sexta-feira, junho 05, 2009

Os 25 anos de O Exterminador do Futuro


O Exterminador do Futuro
(James Cameron, 1984)



Você conhece O Exterminador do Futuro (The Terminator, 1984) e seu legado no mundo das artes, especialmente em filmes, séries de TV, games e HQs. Hoje, o universo particular criado pelo diretor, produtor e roteirista James Cameron está bem claro na cabeça dos fãs, que são os verdadeiros responsáveis pela manutenção e inevitável reinvenção desta fantástica saga (e incluo neste grupo o diretor McG, que comandou O Exterminador do Futuro - A Salvação, o quarto filme da franquia). Mas tente imaginar a reação do público, em 1984, quando tudo começou. Assim, relembramos e consagramos um clássico do cinema.


Naquele ano, Arnold Schwarzenegger era conhecido somente por Conan (O Bárbaro e O Destruidor) e James Cameron era o diretor de Piranha II - Assassinas Voadoras. É sério, cara. Bom, o cinema americano passava por uma boa safra de filmes de ficção científica - em sua maioria otimistas como Contatos Imediatos do Terceiro Grau, E.T. - O Extraterrestre e a trilogia Star Wars, além de poucos e bons pessimistas como Alien - O Oitavo Passageiro e Blade Runner - O Caçador de Andróides. Todos esses títulos influenciaram o gênero nas décadas seguintes e o jovem James Cameron seria o responsável por mais um belo exemplar que merece lugar cativo ao lado das criações de Steven Spielberg, George Lucas e Ridley Scott citadas acima.

Influenciado, principalmente, pela remessa pessimista, Cameron convenceu a Orion Pictures a bancar sua ideia extremamente original, que nem exigiu um orçamento monstruoso do jeito que o próprio diretor prefere trabalhar, como vimos em True Lies, O Segredo do Abismo e Titanic. O fato é que até aquele momento, ninguém havia visto algo como O Exterminador do Futuro.
E é uma bênção que este filme tenha sido feito com pouco dinheiro. Há uns 20 anos, muitos diretores driblavam os limites da tecnologia com criatividade. Atualmente, com o CGI, tudo é mais fácil e nada é impossível. Se bem que Cameron mostraria que, com mais grana na bolso, teria feito algo como... O Exterminador do Futuro 2. Infelizmente, nem todo mundo é James Cameron, porque a maioria pensa primeiro nos storyboards e depois no roteiro.

Enfim, antes de O Exterminador do Futuro, e anos-luz antes de Matrix, o cinema e a literatura já discutiam
a nossa dependência das máquinas e a mudança forçada de status entre mestre e escravo, vide Metropolis, 2001, Blade Runner e os livros de Isaac Asimov e Arthur C. Clarke. Mas nunca antes vislumbramos um futuro apocalíptico tão sujo com a humanidade dizimada por sua própria criação: as máquinas. Muito menos, havíamos testemunhado uma eletrizante perseguição entre dois guerreiros no passado para definir o futuro. Claro que essa última proposta de um mocinho e um bandido protegendo uma pessoa de suma importância já havia sido explorada em faroestes, policiais e épicos japoneses. Mas falo de um material novo, que bebeu na fonte de gêneros e culturas para criar uma mitologia própria e jogar a definição de ação em outro patamar. Foi a consagração da narrativa e o drama conduzidos pelo clima tenso da ação sem fim e não pelas falas piegas do roteiro ou das carinhas de cães sem dono de atores canastrões. Assim como Steven Spielberg, George Lucas e Ridley Scott, James Cameron sabia que não precisava de atores como Laurence Olivier para fazer cinema desse jeito. O Exterminador do Futuro surgiu como novidade, mas sem a descarada pretensão de ignorar a história do cinema (e a cultura pop) até então.



