quinta-feira, fevereiro 26, 2009

Despedida para Paul Newman


Não sei quanto a outros cinéfilos, mas quando fecho meus olhos e penso no perfil ideal de astro, a primeira imagem que me vem a cabeça não é a de Tom Cruise, Brad Pitt ou Will Smith. Nem mesmo a do grande Harrison Ford, maior astro dos anos 80. Penso em Marlon Brando, Cary Grant, Humphrey Bogart, John Wayne, James Stewart, Charlton Heston e Paul Newman. Você, no entanto, talvez tenha conseguido ser o mais querido e, ao mesmo tempo, íntegro que Hollywood já viu. Com todo o respeito aos demais nomes, incluindo Cruise, Pitt e Smith.

Em setembro de 2008, você nos deixou. Seus olhos azuis se fecharam para sempre após uma luta incansável e desleal contra um câncer de pulmão. Também deixou sua bela mulher Joanne Woodward, com quem manteve um dos casamentos mais sólidos, respeitados e admirados em Hollywood, além de seis filhos e milhões de fãs. Cheguei até aqui e percebi que a vida teria sido muito triste e sem graça com a total ausência de ídolos. Ainda bem que tive os meus. Por isso, Paul Newman, esteja onde estiver, esse texto é para você.

É engraçado que muitos digam que seu último trabalho foi Estrada Para Perdição (2002), de Sam Mendes. Mas não esqueço sua voz em Carros (2006), quando dublou o velho Hudson Hornet da animação da Pixar. Sei que depois disso, você se aposentou, mas juro que eu ainda alimentava as esperanças de tantos outros cinéfilos, que acreditavam que o grande Paul Newman faria, pelo menos, mais uma dobradinha com seu amigo Robert Redford, parceiro de filmes inesquecíveis como Butch Cassidy (1969) e Golpe de Mestre (1973). Mas, enfim, Deus não quis assim.

Em 26 de janeiro de 1925, você nasceu em Ohio, nos EUA. Serviu na Marinha durante a Segunda Guerra Mundial como operador de rádio e, voltando para casa, estudou para ser ator em New Haven e Nova York. As primeiras demonstrações de seu talento foram vistas na Broadway. E embora você tenha estreado no cinema com O Cálice Sagrado (1954), seu debut como protagonista foi em Marcado Pela Sarjeta (1956), um belo filme do grande Robert Wise.

Além de ator e cineasta, você foi empresário e dono de uma linha de alimentos. Também foi piloto automobilístico - amava carros, corridas e velocidade. Foi indicado 10 vezes ao Oscar: Oito como Melhor Ator, por Gata em Teto de Zinco Quente (1958), Desafio a Corrupção (1961), O Indomado (1963), Rebeldia Indomável (1967), Ausência de Malícia (1981), O Veredicto (1982), A Cor do Dinheiro (1986) e O Indomável (1994); uma como Melhor Ator Coadjuvante, por Estrada Para Perdição (2002), e uma como produtor (Melhor Filme), por Rachel, Rachel (1968), sua estreia na direção. Não sei como isso foi possível, mas ganhou somente um único Oscar, como Melhor Ator, por A Cor do Dinheiro, em 1987. Na ocasião, repetiu um de seus maiores papéis, o de Eddie Felson, de Desafio a Corrupção.

Durante os anos, sua imagem de eterno jovem rebelde - aquele de O Indomado e Rebeldia Indomável -, aos poucos, ganhou a classe de um distinto cavaleiro. Na verdade, você sempre conservou uma elegância que insistia em ficar em segundo plano, mas que jamais enganou um olhar mais atento. E esses dois lados marcaram sua carreira para sempre.
Você trabalhou com diretores do calibre de Martin Scorsese, George Roy Hill, Alfred Hitchcock, Robert Wise, Robert Rossen, Otto Preminger, Martin Ritt, Stuart Rosenberg, Robert Altman, Sydney Pollack, Robert Benton, Sidney Lumet e Sam Mendes. Serviu de inspiração para astros da atualidade como George Clooney, Tom Cruise, Brad Pitt, Tom Hanks e tantos outros. Deixou saudades e cerca de 70 filmes para a eternidade.

Quando você se foi em setembro do ano passado, eu não fui capaz de dizer coisa alguma. Agora, com lágrimas nos olhos, muita tristeza, mas com a certeza de que aprendi muito com sua obra, despeço-me dizendo que jamais haverá um astro como você.


Descanse em paz...




Obs: Até 31 de março, HOLLYWOODIANO homenageia o ator/astro comentando seus melhores filmes no ESPECIAL PAUL NEWMAN.

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

O retorno de Arrested Development


Justiça seja feita: Arrested Development, uma das melhores séries cômicas da TV vai ganhar uma nova chance. No ar entre 2003 e 2006, o programa teve ótimas críticas, recebeu prêmios, mas foi ignorado pela maioria do público americano, o que basta para explicar sua vida curta na telinha. Agora, a família Bluth volta para sua vingança, além de um final decente (ou seria um recomeço?), mas bem longe da TV, pois ninguém menos que o atarefado Ron Howard começa a dirigir a versão para o cinema ainda neste ano.

Depois das season finales de Seinfeld (1990-1998) e Friends (1994-2004), Arrested Development foi o melhor representante da comédia na TV antes da chegada das atuais My Name is Earl, The Office, The Big Bang Theory e 30 Rock. Sem falar que é o mais nonsense dessa lista, mas feito com muito cuidado e extrema inteligência. E ao contrário de todas essas, Arrested Development não se desgastou. Parou no auge, embora sem um final digno.

A série só não me matou de rir porque eu queria ver o episódio da semana seguinte. Acho todo o elenco sensacional, passando por Jason Bateman, Michael Cera, Jeffrey Tambor, incluindo os menos badalados Will Arnett, Portia de Rossi e o fantástico David Cross. Criada por Mitchell Hurwitz, Arrested Development teve apoio direto da dupla de ouro Ron Howard/Brian Grazer, respectivamente diretor e produtor de sucessos de crítica e público como Cocoon, Uma Mente Brilhante, Apollo 13, O Código da Vinci e Frost/Nixon. Mas nem isso fez o grande público abraçar o humor incomum da série. Howard, inclusive, era o divertido e irônico narrador dos episódios.

