quarta-feira, janeiro 21, 2009

O Curioso Caso de Benjamin Button

"Mais alguns anos e estarei pronto para a São Silvestre"


Lindo, poético, lírico, épico, romântico, mas ao mesmo tempo triste, melancólico, frio e minimalista. Assim é O Curioso Caso de Benjamin Button (The Curious Case of Benjamin Button, 2008), o filme mais ambicioso do genial cineasta David Fincher (Seven, Clube da Luta, Zodíaco). Mas olhando para trás e sabendo o que ele já aprontou, Fincher imita seu protagonista: Começou praticamente no auge de seu talento ousado, extremamente criativo e influente para, agora, regredir ao cinema acadêmico e convencional.

Em certos casos, claro, não há mal algum em ser "acadêmico". Mas Fincher me parece um cineasta marginal; um cara das ruas. Feio, sujo e malvado. Bad motherfucker. O Curioso Caso de Benjamin Button, livremente inspirado no clássico conto de F. Scott Fitzgerald, de 1922, carrega uma história grandiosa e equilibrada em beleza e tristeza.

Ora, quem conta a saga de Benjamin Button a alguém, sabe que se trata de uma história de emoção genuína, certo? Mas assistir ao filme, sentir e esperar por essa emoção, aí, hollywoodianos, isso é algo completamente diferente. Veja só: Se você diz (ou resume) a uma pessoa que E.T. - O Extraterrestre é sobre um alienígena abandonado em nosso planeta, isso está correto. Em termos, ok? Mas correto. Porém, essa breve descrição de E.T. seria capaz de gerar imediatamente a emoção nesta pessoa? Acho que não. Mas, então, assista ao inesquecível filme de Steven Spielberg. A experiência será completamente diferente. Duvido que um ser humano em sã consciência não tenha a mínima vontade de chorar.

Mas antes que você me acuse de querer pieguice em O Curioso Caso de Benjamin Button, eu preciso explicar minha visão de "emoção" no cinema. Cito Sangue Negro, de Paul Thomas Anderson, então. Uma obra-prima para o nosso tempo, ok? Daniel Day-Lewis interpreta um sujeito carrancudo querendo o sangue de seus concorrentes. Aos nossos olhos, ele é mau até o último fio de cabelo. Mas admiramos essa característica em seu personagem. Ou vai me dizer que não? Em Sangue Negro, eu torço por Daniel Day-Lewis; vibro com as terríveis manobras de seu personagem. Isso também é emoção. Sangue Negro é pesado, incomoda, mas não é um filme frio. Longe disso. Paul Thomas Anderson é apaixonado por sua história e jamais se deslumbra com a grandiosidade do material em mãos. Agora, vamos para o oposto. Pegue a ternura de Forrest Gump, de Robert Zemeckis. Você torce pelo herói tapado até o final, não é? Chorando ou não, você entra neste filme e viaja ao lado do personagem. Para mim, isso é importantíssimo. Chamo isso de vínculo com a platéia. São filmes que, como Benjamin Button, também fazem uma leitura da América de acordo com os olhos de seu protagonista. E, até mesmo, de nossa situação no mundo.

A diferença é que a leitura de David Fincher é fria, distante. Talvez pelo medo de cair na "pieguice" óbvia que muita gente reclama. E cair nessa tentação parecia fácil demais, afinal o conto original fala de um cara que nasce velho e rejuvenesce durante sua vida. Entenda: Não quero um Laços de Ternura ou sua versão canina, que é Marley & Eu. Aí já seria palhaçada minha. Mas apesar de reconhecer toda a beleza plástica deste filme, eu admito que não me importei nem um pouco com a felicidade e a vida de Benjamin Button. Acho que faltou... emoção, envolvimento e cumplicidade de David Fincher nas entrelinhas. O filme é muito fraco dramaticamente. Miserável, eu diria. E é claro que Fincher tem todo o direito de trilhar outros caminhos, mas acho que isso era filme para Steven Spielberg. Ou para outro cineasta acostumado com o fantástico como Tim Burton. Aliás, Burton poderia ter Johnny Depp, que daria um Benjamin Button inesquecível. O que me leva ao problema Brad Pitt.