O roteiro é uma raridade do ponto de vista criativo. No início do filme, sabemos que sobreviventes de um holocausto nuclear vivem em guerra com máquinas, que agem e pensam livremente, num futuro caótico lá pelo ano 2029. E é só. Depois dos créditos que abrem o filme, vemos um clarão que lança Arnold Schwarzenegger peladão na Los Angeles dos anos 80. Na sequência, o mesmo flash arremessa mais um homem (nu) em outra parte da cidade. No caminho, Schwarzenegger procura os endereços de todas as Sarah Connors da lista telefônica. Minutos depois, ele mata duas dessas mulheres. Mas por quê? De qualquer forma, temos uma Sarah Connor para acompanhar. Interpretada por Linda Hamilton, a moça descobre que estão matando suas xarás e começa a acreditar que é a próxima da lista. Com pouco mais de 30 minutos de filme, James Cameron não revela nada. E é quando Sarah fica na linha de fogo de Schwarzenegger e Biehn. Neste momento, como Sarah, entendemos que o brucutu disposto a riscar a moça do mapa não pode ser humano, enquanto o franzino Kyle Reese (Michael Biehn) veio para ajudá-la. Com meia hora de filme, a plateia já está capturada pela trama e tudo o que vier pela frente será aceito pela mente de qualquer um. Só por ter conseguido tal feito, James Cameron merece aplausos.

Schwarzenegger nunca interpretou um vilão antes de O Exterminador do Futuro. Mesmo que ele comece o filme com sua expressão natural de robô e o personagem de Michael Biehn grite e sinta dores em sua viagem no tempo, ninguém foi capaz de perceber, que um era bom, enquanto ou o outro era mau. Muito menos que um era humano, enquanto o outro era um ciborgue implacável e praticamente indestrutível enviado do século XXI para matar a futura mãe do líder da resistência que pode pôr um fim na guerra entre homens e máquinas. Ufa! Muita informação, não? Mas quem domina o ofício da direção como um bom contador de histórias, sabe que o filme pertence ao público. Cameron explica o necessário. E na hora certa. O resto é com o público. E dá-lhe ação com tiros, perseguições, explosões num ritmo eletrizante, que parece não ter fim, mas que jamais cansa o público.

Concebido com baixo orçamento, O Exterminador do Futuro é um filme que nasceu pra dar certo. Não há outra explicação, além da magia do cinema falando mais alto que qualquer limite. Os cabelos dos anos 80 pararam no tempo, mas O Exterminador do Futuro é eterno. Suas ideias originais geraram múltiplas imitações, influenciaram nomes como Andy e Larry Wachowski (os criadores de Matrix) e consolidaram James Cameron e Arnold Schwarzenegger na indústria. Entre outras conquistas, temos o visual do exterminador, que foi importante para a moda, assim como a trilha sonora oitentista de Brad Fiedel, que definiu uma época e é lembrada como um dos últimos grandes temas do cinema.

Além disso, começamos a ver a típica heroína de James Cameron, que se apaixonou pela bravura de Sigourney Weaver em Alien, de Ridley Scott, e decidiu colocar mulheres fortes enfrentando o mundo dominado pelos homens. Sua Sarah Connor ganhou vida graças a figura meiga e indefesa de Linda Hamilton, que, aos poucos, torna-se uma guerreira. Foi assim com a própria
Sigourney Weaver, em Aliens - O Resgate, assim como Mary Elizabeth Mastrantonio, em O Segredo do Abismo, novamente Linda Hamilton, em O Exterminador do Futuro 2, Jamie Lee Curtis, em True Lies, e Kate Winslet, em Titanic. Como seus filmes, Cameron é um cara durão. Mas um olhar mais atento também percebe uma emoção genuína em seus trabalhos. Algo representado pela mulher em sua filmografia. Aliás, James Cameron viria a ganhar o Oscar por Titanic. Seria uma prova de que os brutos também amam?

