domingo, setembro 13, 2009

O Sequestro do Metrô 1 2 3


Tony Scott, o irmão menos talentoso de Ridley, acha que precisa inventar moda com a montagem de cenas ora congeladas, ora aceleradas para fazer gracinha e tentar imprimir uma marca que simplesmente não é única por ser tão banalizada por outros diretores desprezíveis. Scott (o Tony, e não o Ridley) acha que cinema é videoclipe. Mesmo quando ele pega uma refilmagem de uma produção dos anos 70, com o ritmo particular de uma época do cinema, que se concentra muito mais nos diálogos entre Walter Matthau e Robert Shaw, do que na ação desenfreada. Nas mãos do diretor Tony Scott, porém, a nova versão de O Sequestro do Metrô 1 2 3 (The Taking of Pelham 1 2 3, 2009) ganha traços modernos com ares de uma Nova York pós-11 de setembro dominada por paranoia, intolerância e excesso de tecnologia.

Até aí, tudo bem, afinal temos o prazer de ver Denzel Washington contra John Travolta na tela. Mas não se engane: quem comanda o show, para o nosso pesadelo, é Tony Scott. Ele não se contenta com seu ilustre elenco, que ainda tem John Turturro e James Gandolfini, e faz questão de mostrar que o filme pertence aos seus tiques conhecidos desde Top Gun e Dias de Trovão. Scott poderia, pelo menos, nos poupar de tanta previsibilidade. E nem isso ele faz.


Desde a longa (e irritante) abertura, sabemos que Tony Scott dá as cartas. Mas não precisava demorar tanto nos créditos iniciais só para mostrar Ryder (John Travolta) sequestrando o metrô, que sai à 1:23 da estação Pelham, no Brooklyn, rumo a Manhattan. Ele quer 10 milhões de dólares em apenas uma hora. Caso contrário, um refém será morto a cada minuto. Com a atenção do prefeito (James Gandolfini), da mídia e de todas as autoridades de Nova York, Ryder, no entanto, só aceita falar com Walter Garber (Denzel Washington), um homem comum que comandava as linhas de trem no exato momento do sequestro.

Dos diálogos entre Washington e Travolta, carregados de sinceridade, testemunhamos um belo desenvolvimento de personagens. Aos poucos, ambos descobrem semelhanças entre seus objetivos que movem o Homem contra as instituições de uma cidade insana e intolerante após os eventos trágicos do 11 de setembro de 2001. Ryder é um ex-executivo de Wall Street, vítima do capitalismo, afirmando que os verdadeiros vilões estão no poder no país. Para ele, Garber sofreu os mesmo golpes do Estado e, agora, tenta se livrar de acusações graves que ameaçam sua vida pessoal e profissional. Lá no fundo, Garber concorda com Ryder, mas existe uma pequena diferença entre os dois. Ryder perdeu tudo e só tem olhos para si próprio. O "mocinho" da história ainda vê razão para viver e reconhece que há algo de bom neste mundo que enobrece seu dia a dia: a família e o trabalho. Ao contrário do "bandido", Garber ainda tem uma luz no fim do túnel. Denzel Washington, para variar, está muito bem. John Travolta, por outro lado, surpreende. Mostra que sabe atuar quando quer.

Mas todo o drama construído pelos atores vai por água abaixo com as interferências de Tony Scott. O diretor insiste em se intrometer com seus exageros visuais, que vão desde batidas de carros desnecessárias a pausas na ação para mostrar na tela quanto tempo falta para esgotar o prazo da entrega do dinheiro.


Assim não dá pra levar a sério. Para completar a lambança, Scott ignora a construção dos personagens de Denzel Washington e John Travolta para apostar em um final previsível que contradiz alguns valores apresentados por Garber e Ryder durante o filme. Até tentei deixar de lado uma pergunta enviada pelo meu cérebro na metade do longa, mas com esse final, não teve jeito de esquecer.

A pergunta: Na hora em que atiradores de elite miram as cabeças de John Travolta e Luiz Guzmán dentro do trem, por que eles não mandaram bala? Cara, isso não encerraria o drama? Sem os dois bandidos na jogada, o restante dos vilões não receberia instruções por alguns segundos, que seriam preciosos para a aproximação dos policiais, que em menos de um minuto entrariam no vagão e BANG! Acabariam com a festa, soltando os reféns. Simples.

Ah, mas Tony Scott diria: Antes de atirar, um dos policiais poderia ser surpreendido por um ratinho, que entraria em sua calça e morderia sabe-se lá o quê. Isso poderia desviar a bala, então nada de arriscar. E segue o filme.


O Sequestro do Metrô 1 2 3 (The Taking of Pelham 1 2 3, 2009)
Direção: Tony Scott
Roteiro: Brian Helgland
Elenco:
Denzel Washington, John Travolta, John Turturro, Luis Guzmán, Michael Rispoli, James Gandolfini e Ramon Rodriguez

Nota: "O Sequestro do Metrô" é ruim, mas dedico este texto ao meu pai, que adoraria ver o filme no "Domingo Maior". Feliz aniversário!

8 Comments:

At 8:32 PM, setembro 13, 2009, Blogger Bruno Soares said...

É realmente muito fraquinho. Fiquei até com pena do rato que podia ter estrelado OS INFILTRADOS mas teve que se contentar com esse filminho. rs

Abs!

 
At 9:30 PM, setembro 13, 2009, Blogger Mayara Bastos said...

Veria pelo Denzel Washington, mas irei deixar para ver em uma "Tela Quente" da vida. rsrsrs.

Beijos! ;)

 
At 10:15 PM, setembro 13, 2009, Anonymous Denis Torres said...

Meu Deus, Otávio, vc foi ver esse filme? Vai ser dependente de cinema assim lá na Gávea! huahuahua Essas letrinhas são os xingamentos que vc disse depois da sessão? kkkk Abs!

 
At 12:15 AM, setembro 14, 2009, OpenID moviefordummies said...

Jesus, apareceram uns símbolos do mal aqui! hahahaha
Deve ser porque o filme é uma bomba :~]

 
At 10:54 AM, setembro 14, 2009, Blogger Otavio Almeida said...

Hahahahaha... Problemas técnicos resolvidos! Obrigado, pessoal!

Abs!

 
At 4:01 PM, setembro 14, 2009, Blogger Johnny Strangelove said...

Mano ... Tony Scott nunca verá meu real no cine ... ehehehe


abraços

 
At 8:29 PM, setembro 14, 2009, Anonymous Kamila said...

Esse filme também é a cara do meu pai. Ele adora esse gênero. :-)

Bom, "O Sequestro do Metrô 1 2 3" não acrescenta nada de novo aos outros filmes do gênero... E isso já diz suficiente sobre a obra.

Beijos!!!

 
At 11:43 PM, setembro 14, 2009, Blogger Pedro Henrique said...

Como já havia te dito, achei esse filme um dos piores do ano. Uma pena ver um elenco deste calibre jogado as traças.

Abs.

 

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