O astro realmente funciona (e muito) em papéis bizarros e cômicos. Vide Seven, Doze Macacos, Clube da Luta, Snatch e Queime Depois de Ler. Ele está ótimo. Mas é contra as leis da natureza pedir para que Brad Pitt seja um bom ator dramático. Em O Curioso Caso de Benjamin Button, ele tem a mesma cara e as mesmas reações de seus tenebrosos personagens de Lendas da Paixão e Encontro Marcado. O filme de David Fincher depende sim, senhor, da atuação de Brad Pitt. No início, enquanto Button ainda é um "jovem idoso", os efeitos digitais e a maravilhosa maquiagem até ajudam o astro. Depois, quando o velhinho vira o marido de Angelina Jolie, o filme cai junto com o ator. Colocar Steven Seagal ali daria na mesma. Ou seja, pede pra sair!

O problema é Brad Pitt, pois o elenco de apoio está sensacional. Começo por Taraji P. Henson, a mãe de criação de Benjamin Button. Que atriz, senhoras e senhores! Cate Blanchett, como sempre, é magistral. Tilda Swinton, a mulher feia mais talentosa do cinema atual também tem seu momento para brilhar. É um belíssimo elenco.

Analisando outro tópico, muita gente compara a estrutura do roteiro com Forrest Gump, mas acho que isso se deve apenas ao tipo de história que o roteirista Eric Roth gosta de contar. Benjamin Button tem até a sua dose de drama, aventura, humor e... "Faz de conta". Mas o clássico moderno de Robert Zemeckis dá de 10 a 0 no pior filme de David Fincher desde sua estréia em Alien 3. Aliás, acho que o roteiro de Eric Roth é bem rico. Detesto dizer isso, mas é o próprio diretor que parece distante emocionalmente. Se o restante do filme, no entanto, tivesse a mesma energia e criatividade da abertura sobre o "relógio ao contrário" e a melhor seqüência de todas, que ilustra uma narração de Benjamin Button sobre todos nós estarmos numa "rota de colisão", aí sim o filme seria merecedor de elogios eufóricos.

Direção de arte refinada? Confere. A melhor maquiagem de 2008? Confere. Figurinos impecáveis? Confere. Fotografia deslumbrante? Confere. Uma bela trilha sonora? Confere. Tecnicamente, O Curioso Caso de Benjamin Button é perfeito. Um filme fácil de admirar, mas difícil de amar. Acaba sendo curioso mesmo, como diz o título. Mas, infelizmente, não é a obra-prima que poderia ter sido. Tampouco é um grande filme, mas um filme grande com seus imensos 166 minutos. Você pode dizer: "Ah, mas a vida é longa." Ok, mas ao que parece, de trás pra frente, a vida não é uma caixa de bombom.

O Curioso Caso de Benjamin Button (The Curious Case of Benjamin Button, 2008)
Direção: David Fincher
Roteiro: Eric Roth (Baseado no conto de F. Scott Fitzgerald)
Elenco: Brad Pitt, Cate Blanchett, Tilda Swinton, Julia Ormond, Taraji P. Henson, Elias Koteas, Jason Flemyng e Joeanna Sayler

27 Comments:

At 4:59 PM, janeiro 21, 2009, Anonymous Denis Torres said...

Otávio, eu gostei do filme. Porém, essa é uma de suas melhores críticas e chego até a pensar se terei que ver o filme de novo. O fato de vc não ter gostado do mesmo e a maioria dos blogueiros sim o fez se desdobrar nessa bela argumentação. Texto de quem entende os meandros da sétima arte e você tem pontos fortes a seu favor. Abs.

 
At 5:10 PM, janeiro 21, 2009, Blogger Museu do Cinema said...

Caramba, o filme tem 166m? Confesso que para mim tinha muito menos!

Bom, vamos a batalha, primeiro gostaria de dizer que vc comprova a tese de que o filme é uma obra-prima, pois até agora só li elogios, infelizmente não de vc. (então, como diria Nelson...)

Tilda não é feia! Ela só é deslabiada. Mas sabe que até ela tem seus momentos? Veja Vanilla Sky.

Bom, pelo visto vc considera a obra perfeita tecnicamente, mas sem emoção, é isso mesmo?

