terça-feira, dezembro 16, 2008

Sean Penn vai muito bem sem Madonna

Sean Penn é um grande ator e um diretor que sabe das coisas.
Mas bonito sou eu.



Em Milk, de Gus Van Sant (Gênio Indomável), Sean Penn interpreta o primeiro político assumidamente gay da História norte-americana: Harvey Milk. Nos gloriosos anos 70, o rapaz incentivou muita gente divertida e sensível a sair do armário, mas nem tudo foi feito de flores, afinal o assunto ainda era tabu, o que irritou muitos bambis enrustidos, e a luta de Milk não acabou tão bem assim. Enfim, espere só pra ver o filme de Gus Van Sant, que deve estrear em fevereiro e vai dar o que falar. Antes disso, no próximo dia 11 de janeiro, Penn disputa o Globo de Ouro de melhor ator dramático pelo papel.

Mas até chegar aqui, Sean Justin Penn, nascido em Santa Monica, na Califórnia, em 17 de agosto de 1960, não percorreu um caminho fácil. Também pudera... No início, havia Madonna. Naquela época, ela podia ser imaculada like a virgin, mas cá entre nós, deve ser um porre conviver com ela. O casamento (1985-1989) foi turbulento, todos sabem disso, e a inevitável separação só ajudou Sean Penn a evoluir como ator. Ok. Não foi bem assim, claro. Mas essa é a minha visão.

Antes mesmo de ser "o marido da Madonna", Sean Penn estava nas prateleiras das locadoras em caixas de VHSs como Picardias Estudantis (adoro este filme de 1982), em que ele faz um surfista doidão e chapado, e Colors - As Cores da Violência (1988), um policial very cool, ya know dirigido por Dennis Hopper. Naqueles anos 80, Sean Penn ainda foi acolhido por Brian De Palma, em Pecados de Guerra (1989), mas todos queriam ver Michael J. Fox ali, que já estava prontinho para estrelar De Volta Para o Futuro II e III (1989/1990). Algo mais a ser destacado em sua carreira naquela década? Ah, como pude me esquecer de Não Somos Anjos (1989), belo e subestimado filme de Neil Jordan?

Mas o talento de Sean Penn só começou a chamar a atenção dos críticos em O Pagamento Final (1993), reunião do ator com Brian De Palma, em um dos melhores filmes do diretor. O astro na ocasião era Al Pacino, mas Penn já demonstrava lampejos do monstro que ele é hoje. Um monstro sagrado e consagrado - bem longe daquele sujeito à sombra da Madonna. Um dos maiores atores de nossa época. Esse colosso, esse titã chamado Sean Penn recebeu sua primeira indicação ao Oscar dois anos depois, por Os Últimos Passos de um Homem (1995). No filme de Tim Robbins, Penn conseguiu fazer com que todos se emocionassem com um assassino estuprador desgraçado. Quer mais do que isso?

Não teve mais jeito, Penn mostrou ali ser um ator de verdade. Feio pra dedéu, não dava mesmo para ser um astro, afinal não estamos mais nos anos 70, quando gente feia (Hoffman, Pacino, Nicholson, De Niro) ganhava grandes papéis somente pelo talento e não pelo rostinho conservado de cremes contra rugas e botóx. Mas isso vem mudando. Hollywood é um ciclo. Sean Penn, Philip Seymour Hoffman, Forest Whitaker, novos belos feios da sétima arte comendo pelas beiradas e arrancando bons papéis. Aos poucos, bem devagar, conquistando nem que seja o papel de um ótimo coadjuvante, mas eles estão vivos.

Penn ainda foi indicado ao Oscar merecidamente por Poucas e Boas (1999) e Uma Lição de Vida (2001). Neste último, como explica Robert Downey Jr., em Trovão Tropical, o ator não levou a estatueta porque interpretou um retardado 100% retardado. Você já sabe, never go full retard. Só um pouquinho, ok. Como Dustin Hoffman, que levou o Oscar, por Rain Man, e Tom Hanks, por Forrest Gump. Mas... Never go full retard.