Filmado com câmera na mão, Arrested Development contava as tentativas de Jason Bateman, ou melhor, Michael Bluth, em limpar as sujeiras feitas por sua família insana e faminta por dinheiro, após a conta bancária do clã ter alcançado o fundo do poço. Além de Bateman, que precisou continuar trabalhando após o cancelamento da série, outro nome do elenco ganhou fama no cinema durantes os últimos anos. Falo do menino prodígio Michael Cera, que atuou com Bateman em Juno. Cera também foi um dos garotos de Superbad e será visto neste ano ao lado de Jack Black em The Year One.

Responsável por Pequena Miss Sunshine, Juno e Quem Quer Ser um Milionário?, a Fox Searchlight, divisão independente da Fox, assume a produção prevista para estrear em 2010. Espero mesmo que o projeto dê certo, pois acho que obras de qualidade merecem, no mínimo, respeito. E Arrested Development não o teve. Mesmo com célebres momentos como a "dança da galinha". Não há nada mais retardado do que isso. Veja abaixo.



segunda-feira, fevereiro 23, 2009

Tamanho não é documento


Quem Quer Ser um Milionário?
pode ser um filme pequeno, modesto, em relação a O Curioso Caso de Benjamin Button, Frost/Nixon e Milk. Mas saiu como vencedor das principais premiações com o tamanho de seu coração representando, de fato, a grande produção do cinema
que é. Ontem, foi a vez da Academia passar a régua na temporada 2008, dando nada menos do que oito Oscars para o cachorro magro. OITO! Exagero? Bom, é um número que geralmente marca produções épicas, grandiosas, mas em um ano de crise econômica, oito Oscars vêm bem a calhar para mostrar que com menos pode se fazer mais (e melhor).

Não deixa de ser um recado e tanto para a própria Hollywood. Filme, direção (Danny Boyle), roteiro adaptado, montagem, fotografia e trilha sonora, pelo menos, foram merecidíssimos. Canção pra
Jai ho? Hmm... Eu prefiro Down to Earth, de Peter Gabriel. Mixagem de som? Brincadeira, hein! Ainda mais concorrendo com filmes como O Cavaleiro das Trevas, WALL-E e O Procurado. Estamos falando de som, certo? Você viu esses filmes em um bom cinema? Ou em casa com home theater? Pois é.


Agora, comentando a festa, confesso que achei Hugh Jackman o melhor apresentador desde que vejo o Oscar. Mas foi impressão minha ou ele apareceu bem menos que os ex-hosts Jon Stewart, Steve Martin, Billy Crystal, etc? Até os números musicais ficaram legais, na medida certa. A apresentação dos cinco filmes indicados ao prêmio máximo como se ninguém tivesse muito dinheiro pra festa pareceu teatrinho de escola, mas ficou engraçado, com um empolgadíssimo Wolverine comandando o espetáculo.

Achei ótimo ver os indicados pertinho do palco. Deu uma sensação de que "Ninguém é melhor que ninguém. Isso é uma festa". Também gostei muito de ver antigos vencedores do Oscar entregando as estatuetas para os atores. Demorado, mas foi emocionante. Tirando um ou outro nome como o escandaloso Cuba Gooding Jr. retornando dos mortos, achei bacana adivinhar quem seriam os próximos ex-oscarizados que apareceriam no palco.

Kate Winslet, enfim, levou mesmo a tão esperada estatueta de Melhor Atriz, e das mãos de Sophia Loren, Marion Cottilard, Halle Berry e Nicole Kidman. Emocionada, Kate agradeceu até a Peter Jackson, seu diretor em Almas Gêmeas, mas não lembro de ter ouvido o nome de James Cameron.


Sean Penn confirmou o prestígio da categoria de Melhor Ator, que é a aquela que os votantes mais levam a sério. Repare no histórico e entenda a minha impressão. Mickey Rourke? Magnífico! Um retorno extraordinário, mas Sean Penn é mais ator. Sorry. Aliás, Penn fez questão de homenagear Rourke, chamando-o de "um ator corajoso". Seu discurso foi o mais legal da noite. O Melhor Ator, por Milk, disse que a Academia realmente gosta de homossexuais (ótimo), elogiou o país por ter colocado o "elegante" Barack Obama na Casa Branca e tremeu na hora de ler o papelzinho com os agradecimentos. Sean Penn é um monstro, mas também é de carne e osso.

Merecidamente, Penélope Cruz ganhou o Oscar de
Atriz Coadjuvante, por Vicky Cristina Barcelona, das mãos de Eva Marie Saint, Anjelica Huston, Goldie Hawn, Whoopi Goldberg e Tilda Swinton. Pai, mãe e irmã de Heath Ledger subiram ao palco para aceitar o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante, por Batman - O Cavaleiro das Trevas. O trio prometeu guardar a estatueta para a filhinha de Ledger, Matilda, que tem apenas três anos. Na platéia, lágrimas nos olhos de vários colegas.


No mais, O Curioso Caso de Benjamin Button conquistou Oscars técnicos e merecidos: Direção de Arte, Maquiagem e Efeitos Visuais. Questão de gosto, mas eu preferia O Cavaleiro das Trevas nessas três categorias. De qualquer forma, merecido. Só não engoli a insistência da Academia em dar prêmio de Melhor Figurino não exatamente para filmes de época, mas para produções sobre... "Realeza". E A Duquesa roubou essa estatueta que pertencia a Benjamin Button.

Também não gostei de um único Oscar para WALL-E, o de Animação. Até fiquei com a impressão do diretor Andrew Stanton recebendo sua estatueta com cara de poucos amigos, pois WALL-E merecia estar entre os indicados a Melhor Filme. Em tempo: Stanton já havia ganho na mesma categoria por Procurando Nemo.