Confesso que não consegui abstrair onde Fincher errou na sua resenha. Mas vamos lá:

Vc disse que não "torcemos" por Benjamim. Meu amigo, só se for vc, não só torci, como me vi no papel dele. Quando ele por exemplo, velho, brinca com bonequinhos imitando uma guerra imaginária. Nós, que devemos estar na faixa dos 25 a 30, quantas vezes nos pegamos querendo brincar de carrinhos? Puts, essa cena é de emocionar esquimós!

Portanto não existe qualquer tipo de frieza na direção, muito pelo contrário, o filme é emocional do inicio ao fim, ou não reparaste na bela trilha sonora "de fazer chorar" que quase acompanha a pelicula inteira?

Agora, acho que entendeu errado, realmente o cineasta não abusa do lenço de papel, ele não tira de vc emoções baratas ao velho estilão hollywoodiano, ele usa a sutilidade, a sensibilidade, para arrancar suas lágrimas, até pq o filme não é triste, pq se fosse, assim seria a vida, mas o amor dos dois foi perfeito, mesmo o contrário, eles tiveram o auge no melhor momentos de suas vidas, sempre se amaram, mesmo conhecendo outros parceiros e tendo experiências de vidas distintas, e morreram juntos, apesar dele bebê e dela velha naturalmente.

A cena final dos dois de mãos dadas passeando, ele baby e ela uma "vovô" é outra de desabar as lágrimas. Olha a poesia da cena, marido e mulher, que mais parecem, aos olhos leigos, avô e neto, num apaixonado e inocente selinho! Ou ele morrendo nos braços da amada, morrendo ou sendo ninado? Puts, nem vou escrever mais, pra não chorar.

Abs

 
At 5:23 PM, janeiro 21, 2009, Blogger Otavio Almeida said...

Obrigado, Denis! Depois te dou o cheque deste mês!

Cassiano, quer dizer, então, que meu contraponto é valorizado assim? Agora sim o filme é uma obra-prima? Fico feliz! Mas peraí que já continuo a batalha... Agora não dá, pois estou no trabalho. Prometo voltar.

Abs!

 
At 5:31 PM, janeiro 21, 2009, Blogger Romulo Silva said...

"Mas é contra as leis da natureza pedir para que Brad Pitt seja um bom ator dramático."

O assassinato de Jesse James pelo covarde Robert Ford te desmente :p


E assim, como em praticamente todos os outros textos que li, o seu se concentra em um fato: ele não conseguir emocionar. O que é muito mais subjetivo do que achar o filme bom ou ruim de acordo com suas estruturas - vai muito mais da história de vida da pessoa.

Como já disse numa comunidade do orkut, O labirinto do fauno NÃO me emocionou. Só que acho sim um filme maravilhoso, dos melhores. Piaf me emocionou horrores e é um filme regular. Não vi, por exemplo, dizerem porque o roteiro de Roth é falho (embora sejam rápidos em dizer que é ruim). Vi dizerem que Button é ruim porque Gump é bom.

O que, aliás, é uma besteira :p

(E graças a Deus que esse filme não caiu nas mãos de Tim Burton. Seria, como a maioria de seus projetos, 'uma fábula dark e gótica'.)

 
At 5:36 PM, janeiro 21, 2009, Blogger Otavio Almeida said...

Oi Rômulo!

Não acho que "emocionar" seja colocar a platéia necessariamente pra chorar. Por exemplo, chorei em MARLEY & EU pq tenho cachorro. Mas o filme é horroroso! Mas eu expliquei essa minha visão de emoção no texto.

E esqueci de citar O ASSASSINATO DE JESSE JAMES PELO COVARDE ROBERT FORD. Ele está tão ruim ali que até o irmão do Ben Affleck passou pro primeiro time.

Abs!

 
At 5:59 PM, janeiro 21, 2009, Blogger Museu do Cinema said...

Otávio, não querendo lhe desmerecer, mas acredito piamente no Nelson Rodrigues que diz que toda unanimidade é burra! Pelo menos aqui na nossa comunidade blogueira, não tinha lido críticas negativas de Benjamim Button, ou seja, depois de vc, não é mais unânime!

 
At 6:13 PM, janeiro 21, 2009, Blogger Otavio Almeida said...

Então Viva Nelson Rodrigues! Quando chegar em casa, eu faço minha réplica ao teu comentário ali em cima. Abs!

 
At 6:22 PM, janeiro 21, 2009, Blogger Poetrica said...

