quarta-feira, dezembro 03, 2008

Os Estranhos

"Hello, Sidney!"


Peço desculpas, mas acho que estou meio ranzinza, afinal um filme com assassinos mascarados tentando estripar casais no meio da madrugada só pode ser algo voltado para a diversão. É claro que essa situação de terror, infelizmente, não acontece somente no cinema, mas eu acho que Os Estranhos (The Strangers, 2008), filme de estréia do diretor Bryan Bertino fica em cima do muro na hora de apostar ou na realidade ou na ficção.

Veja o exemplo de Wes Craven, em Pânico. Tirando a abertura com a Drew Barrymore, detesto o filme e a trilogia inteira, que não passa da repetição daquela seqüência incrível com a ex-menininha de E.T. - O Extraterrestre. Ok. O primeiro Pânico passaria bem como uma homenagem dos anos 90 de Wes Craven aos filmes do gênero oitentistas. Mas citei Pânico para comentar sua seqüência inicial. Em menos de 10 minutos, Drew Barrymore corre, tropeça, grita e morre nas mãos do assassino mascarado. Os Estranhos, de Bryan Bertino, no entanto, é apenas uma versão estendida da abertura de Pânico. Tire Drew Barrymore, coloque Liv Tyler e mais 1h20 de filme.

Só acho que a proposta de Pânico nunca foi explorar a realidade. Os personagens são estúpidos e dão mole para o serial killer, que não precisa pensar ou suar muito para alcançar e esfolar suas vítimas. Os heróis da "Trilogia Pânico" tomam sempre as decisões erradas e ninguém em sã consciência é tão burro quanto aquele bando de adolescentes. Agora, em Os Estranhos, fiquei com a impressão de que o novato Bryan Bertino tentou fazer um thriller um tanto próximo da realidade - da câmera moderninha com Mal de Parkinson nas cenas "paradas" à construção da trama, passando pelas declarações do diretor em entrevistas sobre sua inspiração nos crimes de Charles Manson e seus seguidores.

Mas, então, vamos falar sério aqui, certo? Na situação dos personagens de Liv Tyler e Scott Speedman, cercados por três malucos numa casa no meio do nada, sem telefone, internet e vizinhos, você realmente deixaria o amor de sua vida sozinha e sairia em busca de ajuda ou à caça dos mascarados? Depois de estudar mil filmes do gênero, você seria capaz de cometer os mesmos erros das vítimas de Jason, Freddy e Michael Myers? Quem conhece esses filmes e foi pra escola não somente para paquerar, jogar bola e comer merenda, pelo menos, desenvolveu a capacidade de raciocínio, coisa básica para a sobrevivência da Humanidade em seu dia-a-dia da vida real. Então, conta outra!

Como se isso não bastasse, Bryan Bertino trata seus assassinos como humanos de carne e osso. Até aí, ok. Mas o trio é capaz de "aparatar" (como Harry Potter) e tem o reflexo de um gato e a velocidade de um mangusto (como Ace Ventura). Só falta dizer num provável Os Estranhos 2 que os caras são zumbis. Até aqui, eles parecem... normais. Apenas... malucos. Err... Você me entendeu. Enfim, os Estranhos é a vida imitando a arte? Ou a arte imitando a vida? Decida-se, Sr. Bertino.

E tem mais: O diretor principiante também se deixa levar por sustos fáceis com a ajuda da música, além de conduzir a trama para um anticlímax enfadonho e uma cena final completamente desnecessária somente para dar aquele último sustinho. Deu vontade de dizer "Dã".

De qualquer forma, apesar de todos os poréns, Bertino sabe como evoluir a tensão e filma bem para um novato de 31 anos. Do início ao fim, Os Estranhos consegue ser nervoso, deixa o espectador grudado na cadeira e está longe de ser uma tragédia cinematográfica. Mas pela condução da trama e com a visível empolgação estética do diretor, fiquei esperando que, no fim, eu saísse do cinema achando que estive diante de algo extraordinário. É como se Bertino levasse seu filme a sério demais ou carregasse um ar de originalidade que não existe. Aliás, não sei se vocês já viram um filme francês chamado Ils, de 2006, que é... Digamos... Beeeeem parecido com Os Estranhos. Sem falar na já citada abertura de Pânico.

Mas talvez o diretor e sua equipe estejam orgulhosos do resultado. E eu sou ranzinza mesmo. Ou estou ranzinza. Sei lá. Mas fazer o quê? Foi o próprio cinema que me acostumou mal.

Os Estranhos (The Strangers, 2008)
Direção: Bryan Bertino
Roteiro: Bryan Bertino
Elenco: Liv Tyler, Scott Speedman, Laura Margolis, Gemma Ward e Kip Weeks

15 Comments:

At 6:38 PM, dezembro 03, 2008, Anonymous Denis Torres said...

Esse filme eu dou 1 estrela e meia, pode ser?

 
At 6:40 PM, dezembro 03, 2008, Anonymous Kamila said...

Otavio, você não está ranzinza. Eu também me incomodei demais com a estupidez de algumas atitudes tomadas pelo casal. :-)

Beijos!

 
At 6:50 PM, dezembro 03, 2008, Blogger Otavio Almeida said...

Já voltei, gente!
Não agüentei ficar longe...

Abs!

 
At 9:42 PM, dezembro 03, 2008, Anonymous Vinícius P. said...

