quarta-feira, outubro 08, 2008

Controle Absoluto


Estamos numa época de fácil e rápido acesso a qualquer tipo de informação. Tudo está no computador - notícias, música, filmes, pessoas, o mundo etc. Neste exato momento, por exemplo, sei que já estou desatualizado enquanto comento Controle Absoluto (Eagle Eye, 2008), thriller high tech produzido por Steven Spielberg. Piscou, perdeu. Enquanto você lê este post, alguém está lá na sua frente dando "tchauzinho". É a era da informação e você já está atrasado.

Pensando nisso, chega a ser irônico que um ser humano passe horas na internet atrás de todos os tipos de comunicação, mas que ao mesmo tempo seja incapaz de raciocinar e interpretar a arte ou até mesmo os fatos do dia-a-dia. Desculpe-me, mas a alienação ainda corre lado a lado com o cérebro dessa imensa parcela de internautas, que visita trocentos sites por dia, mas aprende pouquíssima coisa útil, jamais leu um bom livro ou ouviu música de qualidade. Estamos numa época em que aluno tenta enganar professor com Ctrl+C, Ctrl+V. Pode isso? É o fim! Será que as pessoas querem apenas ocupar suas mentes e não exercitá-las? É bom ter alguém (ou algo) que pense por você?

Por isso, Controle Absoluto é o filme certo para alienados e solitários da internet, que se acham inteligentes por terem acesso a uma enxurrada de informações por segundo. Exceto pela abertura e os dois, três minutos finais, Controle Absoluto corre a mil por hora e tenta apresentar uma trama que deve ser inteligente, mas tudo é contado às pressas numa velocidade absurda que não permite alguns direitos básicos ao espectador: 1) Quem parar por um segundo pra pensar no que acabou de acontecer, está lascado. Você perderá o andamento da carruagem nas cenas seguintes. 2) É impossível analisar se o roteiro é de fato inteligente ou se tem falhas bisonhas, pois você perderá o resto do filme. 3) Shia LaBeouf é um jovem ator competente e com um futuro brilhante pela frente. Mas seria injusto analisar sua atuação neste filme, já que ele só corre, grita e não tem mais do que um segundo em cena para tentar ser intenso, profundo ou algo assim.

O problema de Controle Absoluto não é a montagem frenética, mas a rapidez da narrativa, que parece fazer sentido no final, por mais incoerente que ela possa ser. Mas isso é o que Hollywood quer de você: Não pense. Só... aceite. A diversão não é para o cérebro. Desse jeito, qualquer roteiristazinho de 10, 15 anos pode ficar rico com histórias camufladas pelo diretor na sala de edição com muita correria e imagens aceleradas. Assim, até eu. Já pensou se O Fugitivo, com Harrison Ford, fosse um filme dos dias de hoje e assinado pelo diretor D.J. Caruso, esse meia tijela responsável por Controle Absoluto? É... Deus sabe o que faz.

Mas esse é o mundo atual, não? Piscou, perdeu. Pensar é uma ferramenta do século XX. É uma coisa antiga, chata. Hoje, para tirar o público de casa e levá-lo ao cinema, que tem um ingresso caro, deve-se seduzir o espectador com muita diversão escapista. O problema é que a mente anda escapando demais da tela. O ato (prazer) de exercitar a cachola é coisa do passado. Agora, a moda é ter tudo mastigado ou explicado pra você, afinal quem quer pagar pra se divertir e ser obrigado a pensar? Para isso, já chega a escola, a faculdade, a pós, o trabalho e o clássico jogo de tabuleiro War. Bravo, Hollywood, bravo! E olha que o midas do entretenimento cinematográfico, Steven Spielberg, está envolvido neste Controle Absoluto.

Alguns dizem que o filme é uma mistura de 2001 com O Ultimato Bourne etc, etc. Sabichões com Q.I. de Renato Gaúcho cheios de si na hora de explicar o que não deve ser explicado, não enxergam que o diretor D.J. Caruso quer ser um Alfred Hitchcock turbinado. Sua última parceria com Shia LaBeouf foi o patético Paranóia, um Janela Indiscreta teen e subnutrido. Já Controle Absoluto pega carona nas bases de Intriga Internacional e O Homem que Sabia Demais (até o clímax é parecido com o excelente filme protagonizado por James Stewart). Mas D.J. caruso só usou a essência de Hitchcock para misturar anabolizante e energético. Tire a elegância, o suspense e insira ação vertiginosa e irracional.