Otavito,
Não há como entrar em polêmica com você. Eu entendo o espectador que você é.
Mas eu quero que finalmente você entenda o que é um filme literário para mim (e pode ser que seja uma grande bobagem, que eu não sou de me levar muito a sério): admiro e sou fã da linguagem de cinema, embora eu ache que pouquíssima gente se preocupa com ela. O espectador normalmente se preocupa com a emoção ou a impressão que o filme deixa, a tal nojenta mensagem ( que para mim é o que menos importa em um filme), o "boy meets girl plot ". Para mim, um filme alça a categoria de literário quando ele revela a própria costura, quando ele expõe a sua tessitura, quando se adivinha por meio das inúmeras camadas de linguagem uma sinfonia um pouco mais delicada e sutil. Com "filme literário", não quero dizer apenas que ele seja baseado em algum monstro da literatura. Trata-se de filmes que revelam o narrador, alguém que, como Machado de Assis, se mostra presente à margem da história, explicitando a fragilidade (e ao mesmo tempo a força) daquela obra, mas principalmente o abandono do artista à complexidade perfeita daquela obra. Talvez seja esta a frieza que você percebe neste belo filme. Ele é um filme que não quer entregar-se ao espectador incauto: antes, ele quer brincar com o pacto que faz com ele. Veja, a opção estética do cineasta - consciente ou não - é de mostrar que o pacto de crença naquela história pode ser rompido a qualquer momento. Porque, Deus!, nós estamos falando da seara do fantástico. E é por isso que eu digo entender a sua história de espectador, e é por isso que você acha o filme frio: você é spielberguiano, você deseja ser arrebatado, levado, arrastado, sem que um incômodo narrador (com sua frieza de manipulador) fique lhe apontando o dedo de ficcionista a cada cindo minutos. Mas, Otavito, a premissa deste filme, a sua primeira cena, já encerra o absurdo total! Isso já mostra ao espectador, de início, que a viagem será no mínimo inusitada.
Eu, que admirava o conto há anos, como te disse, fiquei bravo com a opção manjada de usar a mulher na cama à morte, à la Titanic (que não existe no conto), para mim um recurso previsível para ganhar o público. Aquele asilo também não existe no conto, e tampouco o B. B foi abandonado. Mas não interessa: este filme cria uma supra-realidade interessantíssima, "literária", no sentido de que, na literatura, sabemos o tempo todo que estamos a uma página de papel de distância, enquanto que os filmes tentam suprimir a distância e fazem com que nós sejamos a "quarta parede".
E olha, é engraçado você achar o filme frio. Vários amigos que o viram caíram no choro no final (incluindo eu). Certamente não é um choro de filme de cachorro, mas de fime bom prá cachorro. O Button de Brad Pinto é um dos grandes personagens que eu já vi no cinema, com sua doçura e complexidade.
E veja, o filme é de outra tradição, ele nasce em outro lugar muito diferente de Forrest Gump e ET, e ele quer dar outro tipo de emoção ao público. Há espaço para todos! E compará-los é diminuir todos, uma vez que eles não são feitos da mesma matéria, e certamente seremos injustos.
Este filme deixou uma impressão que há muito um filme não me deixava.
Abraços

 
At 7:12 PM, janeiro 21, 2009, Blogger Luis Felipe said...

Acho que o filme tem sim emoção, mas de fato não é capaz de levar o espectador às lágrimas. Mas não considero isso defeito. Acho Kubrick um dos cineastas mais incríveis de todos os tempos mas seus filmes, em geral, não me emocionam. Eles me fazem refletir. É uma abordagem diferente, que consigo enxergar em O curioso caso de Benajamin Butto. No mais, respeito sua opinião, e digo que já havia lido críticas negativas a respeito do filme. Fincher, mais uma vez, passa longe de ser uma unanimidade.

 
At 7:57 PM, janeiro 21, 2009, Anonymous Vinícius P. said...

"Um filme fácil de admirar, mas difícil de amar", exatamente! Você sabe que gostei muito de "Button" e acho um trabalho de alto nível do Fincher, mas acho que está longe de ser espetacular (prefiro ao menos outros três do diretor). Também esperava que fosse menos frio, mas me encatei pela trama. Abs!