O Exterminador do Futuro (The Terminator, 1984)
Direção: James Cameron
Roteiro:
James Cameron e Gale Ann Hurd
Elenco
: Arnold Schwarzenegger, Linda Hamilton, Michael Biehn, Paul Winfield e Lance Henriksen

13 Comments:

At 10:48 PM, junho 06, 2009, Blogger Marcus Vinícius said...

E ele conseguiu fazer melhor ainda no segundo, incrível. E tudo está ligado: http://noreset.files.wordpress.com/2008/12/solid_snake_metal_gear_-_kyle_reese_terminator.jpg

o/

 
At 9:34 AM, junho 07, 2009, Anonymous Roberto Queiroz said...

Volta, Cameron, pelo amor de Deus!, volta. Estragaram a sua criação.

 
At 10:21 AM, junho 07, 2009, Anonymous Vinícius P. said...

Confesso que conferi o primeiro "Terminator" há tanto tempo que não me recordo de muitos detalhes, mas sem dúvida é um clássico e deu origem a um dos meus filmes favoritos em todos os tempos (isso mesmo, a continuação). Nada ansioso para ver a nova versão...

 
At 3:37 PM, junho 07, 2009, Anonymous Kamila said...

Eu vi esse filme há tanto tempo que nem me lembro mais dele. Foi ótimo ler sobre ele aqui!

Beijos!

 
At 9:19 PM, junho 07, 2009, Blogger Johnny Strangelove said...

Um filme perfeito ... algo que pode passar anos e anos ... sempre será tao eletrizante quanto foi pela primeira vez ...

E essa trilha de Brad Fidel é de gelar espinhas ...


E sim, achei legal o 4 ...

 
At 2:48 PM, junho 08, 2009, Blogger Museu do Cinema said...

E eu que não acreditei na frase, I Will be back!

 
At 11:27 PM, junho 08, 2009, Anonymous Wally said...

Preciso rever todos, mas lembro que adorei os dois primeiros. Principalmente o segundo, que é muito inventivo.

É entretenimento de primeira classe.

Ciao!

 
At 1:23 AM, junho 09, 2009, Blogger Ibertson Medeiros said...

Um clássico mesmo. E a continuação é ainda melhor.
Gostei também do filme dirigido por McG, mas não se pode comparar com esses dois.

 
At 2:50 PM, junho 09, 2009, Blogger Otavio Almeida said...

Valeu, amigos!

Acho que James Cameron deveria voltar ao passado para exterminar McG e Jonathan Mostow, além de todos os nomes responsáveis pelas continuações de T2.

Abs!

 
At 3:13 PM, junho 09, 2009, Blogger Fabio said...

Sabe o que foi mais estranho?
Reassisti as dois primeiros filmes antes de fazer a cobertura de T4. E, morando em LA, tive nova percepção do filme, pois sabia onde as cenas haviam sido filmadas, reconheci locais e imaginei o estrago feito pela passagem do Terminator.

Como você falou, um exercício narrativo magnífico do Cameron, que me deixou tarado por saber mais sobre a guerra contra as máquinas e que o McG teve medo de assumir.

Belo texto, como sempre O!

Lê o meu do JB lá e me fala depois. :p

Abs,
Barreto
www.soshollywood.com

 
At 6:23 PM, junho 09, 2009, Blogger Otavio Almeida said...

Valeu, Fabius!
Mas o filme novo é uma bosta, mermão!

Abs!

 
At 6:38 PM, junho 09, 2009, Blogger Fabio said...

Octavius, eu tava falando de nova percecpção do primeiro filme. :)

T4 decepcionou sim. Aliás, vc só leu a matéria mais "geral". A crítica tá aqui, ó: http://soshollywood.wordpress.com/2009/06/05/terminator-salvation/

A matéria do JB teve que ser mais leve. hehe.

Abs,
Fábio, que nào acredita mais numa palavra que o McG disser.

 
At 4:00 PM, junho 11, 2009, Blogger Otavio Almeida said...

FABIO, agora sim. Li sua crítica. E não deixe mais o McG te enganar.

 

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