Aliás, essa comparação com 2001 só comprova o despreparo da crítica especializada atual. Santa inteligência, Batman! Só por causa do design e da atitude do tal Eagle Eye, o vilão do filme que lembra o HAL-9000 do clássico de Stanley Kubrick... Será que ninguém viu WALL-E? Alguém deve ter comparado a animação da Pixar com 2001. Só pode. Como o mundo anda inteligente, não? Você se sentiu bem por ter "entendido" Controle Absoluto no final? Eu não entendi nada e já esqueci o filme. E tenho orgulho disso. Portanto, nada de internet pra você por um mês, criança! Estás de castigo! Já pro quarto! E só saia de lá quando terminar de estudar livros de verdade e DVDs para entender um pouco mais de cinema!

Controle Absoluto (Eagle Eye, 2008)
Direção: D.J. Caruso
Roteiro: John Glenn, Travis Wright, Hillary Seitz e Dan McDermott
Elenco: Shia LaBeouf, Michelle Monaghan, Rosario Dawson, Michael Chiklis, Anthony Mackie, Ethan Embry, Billy Bob Thornton e Anthony Azizi

10 Comments:

At 11:03 PM, outubro 08, 2008, Blogger Pedro Henrique said...

Você anda malvado ultimamente, Otávio. Eu imagino que Controle Absoluto não passe do "divertimento" escapista, mas tu detonou o filme mesmo. Ou o filme te detonou...

Pelos trailers que vi, parece que o diretor usou essa montagem frenética para mascarar uma possível pobreza do roteiro.

Abraço!!!

 
At 5:52 AM, outubro 09, 2008, Blogger Johnny Strangelove said...

Ei pô ... Misturar Luxo com Lixo é foda ... Dizer que o filme é a mistura de um classico com um dos piores lixos lançados em 2007 ... doeu ...

DJ Caruso quer ser o novo Hitchcock? Ou só apenas aproveita a crista da onda e coloca um assunto pseudo-inteligente para povo burro pensar que é fodão?

Abraços

 
At 8:52 AM, outubro 09, 2008, Anonymous Márcio Tiago Rocha said...

Nossa o homem tá mau!

 
At 2:14 PM, outubro 09, 2008, Blogger fabiana said...

Este comentário foi removido pelo autor.

 
At 2:15 PM, outubro 09, 2008, Blogger fabiana said...

Não estou mais aguentando Michelle Monaghan. Já vi uns 5 filmes com ela esse ano!

Portanto, não obrigado. Não vou ver esse filme tão cedo.

 
At 5:47 PM, outubro 09, 2008, Blogger Kau. said...

Nossa, que texto direto hahahahahahaha!

Ainda não vi, mas gosto da premissa deste filme.

Abs.

 
At 6:07 PM, outubro 09, 2008, Anonymous Kamila said...

Otavio, eu achei "Controle Absoluto" um filme que prende a atenção e que faz com que a gente se envolva na história. O longa, na realidade, não me incomodou até o final, quando eles deram uma solução muito chinfrim para a maior pergunta do filme.

Beijos!

 
At 7:39 PM, outubro 09, 2008, Blogger Marcus Vinícius said...

Huahuahuahuahua, eu nunca vi tu descascar tanto com um filme!

Abraços do líder! ;)

 
At 10:52 AM, outubro 10, 2008, Blogger Alex Gonçalves said...

D.J. Caruso é mesmo um meia tijela (salvo "A Sombra de Um Homem") e nada espero deste "Controle Absoluto". E realmente faltam produções que desafiem o seu público a pensar e solucionar mistérios por sí só, assim como também faltam filmes que simplesmente nos façam refletir enquanto a situação e atitudes de seus personagens.

 
At 2:36 AM, outubro 11, 2008, Blogger Gustavo H.R. said...

Queria bastante ver, por causa do trailer movimentado e da participação criativa de Spielberg, mas depois dessa diatribe... Após de ter sido avisado por ti quanto a bombas como A MÚMIA 3 e ARQUIVO X, acho melhor ir baixando as expectativas! :(

 

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