 
At 8:23 PM, janeiro 21, 2009, Blogger Pedro Henrique said...

O filme é bom! Não acho o pior filme do Fincher, mas sim a pior direção. Malabarismos demais, confetes demais. Não coube, enfim. Faltou estofo para o argumento do cara. Mas o filme é bom.

Abraço!

 
At 10:41 PM, janeiro 21, 2009, Blogger Gustavo H.R. said...

Fincher é distante emocionalmente em seus filmes. DETESTO isso. Emoção é bom. Já até tinha sonhado com esse filme, de tanta vontade de ver, mas a quantidade de críticas nesse sentido - da frieza, ou algo assim - são preocupantes.

 
At 10:46 PM, janeiro 21, 2009, Anonymous Anônimo said...

Sempre querendo criar polêmica, infelizmente.

 
At 11:31 PM, janeiro 21, 2009, Blogger Alex Gonçalves said...

Otavio, concordo com a Poetrica enquanto as comparações/exemplos que você determina ao longo do seu texto, mas o seu primeiro parágrafo parece dizer o que exatamente o filme me parece ser: perfeito tecnicamente, mas com uma premissa que, ao julgar pelo amplo material de divulgação que consultei, deve ser um tanto fria.

 
At 9:44 AM, janeiro 22, 2009, Blogger Ronald Perrone said...

É engraçado essa questão de gosto pessoal, não é? Foi justamente a frieza e o distanciamento emocional que o Fincher impõe no filme que me fizeram chorar, sério...

Eu achei o filme simplesmente tocante, respeito totalmente a sua opinião, mas não acho que tenha sido um retrocesso na carreira dele. Na verdade, nunca o vi como um "cineasta marginal", tendo em vista que ele não estava à "margem dos cineastas" (indico o Abel Ferrara pra você sentir o que é isso...) e mesmo seus filmes do incicio de carreira já seguiam a linguagem pós anos 90 que a maioria dos diretores trabalhavam.

Não estou dizendo que era ruim, deixando bem claro. Sempre adorei o Fincher e acho que ele foi um dos únicos que conseguiu ter um estilo próprio dentro da mesmice que foi os anos 90. Com Zodíaco ele amadureceu. Zodíaco já possui um distanciamento e já não há aquela camera malabarista tentando ser um Brian De Palma.

Talvez, para a o material que propôs a contar em Benjamin Button, ele precisasse de uma centa aproximação para que o publico se comovesse com a hstória, com certeza atrairia a emoção de muito mais pessoas, como você mesmo, de acordo com seu texto... até concordo.

Mas ele decidiu ir contra, se distanciar, não tratar diretamente das personagens da trama, mas sim a preocupação em trabalhar o tempo e o seus efeitos, sem explicitar as emoções, que estão lá sim, heheh, eu chorei quando me dei conta de várias questões e quando me peguei refletindo em vários pontos durante o filme, coisa que fica difícil de fazer quando a emoção aflora o tempo todo... talvez agora sim ele esteja sendo um cineasta marginal remando contra a maré...

Um abraço!

 
At 11:12 AM, janeiro 22, 2009, Blogger Otavio Almeida said...

UAU! Vamos lá!

Cassiano, o filme fica muito mais bonito e interessante com você comentando cada uma das partes. Eu acho que faltou essa paixão ao David Fincher. E eu acho um filme triste sim. O cara deixa mulher, filha, abandona tudo e fica no exílio por causa de sua condição única. A felicidade é um breve momento. Como o casal vive no filme. Mas a maioria das pessoas não aproveita este momento. Muitos morrem sem perceber que tiveram tal momento. E isso é muito triste. Filme feliz sobre a vida, e sem medo de ser feliz (e jamais sendo piegas) é A FELICIDADE NÃO SE COMPRA. Capra é emocionante não em uma ou outra cena, mas em todo o filme. Um belo filme recente sobre o processo de envelhecer, viver e morrer é SINÉDOQUE, NY. Charlie Kaufmann emociona, celebra a vida e a arte sem ser piegas. É fantasia sim, mas sempre sincero. E apaixonado por seu trabalho. Não senti isso em BENJAMIN BUTTON. Sem falar que é um filme com muitos problemas... alguns até apelativos. Katrina? Hello???