Gostei da perfomance musical de Queen Latifah na parte tradicional da festa que homenageia os talentos que nos deixaram durante o ano. O vídeo terminou com uma ode a Paul Newman. Aproveito para dizer que farei um especial em breve sobre o ator. Na época de sua morte, apenas registrei meu luto. Não fui capaz de dizer mais do que aquilo, mas Newman não foi esquecido pelo blog. Aguardem.

No fim, Steven Spielberg, para variar, entregou o prêmio de Melhor Filme, coroando Slumdog Millionaire. Seria um recado? Spielberg simbolizando Hollywood se unindo a Bollywood? Interessante, não? Neste Oscar em toda a temporada de prêmios, Quem Quer Ser um Milionário?, time pequeno, jogou como time grande. No encerramento do campeonato, deu uma goleada na forte concorrência.

domingo, fevereiro 22, 2009

D: It is written


Oscar na TNT, Carnaval na Globo. Enfim, com que roupa eu vou pro samba que você me convidou? Desculpe-me, querida, mas minha resposta é óbvia.

Porém, as duas festas não devem ser tão óbvias assim. Será que os jogadores do Flamengo terão a cara de pau de desfilar na Sapucaí após tomarem umas belas agulhadas negras do Resende? Será que a Beija-Flor está para o carnaval carioca assim como o São Paulo está para o campeonato brasileiro? Será que a Luma de Oliveira ainda é tudo isso?

No caso do Oscar, já que O Cavaleiro das Trevas e WALL-E ficaram de fora dos prêmios principais e a audiência da festa over da Academia despenca ano após ano, talvez uma das saídas seja... surpreender. Se Deus quiser, não com números musicais bregas, mas talvez com inesperados dribles em previsões, apostas e prévias como Globo de Ouro e outros aperitivos. Será que a The Weinstein Company, dos irmãos Bob e Harvey Weinstein, ex-Miramax papa-Oscar, vira o jogo para O Leitor? Não brinquem com esses caras, porque eles levaram Shakespeare Apaixonado a uma vitória absurda contra O Resgate do Soldado Ryan. Será que a recordista de indicações Meryl Streep ou a "novata" Anne Hathaway estragam a festa de Kate Winslet? Será que O Curioso Caso de Benjamin Button dá uma banana para as associações e sindicatos que premiaram Quem Quer Ser um Milionário? e leva o Oscar? Será que a Academia mudará de idéia e premiará Milk para compensar o Crash em Brokeback Mountain? E aí? Mickey Rourke ou Sean Penn, Hollywoodianos? Vocês me dizem... E eu também, pois
seguem meus palpites e favoritos nas principais categorias:


MELHOR ATOR COADJUVANTE

Quem deve ganhar: Heath Ledger, Batman - O Cavaleiro das Trevas

Quem deveria ganhar: Heath Ledger, Batman - O Cavaleiro das Trevas

- Já disse a alguns amigos que essa é a única categoria que não posso perder de jeito nenhum. O resto não importa. E até hoje, somente Peter Finch, Melhor Ator, por Rede de Intrigas, de 1976, ganhou um Oscar póstumo.

MELHOR ATRIZ

Quem deve ganhar: Kate Winslet, O Leitor

Quem deveria ganhar: Anne Hathaway, O Casamento de Rachel

- Kate Winslet está mais impressionante em Foi Apenas um Sonho, pelo qual não foi indicada. Acho que Anne Hathaway, fantástica em O Casamento de Rachel, ainda terá outra chances. Mas julgando friamente as atuações de Kate e Anne, prefiro a Agente 99. Porém, reforço: Se estivesse indicada por Foi Apenas um Sonho, Kate seria imbatível em minha torcida.

MELHOR ATOR

Quem deve ganhar: Mickey Rourke, O Lutador

Quem deveria ganhar: Sean Penn, Milk

- Como disseram as meninas do Saia Justa, Penn, em Milk, é a arte pela arte. Rourke, em O Lutador, é a arte pela vida.

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Quem deve ganhar: Penélope Cruz, Vicky Cristina Barcelona

Quem deveria ganhar: Penélope Cruz, Vicky Cristina Barcelona

- Ela está maravilhosa no filme de Woody Allen. Em todos os sentidos.

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

Quem deve ganhar: Milk

Quem deveria ganhar: WALL-E

- O que é um bom roteiro? É uma bela história? São diálogos espertos e memoráveis? Ou a junção de tudo isso? Desta vez, eu fico com a história de WALL-E, porque foi a trama mais fantástica e criativa saída de uma idéia original em 2008. E com pouquíssimos diálogos após uma primeira hora praticamente muda. Na época de Chaplin, os filmes também saiam de roteiros. Ou você não sabia disso?

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

Quem deve ganhar: Quem Quer Ser um Milionário?

Quem deveria ganhar: Quem Quer Ser um Milionário?
- Pelos mesmos motivos de WALL-E. Faltam grandes histórias no cinema atual. Sobram filmes com diálogos "inteligentes", o que também é bem-vindo. Mas acho que precisamos de mais roteiros como WALL-E e Quem Quer Ser um Milionário?

MELHOR DIRETOR

Quem deve ganhar: Danny Boyle, Quem Quer Ser um Milionário?

Quem deveria ganhar: Danny Boyle, Quem Quer Ser um Milionário?



- Porque Boyle trabalha e compreende o cinema sem fronteiras, e por ser a direção mais vibrante do ano.

MELHOR FILME

Quem deve ganhar: Quem Quer Ser um Milionário?


Quem deveria ganhar: Quem Quer Ser um Milionário?

- Além de mostrar que o bom cinema não está só em Hollywood, Slumdog é simplesmente o melhor entre os indicados.