A verdade é que Sean Penn nunca deu tanta importância para prêmios. Comparecer às cerimônias do Oscar era algo que não estava em sua agenda. Nem mesmo quando indicado. Mas ao disputar o careca dourado com reais chances de levá-lo para casa, por Sobre Meninos e Lobos (2003), Penn decidiu aparecer. Dizem que foi um pedido de seu diretor, o grande Clint Eastwood. E não deu outra, Sean Penn ganhou o Oscar de Melhor Ator naquela noite. Neste que é um dos melhores filmes da década, Penn dá um show. A cena em que ele grita "Is that my daughter in there? Is that my daughter in there?" para Kevin Bacon ainda gela a minha alma. Grande Sean Penn. Grande Clint.

Deste momento em diante, Penn fez algumas bobagens como o bocó A Intérprete (2005) e a refilmagem de A Grande Ilusão (2006), mas talvez ele estivesse mais preocupado em juntar grana para dirigir o maravilhoso Na Natureza Selvagem (2007), elegantemente sacaneado pela Academia no último Oscar. Mas tenho certeza de que Sean Penn nem ligou. Ele devia estar fazendo coisa melhor naquela noite.

Hoje, este monstro está indo muito bem sem a Madonna. E ainda tem uma esposa mais bonita e melhor atriz que a material girl (Robin Wright Penn, a eterna Jenny de Forrest Gump). Aos 48 anos, Sean Penn ainda nem começou direito a dizer o que tem a dizer. Que venha Milk. E que ele volte a dirigir algo melhor ou tão bom quanto Na Natureza Selvagem.

9 Comments:

At 10:05 AM, dezembro 17, 2008, Blogger Johnny Strangelove said...

Ainda bem que ele pulou fora de Maddona ... eitcha mulé pé fria do caralho ...

Agora ainda bem que o Guy Ritchie pulou fora dessa enrascada ...
eheheh

abraços

 
At 11:15 AM, dezembro 17, 2008, Blogger Pedro Henrique said...

Que belo texto, Otávio! Você andava meio atordoado, mas a excência está de volta! E que venha Milk, afinal.

Abraço!

 
At 12:16 PM, dezembro 17, 2008, Anonymous Denis Torres said...

Long live Sean Penn! Muitas alegrias ainda virão desse grande ator/diretor. Bom texto, Octavius.

 
At 12:23 PM, dezembro 17, 2008, Anonymous Sandro said...

Teve este filme também, cujo nome em português não lembro, que passava algumas vezes na TV. Gosto da atuação do Sean Penn e de ver na tela uma das atrizes mais bonitas de todos os tempos: Elizabeth McGovern.

http://www.imdb.com/title/tt0087968/

 
At 2:35 PM, dezembro 17, 2008, Blogger Pedro Henrique said...

Ah, e o melhor trabalho do Penn é em Sobre Meninos e Lobos.

Obs: ali em cima eu quis dizer excelência!

Abraço!

 
At 3:44 PM, dezembro 17, 2008, Blogger Kau said...

Otavio, acho Penn um ator excepcional. A meu ver, ele tem três trabalhos extraordinários em sua carreira: Uma Lição de Vida, Sobre Meninos e Lobos e 21 Gramas. Em Natureza Selvagem ele prova ser, também, um diretpr incrível...

Abraços.

 
At 7:06 PM, dezembro 17, 2008, Anonymous Kamila said...

Para mim, o Sean Penn é o maior ator da geração dele. Acho que ele ganha o segundo Oscar de Melhor Ator por "Milk".

Beijos!

 
At 9:03 PM, dezembro 17, 2008, Blogger Romulo Silva said...

Ri horrores na cena de Trovão tropical.

E coincidências da vida: aluguei o filme hoje pensando só no Penn. Quando abro o blog, um post pra ele.

E assim, cá entre nós... De Niro dos 70's e o próprio Penn são bem bonitos. Mas entedemos o que você quis dizer =)

 
At 3:38 AM, dezembro 19, 2008, Anonymous Wally said...

Penn é meu ator preferido e um diretor sensacional. Adorei seu texto, que faz jus ao talento do gênio.

Ciao!

 

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