Marcelo, você acabou de me descrever. Não tenho argumentos. Sou isso aí mesmo. Fico feliz, no entanto, que você tenha gostado de um filme americano. Até que enfim, rapaz! Ah, como eu disse, além das passagens com a Cate Blanchett velha tipo TITANIC, O PACIENTE INGLÊS e outros vários, a maior apelação é mesmo a chegada do Katrina. É pra emocionar os americanos e fisgar a Academia.

Luis Felipe, tudo bem? Eu gosto muito do David Fincher, mas desta vez não deu pra mim. Meu problema (ou meu perfil) está no comentário acima do Marcelo (Poetrica).

Oi Pedro! Você só malhou e diz que o filme é bom? Hmm... Conta pra mim, vai... Gostou ou não? Eu acho que o filme tem vários problemas...

Oi Vinicius! Eu me encantei pela trama, pelo trailer, pelo conto. Quase chorei no trailer, é verdade. Mas precisei de café, pó de guaraná e Viagra durante o filme.

Olá, Ser valente que não revela o nome! Isso quer dizer que você sempre lê o Hollywoodiano, certo? Quer saber? Eu não sou apaixonado pelo cinema! Faço isso para explorar minha falta de personalidade! Como você, que entra aqui pra ler um blog que não te agrada. Eu só quero polemizar mesmo! Como o Geraldo, a Márcia Goldschmidt, a Adriane Galisteu e a Luciana Gimenez.

Ronald, respeito sua opinião! Mas eu sei o que significa "marginal". Só coloquei no termo... popular da palavra.

Abs!

 
At 11:14 AM, janeiro 22, 2009, Blogger Otavio Almeida said...

Oi Gustavo! Tudo bem? Como meu amigo Marcelo disse, eu sou Spielberguiano! E sei que você também é. Mas veja o filme, cara! Nem que seja para valorizar ainda mais Steven Spielberg!

Abs!

 
At 11:42 AM, janeiro 22, 2009, Blogger Pedro Henrique said...

Passa lá no nosso site que eu te conto!!!

 
At 12:29 PM, janeiro 22, 2009, Anonymous Denis Torres said...

Otávio, passei hoje de mãnha no banco e não havia depósito de cheque nenhum. Peço que retire o meu comentário pois não faço elogio de graça, rsrs. Abs.

 
At 1:32 PM, janeiro 22, 2009, Blogger Romeika said...

Otavio, o q adoro nos seus textos, eh q vc nao revela nem um tiquinho da historia e consegue resenhar filmes independentemente disso. Eh otimo pra quem ainda nao viu o filme e apenas busca uma opiniao. Bom, eu ainda nao vi "Benjamin Button", mas amo o trailer, q me provoca arrepios cada vez q o vejo. Concordo q o Brad Pitt nao eh um grande ator dramatico (o unico porem q tenho com relacao ao filme de antemao), e tb tinha pensando no Tim Burton dirigindo este projeto.

Concordo com a sua visao do que eh emocao no cinema, mas ainda assim sinto q amarei este filme.

Ah, e a Tilda nao eh feia, Otavio, q exagero.. Acho q ela tem um certo charme ^.^

 
At 2:28 PM, janeiro 22, 2009, Blogger Kau Oliveira said...

Otavio, discordo de tudo o que você disse acerca da frieza do escrito, mas devo confessar algo: as críticas que ouvi deste filme se fixam justamente nessa falta de amoção, mas até agora algumas pessoas não foram capazes de me explicar isso. Você, porém, veio pra salvá-los e me fez entender pq diabos não gostam muito do roteiro. Respeito, mas discordo.

Eu adoro Forest Gump mas, ao contrário de vc, ODEIO o Forest! Me irritava aquelas maluquices dele e, de fato, não torcia por ele hahahahaha. Concordando com o Cassiano, eu torci muito por Button. Torci para seu amadurecimanto pessoal e social o tempo todo. Chorei mais de uma vez durante o filme, tudo decorrente da grande carga EMOCIONAL que o filme despejou em mim. Mas te entendo... rs.

Brad vai bem, mas ele poderia ter o papel de sua vida aqui. Foi preguiçoso, confesso. Taraji, pra mim, é fofa e faz tudo direitinho, mas quem rouba a cena e Cate: MAGNÍFICA!

Enfim... ótimo texto! Abs!