Os melhores filmes exibidos no Brasil em 2008



Agora, os 10 mais exibidos pelos cinemas brasileiros no ano passado:


1) Sangue Negro, de Paul Thomas Anderson

2) Batman - O Cavaleiro das Trevas, de Christopher Nolan

3) WALL-E, de Andrew Stanton

4) Na Natureza Selvagem, de Sean Penn

5) Queime Depois de Ler, de Joel Coen & Ethan Coen

6) Senhores do Crime, de David Cronenberg

7) Juno, de Jason Reitman

8) Desejo e Reparação, de Joe Wright

9) Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto, de Sidney Lumet

10) O Nevoeiro, de Frank Darabont




Para acompanhar os favoritos do HOLLYWOODIANO em cartaz nos cinemas do país, em 2009, dê uma olhada na barra lateral direita do blog, no item Filmes do Ano. A lista está em ordem de preferência.

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

Hollywoodiano Awards 2008













































Reveja as edições de 2006 e 2007

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

Por que todo mundo gosta de Slumdog Millionaire?


Quando Barack Obama ganhou as eleições americanas, nós comentamos aqui no HOLLYWOODIANO sobre o cenário cinematográfico da Era Bush e a provável mudança de tom para o governo do novo presidente dos EUA. Naquele post (leia aqui), defendi a tese de que a indústria costuma se ajustar ao gosto do público de cada época. Com Obama no poder, a tendência é que o consumidor dos produtos hollywoodianos procure por filmes que exaltem o espírito humano, romances exacerbados, épicos grandiosos e dramas que reforcem a importância da família na vida de cada um de nós. Sabe? Feel-Good Movies. Dentro deste novo padrão, o favorito ao Oscar deste domingo, Quem Quer Ser um Milionário?, é o primeiro exemplar dessa remessa.

O filme é uma injeção de ânimo e esperança, após a tempestade de Bush. The Obama Way. É o que muita gente precisa ver nestes tempos tão cínicos. Nas últimas edições do Oscar, acho que a Academia abraçou o desânimo e o descontentamento geral da Era Bush e premiou os pessimistas Os Infiltrados e Onde os Fracos Não Têm Vez. Acho que ambos teriam derrotado Quem Quer Ser um Milionário?, que veio no momento certo.

Mas é injusto resumir o "cachorro favelado milionário" ao típico filme certo na hora certa. Comentei tudo isso por causa da batelada de prêmios que anda levando e as palmas ao término das sessões nos cinemas americanos. Justo é dizer que esse é o melhor filme de Danny Boyle. David Fincher, de O Curioso Caso de Benjamin Button? Hmm... Vocês querem me matar, mas acho que ele já fez melhor. E ainda vai se superar. Tenho certeza disso. Gus Van Sant, de Milk? Eu acho o seu melhor filme, mas nunca fui grande fã de seu trabalho. Porém, sei que muitos admiram Van Sant, ainda mais, por seus antigos filmes, como Drugstore Cowboy, por exemplo. Ron Howard, por Frost/Nixon? Caramba, não sei ainda dizer se é o melhor filme dele. Posso afirmar que é o mais maduro de sua carreira, sem dúvida. E, finalmente, chegamos a Stephen Daldry, indicado pela terceira vez por seu terceiro filme. Por mais que tenha qualidades, O Leitor é o seu longa mais fraco. Gente, por favor, o cara fez Billy Elliot e As Horas, então...

Bom, acho que é a vez de Danny Boyle, que resgatou seu estilo frenético de Cova Rasa e Trainspotting, mas o fez com mais responsabilidade e conhecimento da linguagem cinematográfica. Não agiu como um jovem doidão, embora os primeiros filmes dos grandes diretores sejam, geralmente, os melhores (depois falamos sobre isso). Acho que Boyle atingiu o auge e comprovou seu talento a um mundo que não estava preparado para sua visão até alguns anos atrás. Quem Quer Ser um Milionário? é o seu melhor filme. Será difícil superá-lo. Quanto a Fincher, Van Sant, Daldry e Howard, eles já fizeram melhor ou têm tudo para chegar ao auge o mais rápido possível.

Pode ser que, em 20 anos, Quem Quer Ser um Milionário? não tenha a admiração de O Curioso Caso de Benjamin Button, Milk ou Frost/Nixon entre os cinéfilos. Mas, não adianta negar, esse é o momento do filme de Danny Boyle. É por isso que ele vai ganhar os principais Oscars. Pelo menos, aposto nele. Sem falar que é um belíssimo filme. Para mim, o melhor dos cinco.

Jai Ho pra vocês!

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Frost/Nixon


Ron Howard é um dos nomes mais queridos de Hollywood. Já trabalhava como ator quando usava fraldas. Cresceu no cinema - em filmes famosos como Loucuras de Verão, de George Lucas -, e principalmente na TV, onde marcou época no programa The Andy Griffith Show e na série Happy Days, além de ilustres participações em outros shows como Daniel Boone, Lassie, Bonanza, M.A.S.H. e Terra de Gigantes. Mas foi como diretor que Ron Howard conquistaria seu espaço definitivo. Nesta nova função, soube como poucos agradar público e estúdios alternando produções 100% comerciais, como Splash - Uma Sereia em Minha Vida (1984), Cocoon (1985), Willow - Na Terra da Magia (1989), O Grinch (2000), O Código Da Vinci (2006), e obras 50% sérias/50% divertidas, como O Jornal (1994), Apollo 13 (1995), e Uma Mente Brilhante (2001), que lhe rendeu os Oscars de Filme e Direção.

O padrão ideal de cineasta para a indústria, no entanto, dificilmente toparia fazer algo tão "adulto" como Frost/Nixon (2008). E não é que Ron Howard provou, mais uma vez, que sabe o que faz? Este é, de longe, seu trabalho mais maduro. Mas, curiosamente, jamais deixa de ser um típico filme de Ron Howard. Para o bem ou para o mal. Alguns detratores podem dizer que a famosa entrevista dada pelo ex-presidente americano Richard Nixon (Frank Langella, estupendo) ao apresentador de TV britânico David Frost (Michael Sheen, transbordando carisma) é somente mais uma desculpa para o diretor usar e abusar do tema da "volta por cima" ou "do desastre ao triunfo", como dizia o subtítulo nacional infame de Apollo 13. Nada mais americano, certo? Mas outros defenderão, como eu, e dirão que Frost/Nixon, além de ser tudo isso, também é o filme popularmente chamado de "parado" mais ágil e empolgante da história do cinema.