Curioso ver como as opiniões a respeito desse filme foram diferentes. Alguns gostaram muito, mas sempre há algo para reclamar nesse tipo de produção - faz tempo que não temos um grande filme do gênero. Espero ver em breve...

 
At 11:05 PM, dezembro 03, 2008, Blogger Pedro Henrique said...

Você disse: "Do início ao fim, Os Estranhos consegue ser nervoso, deixa o espectador grudado na cadeira..."

Quer mais do que isso? É só isso que o filme quer fazer, nada mais!

 
At 12:58 AM, dezembro 04, 2008, Blogger Otavio Almeida said...

Vinicius, é assim mesmo! Pra mim, o último grande filme de terror foi O SEXTO SENTIDO, que é bem dramático por sinal.

Pedro, quero mais sim! Destaquei a tensão do filme pra não dar uma estrela... Eu só acho que andamos nos conformando com qualquer coisa ultimamente... doidos para encontrar um filmaço!

Abs!

 
At 1:37 AM, dezembro 04, 2008, Anonymous Wally said...

Otavio, eu vi Ils (que é francês) e achei bem eficiente. Tinha comentado com alguns que estava temendo mesmo que Os Estranhos lembra-se demais Ils, visto que a premissa é quase idêntica! Vejo que é bem por aí mesmo. Tentarei ver o filme, sem expectátivas.

Já você mencionou Pânico, que adoro! Tudo bem que o terceiro só se qualifica como guilty pleasure, mas os dois primeiros (principalmente o primeiro) são filmes de "slasher" de qualidade. Eu adoro a crítica ao fim do primeiro, o clima tenso, o humor nunca deslocado e as mortes que não devem a nenhum outro do gênero. E lembrando que nem todos os personagens de Pânico são tolos, o que o fortalece é justamente sua protagonista inteligente.

Agora, voltando aos estranhos, acho que é Hollywood pegando onda na originalidade de Ils, que é urgente, realista e digno.

Ciao!

 
At 10:48 AM, dezembro 04, 2008, Blogger Pedro Henrique said...

Ah, mas aí eu vou ter que discordar. Pegue O Procurado (filme que você gostou e eu também) como exemplo. A história é subaproveitada e até mal contada. O filme, no entanto, entrega ação de qualidade. Era só isso que o maluco do Timur queria.

Podemos pegar o engraçadíssimo Agente 86 também. O filme tem uma história pra lá de batida, mas faz o público gargalhar. Porque o Peter só queria entreter.

Eu acho que se o filme tentasse ser mais bem elaborado iria se perder em meio a um subtexto babaca. E todo filme de terror que "se preze" tenta passar alguma mensagem.

Particularmente costumo gostar de poucos filmes do gênero, mas quando vejo um filme que cumpre exatamente o que se propôs, aí tenho de tirar o chapéu.

Mas concordo que andamos muito "relaxados"...

 
At 11:16 AM, dezembro 04, 2008, Blogger Otavio Almeida said...

Então, Pedro, vc acha que o único gênero que vale análises mais profundas é o drama? A comédia e o terror, não? Nem o suspense?

Wally, é francês... nhé... Obrigado!

Abs!

 
At 11:35 AM, dezembro 04, 2008, Blogger Alex Sandro Alves said...

Eu gostei. O filme cumpre seu papel com louvor que é deixar o espectador tenso e angustiado. Algumas atitudes são ridículas ou improváveis? Talvez sejam, mas uma coisa é analisar friamente o que faríamos na segurança de nossa casa, e outra completamente diferente é estar ali vivenciado o terrível momento (e ainda por cima emocionalmente abalado por causa de um rompimento amoroso). Bertino na minha opinião conduziu a trama muito bem, criando um sufocante clima de pavor e medo. Além de acertar também na postura fria e de poucos gestos dos assassinos. Abs!

 
At 5:33 PM, dezembro 04, 2008, Blogger Kau said...

Otavio, achei o filme totalmente despretensioso. Quis tentar reconstruir algo que, de fato, ocorreu e Bertino não quis incorporar idéias mirabolantes à história. Os Estranhos é diversão e não propõe mais nada disso. Por isso até dei lá uma nota boa (além de ter achado as caras e bocas da Liv ótimas!). Gosto de certos artifícios usados por Bertino, como nunca mostrar o rosto dos 'assassinos'. Mas uma coisa, em especial, achei horrível e ridículo: o grito final da Liv... um segundo final totalmente sofrível de ruim!

Abraços, guri!

 
At 7:19 PM, dezembro 04, 2008, Blogger Pedro Henrique said...

Nada disso! Citei apenas os filmes que me vieram na cachola!

 
At 7:21 PM, dezembro 04, 2008, Blogger Otavio Almeida said...

Alex, Kau, e Pedro, então, que venha OS ESTRANHOS 2!!!!!!!!

Abraços!!

 
At 10:19 PM, dezembro 04, 2008, Blogger Pedro Henrique said...

Que venha nada. Mas aí já entra naquela velha história sobre os remakes desnecessários. Por mim fica na gaveta!

 
At 9:04 PM, março 25, 2009, Blogger Nadja said...

Que porcaria de filme!
Não sei quem eram os mais chatos da estória: o casal songa & monga ou os três patetas mascarados.
Me deu sono!

 

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