 
At 3:09 PM, janeiro 22, 2009, Blogger Museu do Cinema said...

Otávio, obrigado pela parte q me toca, mas pode apostar que essa minha sensibilidade foi derivada do mestre Fincher, ele me inspirou!

Vc tenta usar clássicos, para menosprezar Benjamim, mas para mim é justamente o contrário, coloquei lá na minha resenha, que deve ter lido, que BB lembra os clássicos de hollywood dos anos 50 e 60, e entre no mesmo patamar deles, simplesmente por possuir o que vc não conseguiu enxergar, o amor ao projeto por todos os envolvidos.

Pelo que vi vc ficou magoado com o filme pelo furacão Katrina? Até agora a única crítica direta sua. Então se fosse o problema de SC seria normal?

Ali tem milhões de percepções implicitas. Vc já parou para pensar se a velha no hospital não estava delirando e inventou aquela história? Ou se a morte de todos, causado pelo furacão, não foi uma espécie de délirio entre mãe e filha? Lembra-se da ajudante que sai para ver o filho? Ela não foi colocada ali por nada! A certeza que fica é, vc precisa rever o filme, assim como eu!

 
At 3:13 PM, janeiro 22, 2009, Blogger Museu do Cinema said...

Ah, outra coisa, chorei pelo filme, mas chorei tb pelo Fincher ter realizado sua segunda obra-prima, dessa vez aos olhos de todos!

 
At 3:28 PM, janeiro 22, 2009, Blogger Otavio Almeida said...

Denis, olha de novo. Deve ter caído agora.

Obrigado, Romeika! É jogo sujo contar o filme, não? Falta de consideração. Aliás, acho que vc deve gostar de BENJAMIN BUTTON. Acho que és uma romântica, minha amiga. Eu que ando desiludido. Ah, eu tive vontade de chorar no trailer também. Só no trailer.

Kau, obrigado! Você entendeu minha opinião. E entendo a sua e respeito. Aliás, o que seria do azul se todos gostassem do vermelho, não?

Cassiano, Batmaníaco, não quero menosprezar o filme. Aqui no meu blog, no entanto, eu sou mesmo tendencioso, mas sempre aberto a discussões, como a nossa. Aliás, que eu saiba, quem menosprezou um filme entre a comunidade blogueira foi você. Pelo menos, você andou dizendo que nem viu O CAVALEIRO DAS TREVAS, não foi? Eu vi BENJAMIN BUTTON e tenho minha opinião sobre ele. Mas como vc pode criticar um filme sem vê-lo? Outra coisa, vc disse que minha única crítica direta foi ao Katrina... Estás menosprezando minha opinião ou apenas discutindo o filme comigo? Não entendi, desculpa.

 
At 12:07 AM, janeiro 25, 2009, Blogger Weiner said...

Otávio, eu adorei seu último parágrafo. eu poderia ter escrevido ele, sabia, tamanha a igualdade em nossos pontos de vista. Mas como a parte admirável do filme encheu meus olhos por algumas vezes, fui mais "manso" ao atribuir-lhe cotação.
Um abraço e bom domingo!
Ah, e só você mesmo para me arranjar a Isabela Boscovi para participar da votação da SBBC. Parabéns!

 
At 10:06 AM, janeiro 26, 2009, Anonymous Robson Santos Costa said...

Estou louco pra ver o filme mas não consegui ainda. Porém, só um comentário: vi semana passada "O assassinato de Jesse James...." e, putz....que filmaço, maravilhoso, vc realmente não gostou Otávio????? Vou até ressucitar meu blog com uma crítica sobre ele. E ver se vejo o Benjamin ainda essa semana....

 
At 9:11 PM, fevereiro 02, 2009, Blogger Flávia said...

Também não consegui gostar muito do filme. Não me emocionei, as três horas me cansaram, muitas partes me pareceram desnecessárias, principalmente essa coisa de que o Katrina estava chegando.

Sobre o comentário de que a velha poderia estar delirando: não é ela quem conta a história. A filha dela lê um diário que inclusive contém postais e etc, ou seja, não faz sentido que aquilo fosse um delírio.

Porém a fotografia, maquiagem e os efeitos (principalmente deles jovens) são impressionantes. Tecnicamente o filme é muito bom, mas em muitos outros aspectos me decepcionou bastante.

 

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