Só que para ver Frost/Nixon desta forma é preciso reconhecer o talento de Ron Howard como diretor contador de histórias. E saber o que ele já fez pelo cinema. Ele é a prova de que um filme pode ser exemplo de "arte", mas também pode ser "comercial". Para começar, analise a trama de Frost/Nixon, assinada por Peter Morgan (A Rainha, O Último Rei da Escócia), baseada numa peça premiada de sua própria autoria e estrelada pelos mesmos Michael Sheen e Frank Langella. Na abertura, relembramos por imagens de arquivo como Richard Nixon renunciou ao cargo de presidente dos EUA. Depois disso, somos apresentados aos opostos Frost e Nixon. Exilado em um programa de TV na Austrália, o inglês bonzinho anda meio por baixo e vê a tentativa de entrevistar o ex-presidente ianque como a oportunidade perfeita de dar a volta por cima. Além disso, defende que essa pode ser a grande chance para o vilão admitir sua culpa no escândalo do Watergate e pedir desculpas ao povo americano. Nixon, por sua vez, só aceita dar a entrevista em troca de uma boa grana e por considerar Frost um adversário de segunda categoria. Mais tarde, vemos a preparação para a entrevista e, finalmente, Frost e Nixon se enfrentando em vários rounds. Pelo roteiro, seria o filme ideal para ser aproveitado por professores de história em sua aulas ou uma trama para ser contada apenas no teatro. Mas Ron Howard jamais esquece a linguagem cinematográfica e seu público, afinal isso não é um documentário. Muito menos uma peça filmada.

E eu disse rounds porque a entrevista de Richard Nixon a David Frost parece uma luta feroz de boxe. Adoro quando a câmera para de rodar e vemos Nixon sendo assessorado por seu lacaio Jack Brennan (Kevin Bacon), assim como Frost por sua equipe formada por James Reston Jr. (Sam Rockwell), Bob Zelnick (Oliver Platt) e John Birt (Matthew Macfadyen). Parecem lutadores profissionais exaustos, suados e feridos nos cantos opostos do ringue, sendo aconselhados por seus treinadores antes de retornarem ao centro da lona para mais um round.

Dobrar o astuto Richard Nixon não será nada fácil para o tranqüilo David Frost, que não faria mal a uma mosca. Sua equipe não agüenta ver o chefe bonzinho sendo destroçado no ringue pelo adversário sem oferecer qualquer resistência e ameaça abandoná-lo em sua humilhação. Mas há uma cena chave, que envolve um telefonema de Richard Nixon a David Frost na calada da noite. É uma cena que revela a admiração antes implícita do abandonado Nixon pelo carismático e celebrado Frost. É uma cena que demonstra o grau de comprometimento e monstruosidade dos atores Frank Langella e Michael Sheen. É uma cena que define os minutos finais de Frost/Nixon e que mostra a força do diretor Ron Howard na hora de seduzir seu público. Mesmo em um filme tão sério.

Gosto de pensar, inclusive, que Ron Howard e Peter Morgan levaram Frost/Nixon ao cinema para quebrar mitos e revelar seres humanos de carne e osso. Após a renúncia, Nixon foi perdoado pelo presidente seguinte, Gerald Ford. Com isso, o crápula não teve o julgamento que deveria ter enfrentado. A entrevista para David Frost veio para reparar tal erro. E ela ganha os cinemas, uma mídia de alcance gigantesco, também para relembrar os anos infernais governados por George W. Bush. Pois então imagine o antecessor de Barack Obama no lugar do personagem de Frank Langella encarando Michael Sheen. Assim, vejo Frost/Nixon como um filme sobre símbolos, máscaras e metáforas desconstruídas por palavras e atitudes diretas.

Fique atento em como Nixon julga seu oponente pelo sapato que ele usa. O sapato é um símbolo que define a admiração entre os opostos Frost/Nixon. Mostra como o filme engana pela aparência e como devia ser visto e revisto por diversos públicos. Seja por estudantes de jornalismo - está entre os melhores do "gênero" ao lado de A Montanha dos Sete Abutres (1951), de Billy Wilder, Todos os Homens do Presidente (1976), de Alan J. Pakula, O Informante (1999), de Michael Mann, e Boa Noite e Boa Sorte (2005), de George Clooney -, ou por professores e alunos de todas as matérias e idades que buscam o conhecimento e a verdade, assim como cinéfilos, que buscam todos os tipos de cinema. Seja o de arte ou seja o de entretenimento. Poucos sabem fazer um espetáculo deste porte. E Ron Howard é um deles.

Frost/Nixon (Frost/Nixon, 2008)
Direção: Ron Howard
Roteiro: Peter Morgan (Baseado em sua própria peça)
Elenco: Michael Sheen, Frank Langella, Sam Rockwell, Oliver Platt, Kevin Bacon,
Matthew Macfadyen e Rebecca Hall

terça-feira, fevereiro 17, 2009

Kate Winslet, Sodoma e Gomorra


A inglesa Kate Winslet foi indicada seis vezes ao Oscar. Quatro como Melhor Atriz (Titanic, Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças, Pecados Íntimos, O Leitor) e duas como Melhor Atriz Coadjuvante (Razão e Sensibilidade, Íris). Ainda jovem, Kate pavimenta uma carreira fenomenal em popularidade, respeito, referência, prêmios e indicações. Como se não bastasse, embora muitos discordem, ela é "simpaticamente" bonita e... sexy. Mesmo que seu perfil esteja bem longe do ideal de mulher na Hollywood de hoje.

Mas parece que a Academia tem um certo tesão ainda não assumido por Kate Winslet. Explico: Por mais que sua personagem em O Leitor preencha quase todos os requisitos que agradam aos votantes do Oscar - e ela está ótima no filme de Stephen Daldry -, acho que Kate está ainda mais impressionante em Foi Apenas um Sonho, de Sam Mendes, onde ela vive uma mulher comum. Não uma judia, não uma nazista, não uma doente terminal, não uma Rain Girl. Enfim, acho seu trabalho no filme do maridão ainda mais complicado e digno de reconhecimento.

