada por um moleque teria dado muito mais força ao filme. Sem falar no completo esquecimento do pesonagem de Joseph Fiennes, que morreria logo após a batalha mas não sem antes tentar reconquistar a rainha, sendo completamente ignorado. Essas histórias dariam ótimo pano de fundo. Pena que não foram usadas.
Desculpe a "crítica" nos seus comentários, mas o filme me decepcionou muito enquanto o primeiro foi uma grata surpresa, inclusive em termos narrativos e visuais.

 
At 12:35 AM, junho 25, 2008, Anonymous Vinícius P. said...

Certamente ficou aquém de qualquer expectativa que tinha antes de vê-lo. Não sou um dos maiores fãs do primeiro (apesar de ser um belo trabalho), mas essa continuação tem alguns aspectos que beiram o ridículo. Como constatado, vale pela atuação da Blanchett e a ótima produção técnica. Mais convencional impossível...

Abraço!

 
At 10:39 AM, junho 25, 2008, Blogger Alex Sandro Alves said...

De fato a questão técnica (figurinos, fotografia e direção de arte) e a atuação de Blanchett são as melhores coisas deste longa. Concordo contigo quando diz que ele tinha material suficiente para um grande filme. Mas o roteiro preferiu abordar com mais ênfase a história de “amor proibido” em detrimento do que de fato interessava (as tramóias para assassiná-la).

 
At 11:36 AM, junho 25, 2008, Blogger Otavio Almeida said...

Kamila, achou a Cate exagerada? Hmm... Bom, a Samantha Morton é ótima também. Mas deveriam ter mostrado a cabeça dela rolando...

Robson, o filme impressiona pelos cenários, etc. Mas é vazio, vazio...

Fabio, tudo bem. Fique a vontade. E concordo 100% com você.

Vinicius, parece que 90% dos amigos blogueiros concordam que sobra Cate Blanchett, direção de arte e figurino, enquanto falta o resto.

Alex Sandro, um "amor proibido" quando todo mundo já sabe que ela não ficará com o Clive Owen...

Abs!

 
At 11:59 AM, junho 25, 2008, Blogger Museu do Cinema said...

Dormi que nem bebê em 10 minutos de filme. Acordei na metade e voltei a dormir.

 
At 2:28 PM, junho 25, 2008, Anonymous Denis Torres said...

Otávio, acho que este texto te interessa:

Ibson nunca foi um craque. Ao voltar para o Flamengo em 2007, muita gente duvidou que não seria mais um dos que viajam para a Europa com fama e voltam sem nada. Mas Ibson "calou" todo mundo, foi o principal jogador num Brasileirão histórico para o Flamengo, e isso tudo jogando numa função um pouco diferente da dele, que nunca foi um meia armador.

Ibson agora é. Meia, volante e quase atacante quando precisa. Amadureceu, jogou um futebol de altíssimo nível e o Porto quer de volta. Para vendê-lo ou para usa-lo, que seja. O problema fica no Flamengo, nào no Porto.

Perder o Ibson, na teoria, pode representar que Kleberson, Toro, Jonatas e Renato Augusto formem o meio campo e tá tudo certo, já que desdes, 3 são nomes fortes. Mas, infelizmente, não funciona tão fácil assim.

Ibson não é o cara que marca melhor que o Cristian. Nem arma melhor que o Renato Augusto. Mas, sua função de marcar e armar, desconheço alguém no futebol brasileiro que faça tão bem. Talvez o Lucas, ex-Gremio. Dizem que o Hernanes tem uma característica semelhante, mas eu discordo um pouco. O Hernanes chega na frente e bate no gol. O Ibson é o cara que, quando chega perto da área, enfia alguem na cara do goleiro, ou aparece na área pra finalizar. Ele ataca melhor que o Hernanes, e defende com menos eficiencia.

A idade é parecida, a mídia em cima do Hernanes é forte neste momento, mas a história de ambos é meio diferente. Enquanto o Hernanes ficou anos procurando espaço, o Ibson surgiu e já foi pra Europa. Hoje o meia Tricolor vive grande fase, foi campeão Brasileiro, enquanto o Ibson busca um título grande no Flamengo. Essa comparação, que para os paulistas é absurda e para os cariocas idem, se torna muito aceitável exatamente por isso.

Se quem acompanha mais o Rio acha o Ibson melhor e quem vive em SP acha o Hernanes, significa que há uma bela dupla pro Dunga usar de amarelo.

Eu tenho dito pra alguns amigos que se o Ibson jogar no SPFC, verão um volante "melhor" que o Hernanes. A maioria discorda, claro. Mas eu acho que neste esquema de jogo do SPFC o Ibson jogaria uma barbaridade. Por outro lado, dúvido que venha. Assim como tá dificil se manter no Flamengo.

Se sair da Gávea, tira o ponto de referencia do time. É pra ele que a bola vai quando sai da defesa, é nele que jogam quando precisam armar um ataque, é ele quem organiza, é ele quem determina o ritmo do time. O Flamengo tem que fazer o possível e o impossível para mantê-lo, porque a idéia de favoritsmo para ganhar o Brasileiro, ao lado de SPFC, Palmeiras, Cruzeiro e Inter, passa, e muito, pelos pés de Ibson.

(retirado do blog do perrone)

 
At 3:00 PM, junho 26, 2008, Blogger Pedro Henrique said...

Não é um filme ruim, mas MUITO desnecessário.

Abraço!

 

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