Qual será a diferença da Kate Winslet de O Leitor para a Kate Winslet de Foi Apenas um Sonho? Somente o toque na ferida do Holocausto, que faz a Academia remoer o passado? Prefiro acreditar que admiram a atriz por sua total falta de timidez. Pode ser que eles gostem de Kate Winslet peladona e pronta para o olhar amoroso dos pobres mortais que ficam do lado de cá da tela. Ela aparece várias vezes como veio ao mundo em O Leitor, mas não em Foi Apenas um Sonho. Nem mesmo a grande Cate Blanchett tira tanto a roupa quanto Kate Winslet. Exceto por Contos Proibidos do Marquês de Sade, que a Academia não gostou, Kate foi indicada ao Oscar por todos (ou quase todos) os outros papéis em que ficou nua na tela. Até em Titanic, o filme mais popular da conservadora Hollywood. E não é só isso. Se Kate tira a roupa, isso é sinal que lá vem ela em cenas de sexo. Só pode ser: A Academia sente tesão por Kate Winslet.

Na verdade, é difícil dizer quem é a melhor atriz da atualidade. Mas cito três mulheres extraordinárias: Meryl Streep, Cate Blanchett e, claro, Kate Winslet. Pelo menos, acho justo separar as gerações. Aos 59 anos, Meryl é monstra absoluta e referência para as jovens (e aspirantes a) atrizes. Já Cate Blanchett entrará na casa dos 40 em maio e Kate Winslet está com 32. Apesar da pequena diferença, acho que podemos colocar Cate e.. err... Kate no mesmo patamar. Frente a frente para escolhermos a nossa preferida. Indicada ao Oscar de Melhor Atriz, por O Leitor, Kate chegou num ponto em que não precisa de uma estatueta dourada para ser reconhecida. Só que ela jamais havia entrado na corrida pelo Oscar como favorita. E o hype é tão grande que sua presença ofuscou Cate Blanchett, que nem sequer está entre as 13 indicações de O Curioso Caso de Benjamin Button.

É claro que o assunto "pelado, pelado, nu com a mão no bolso" é apenas uma curiosidade, mas Kate Winslet é a atriz jovem mais corajosa do momento. Com roupa ou sem sutiã e calcinha, ela está sempre bem. Até em O Amor Não Tira Férias, onde se divertiu ao lado de Jack Black. Kate não fica nua na comédia romântica de Nancy Meyers, mas dá um show assim mesmo.

Neste domingo, ela disputa o Oscar com Anne Hathaway (O Casamento de Rachel), Angelina Jolie (A Troca), Melissa Leo (Rio Congelado), e Meryl Streep (Dúvida). O problema de todos esses filmes é que nenhum deles tem Kate Winslet. Com ou sem roupa.

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

Indicados ao Hollywoodiano Awards 2008



Filme do Ano

BATMAN - O CAVALEIRO DAS TREVAS / Christopher Nolan, Charles Roven & Emma Thomas (Produtores)
O LUTADOR / Darren Aronofsky, Scott Franklin & Mark Heyman (Produtores)
MILK - A VOZ DA IGUALDADE / Dan Jinks & Bruce Cohen (Produtores)

QUEM QUER SER UM MILIONÁRIO? / Christian Colson (Produtor)
WALL-E / Jim Morris & Lindsey Collins (Produtores)

Direção do Ano

CHRISTOPHER NOLAN / Batman - O Cavaleiro das Trevas
RON HOWARD / Frost/Nixon
DARREN ARONOFSKY / O Lutador
GUS VAN SANT / Milk - A Voz da Igualdade
DANNY BOYLE / Quem Quer Ser um Milionário?

Ator do Ano

FRANK LANGELLA / Frost/Nixon
MICHAEL SHEEN / Frost/Nixon
CLINT EASTWOOD / Gran Torino
MICKEY ROURKE / O Lutador
SEAN PENN / Milk - A Voz da Igualdade

Atriz do Ano

ANNE HATHAWAY / O Casamento de Rachel
KATE WINSLET / Foi Apenas um Sonho
KATE WINSLET / O Leitor
SALLY HAWKINS / Simplesmente Feliz
ANGELINA JOLIE / A Troca

Ator Coadjuvante do Ano

AARON ECKHART / Batman - O Cavaleiro das Trevas
HEATH LEDGER / Batman - O Cavaleiro das Trevas
EMILE HIRSCH / Milk - A Voz da Igualdade
BRAD PITT / Queime Depois de Ler
ROBERT DOWNEY JR. / Trovão Tropical

Atriz Coadjuvante do Ano

ROSEMARIE DeWITT / O Casamento de Rachel
TARAJI P. HENSON / O Curioso Caso de Benjamin Button
MARISA TOMEI / O Lutador
FRANCES McDORMAND / Queime Depois de Ler
PENÉLOPE CRUZ / Vicky Cristina Barcelona

Roteiro Original do Ano

GRAN TORINO / Nick Schenk
O LUTADOR / Robert D. Siegel
MILK - A VOZ DA IGUALDADE / Dustin Lance Black
QUEIME DEPOIS DE LER / Joel Coen & Ethan Coen
WALL-E / Andrew Stanton, Pete Docter & Jim Reardon

Roteiro Adaptado do Ano

BATMAN - O CAVALEIRO DAS TREVAS / Christopher Nolan & Jonathan Nolan
FOI APENAS UM SONHO / Justin Haythe

FROST/NIXON / Peter Morgan
HOMEM DE FERRO / Mark Fergus, Hawk Ostby, Art Marcum & Matt Holloway
QUEM QUER SER UM MILIONÁRIO? / Simon Beaufoy

Elenco do Ano

BATMAN - O CAVALEIRO DAS TREVAS
FROST/NIXON
MILK - A VOZ DA IGUALDADE
QUEIME DEPOIS DE LER
QUEM QUER SER UM MILIONÁRIO?

Trilha Sonora do Ano

BATMAN - O CAVALEIRO DAS TREVAS / Hans Zimmer & James Newton Howard
O LUTADOR / Clint Mansell
QUEIME DEPOIS DE LER / Carter Burwell

QUEM QUER SER UM MILIONÁRIO? / A.R. Rahman
WALL-E / Thomas Newman

Canção do Ano

GRAN TORINO /
Clint Eastwood (Gran Torino)
THE WRESTLER / Bruce Springsteen (O Lutador)
DOWN TO EARTH / Peter Gabriel (WALL-E)

Fotografia do Ano

BATMAN - O CAVALEIRO DAS TREVAS / Wally Pfister
O CURIOSO CASO DE BENJAMIN BUTTON / Claudio Miranda
FOI APENAS UM SONHO / Roger Deakins
QUEM QUER SER UM MILIONÁRIO? / Anthony Dod Mantle
A TROCA / Tom Stern

Montagem do Ano


BATMAN - O CAVALEIRO DAS TREVAS / Lee Smith
FROST/NIXON / Mike Hill & Dan P. Hanley
HOMEM DE FERRO / Dan Lebental
O PROCURADO / David Brenner

QUEM QUER SER UM MILIONÁRIO? / Chris Dickens

Direção de Arte do Ano

BATMAN - O CAVALEIRO DAS TREVAS / Nathan Crowley & Peter Lando
O CURIOSO CASO DE BENJAMIN BUTTON / Donald Graham Burt & Victor J. Zolfo
HELLBOY II - O EXÉRCITO DOURADO / Stephen Scott, Peter Francis, Elli Griff & Zsuzsa Mihalek
INDIANA JONES E O REINO DA CAVEIRA DE CRISTAL / Guy Dyas
A TROCA / James J. Murakami & Gary Fettis

Figurino do Ano


O CURIOSO CASO DE BENJAMIN BUTTON / Jacqueline West
FOI APENAS UM SONHO / Albert Wolsky
HOMEM DE FERRO / Laura Jean Shannon & Rebecca Bentjen
MILK - A VOZ DA IGUALDADE / Danny Glicker
A TROCA / Deborah Hopper

Maquiagem do Ano

BATMAN - O CAVALEIRO DAS TREVAS / John Caglione Jr. & Conor O' Sullivan
O CURIOSO CASO DE BENJAMIN BUTTON / Greg Cannom
HELLBOY II - O EXÉRCITO DOURADO / Mike Elizalde & Thomas Floutz

Efeitos Visuais do Ano

BATMAN - O CAVALEIRO DAS TREVAS / Nick Davis, Chris Corbould, Timothy Webber & Paul J. Franklin
AS CRÔNICAS DE NÁRNIA - PRÍNCIPE CASPIAN / Jaroslav Bucek, Gerd Feuchter, Brandon Durey, Jason Durey, Christoph Gartlacher & Oliver Gee
O CURIOSO CASO DE BENJAMIN BUTTON / Eric Barba, Steve Preeg, Burt Dalton & Craig Barron
HOMEM DE FERRO / John Nelson, Ben Snow, Daniel Sudick & Shane Mahan
INDIANA JONES E O REINO DA CAVEIRA DE CRISTAL / Pablo Helman


Efeitos Sonoros do Ano

BATMAN - O CAVALEIRO DAS TREVAS / Lora Hirschberg, Gary Rizzo, Ed Novick & Richard King
HOMEM DE FERRO / Frank E. Eulner & Christopher Boyes
INDIANA JONES E O REINO DA CAVEIRA DE CRISTAL / Ben Burtt
O PROCURADO / Chris Jenkins, Frank A. Montaño & Petr Forejt
WALL-E / Ben Burtt, Matthew Wood, Tom Myers & Michael Semanick



Obs: Os favoritos do blog em cada categoria, assim como as escolhas de revelação do ano como ator, atriz e diretor, além do vencedor em animação (óbvio) serão conhecidos na próxima sexta-feira, dia 20 de fevereiro.

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

Habemus Jason

Chi chi chi, ha ha ha...


A garotada que gosta de Jogos Mortais e O Albergue tem a chance de conhecer, a partir de hoje, o grande Jason Vorhees, o mais elegante e educado entre os assassinos mascarados do cinema. Já os fãs da cinessérie Sexta-Feira 13 que viveram os anos 80, ficam de olho na nova versão preparada pelo diretor picareta Marcus Nispel, do patético remake de O Massacre da Serra Elétrica (2003), e o produtor Michael Bay, o gênio da destruição.

Tudo começou em 1980, quando Hollywood tentou aproveitar o sucesso de Halloween (1978), de John Carpenter, que apresentou um assassino mascarado demente matando tudo o que via pela frente. Seu nome era Michael Myers. Não o ator homônimo de Quanto Mais Idiota Melhor (1992) e Austin Powers (1997), claro. Bom, mas o primeiro rival à altura de Myers foi Jason Vorhees, de Sexta-Feira 13, que teve 10 filmes e um crossover com outro assassino bacana: Freddy Krueger.

Mas o primeiro Sexta-Feira 13 (1980), dirigido por Sean S. Cunningham, trazia não Jason como o matador de adolescentes fornicadores e pecadores em Crystal Lake. Quem desceu o facão na galera foi a Mamãe Vorhees (Betsy Palmer), que desfilava sua vingança pela morte do pobre menino Jason, que afogou no lago Crystal, enquanto os jovens ao redor apenas se divertiam com sexo, drogas e rock 'n roll. Entre os homenageados pela ira da Sra. Vorhees no Sexta-Feira 13 original estava o jovem Kevin Bacon.

Somente em Sexta-Feira 13 - Parte II (1981), dirigida por Steve Miner, que Jason apareceu - e com um pano enrolado na cara. Mais do mesmo. Só que desta vez era o jovem Jason vingando seu afogamento e a morte de sua doce e querida mãe decapitada com um remo no fim do filme original. Em Sexta-Feira 13 - Parte III (1982), exibida em 3D nos cinemas, novamente com direção de Steve Miner, Jason trocou o pano por uma máscara de hóquei, eternizando para sempre sua imagem icônica na cultura pop. Então veio mais um: Sexta-Feira 13 - Parte IV: Capítulo Final (1984), de Joseph Zito, estrelada pelo grande Corey Feldman, de Os Goonies (1986) e Os Garotos Perdidos (1987), que mandou Jason desta para uma melhor.

Depois disso, Sexta-Feira 13 virou palhaçada e motivo de piada com a Parte V, que teve o subtítulo Um Novo Começo (1985), o pior de todos os episódios, assinado pelo "quem?" Danny Steinmann. O assassino nem era o Jason, mas um maluco que usou sua máscara e fama. O verdadeiro mestre só retornaria em Sexta-Feira 13 - Parte VI: Jason Vive (1986). O diretor Tom McLoughlin carregou no humor para entregar um episódio bem divertido e um tanto diferente de seus anteriores. Mas Jason ainda insistiria em não descansar no inferno com mais dois filmes "oficiais": Sexta-Feira 13 - Parte VII: A Matança Continua (1987), de John Carl Buechler, e o ridículo Sexta-Feira 13 - Parte VIII: Jason Ataca em Nova York (1989), de Rob Hedden. Ou seja do V ao VIII, Jason não assustava nem criancinha. Mas os fãs gostavam de vê-lo matando sempre de uma forma diferente de um filme para o outro. Jason ainda foi explorado em outras produções picaretas como Jason Vai Para o Inferno - A Última Sexta-Feira (1993), de Adam Marcus, e Jason X (2001), de James Isaac.

É claro que os 10 filmes não são maravilhas do cinema, mas quem viveu os anos 80 e a ascensão do VHS também se divertiu com Jason Vorhees. Não havia como fugir desse guilty pleasure. Os garotos, em geral, adoravam. As meninas, pelo menos, acompanhavam seus namorados em sessões de cinema ou VHS. Talvez seja um cenário incompreensível para a geração de hoje, mas quem viveu aquela época sabe do que estou falando, afinal a garotada de hoje está ligada no terror torture porn de Jogos Mortais e O Albergue.

Ainda é cedo para saber se o filme de Marcus Nispel que chega nesta sexta-feira 13 aos cinemas irá conquistar novos fãs, mas já é um começo. E peço desculpas aos fãs desses slasher movies atuais, mas Jason Vorhees, Freddy Krueger, Mike Myers e Leatherface, de O Massacre da Serra Elétrica (1974), eram muito mais charmosos e carismáticos que o herdeiro mais próximo, Jigsaw.

Não vi o novo Sexta-Feira 13, que, aliás, não é um remake, mas uma reinvenção. Yeah, right. Mas o que mais me incomodava na cinessérie original não era a ruindade assumida dos filmes, mas a falta de um desenvolvimento do personagem principal - sim, Jason é o principal. Jamais houve uma explicação maior ou visita ao lugar onde o maníaco se esconde, algo assim. Nada. Ele somente não morria e voltava para matar suas vítimas sempre de uma maneira diferente da outra. Mais do mesmo. Isso sempre me deixou incomodado.

Além de grana, imagino que o grande objetivo de Marcus Nispel e Michael Bay esteja na tentativa de conquistar novos fãs e, claro, em recuperar Jason como um ícone do terror. Espero, pelo menos, que o filme assuste. E não gere risadas, porque já cansei das piadas em torno do herói de Sexta-Feira 13. Portanto, seja bem-vindo de volta, Jason! Merecemos a sua vingança!

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Coraline e o Mundo Secreto


Quando saí da sessão de Coraline e o Mundo Secreto (Coraline, 2009), eu estava tão chocado com a proposta de fantasia Off Hollywood, que era impossível dizer se gostei ou não do filme. Mas, estranhamente, as cores, as cenas e o clima dividido entre o encantador e o assustador jamais deixaram a minha mente. Cheguei a sonhar por algumas noites com o universo fantástico criado por Neil Gaiman e adaptado para o cinema pelo diretor Henry Selick, de O Estranho Mundo de Jack. E isso só pode ser bom sinal.

O ponto é que Coraline vem da mente de Neil Gaiman, autor do livro infanto-juvenil que deu origem ao filme. Perto do que Hollywood costuma produzir, a obra de Gaiman é muito mais madura e sombria. Parece até que estamos diante de outra cultura, outra linguagem - algo que costuma sair da imaginação oriental, sendo, geralmente, incompreensível para uma cabeça ocidental.

Para mim, Gaiman foge do tradicional e se aproxima um pouco da mente de um Hayao Miyazaki, criador de animações como A Viagem de Chihiro. Embora a comparação seja exagerada, acho que sua obra está mais para os japoneses do que para os americanos. Para aproximar um pouco, acho também que está mais para quem gostou de O Labirinto do Fauno, do mexicano Guillermo Del Toro, do que os filmes do americano Tim Burton. Prefiro analisar por este lado a dizer que Coraline é "tanto para crianças quanto para adultos". Enfim, Shrek também é. Assim como WALL-E ou Ratatouille. São exemplos que buscaram originalidade, mas permaneceram com uma visão tradicionalmente... americana. Ou seja, Coraline não é necessariamente ousado ou à frente de seu tempo. Apenas é... diferente. Não tem a cara de Hollywood. Há uma maturidade tão definida nessa história que, se Deus quiser, está vindo para ficar.

Engana-se quem pensa que Coraline é mais do mesmo. Especialista na animação stop-motion, Henry Selick, desta vez, une essa técnica ao 3D. Coraline, no entanto, não traz objetos e personagens saltando aos montes da tela para assustar a platéia. Apenas aproveita todo o espaço para aumentar a profundidade de cada plano e tornar real e próximo cada objeto e boneco feitos à mão. Não lembro de outro filme que tenha utilizado o 3D com esse intuito. É a primeira produção neste formato a dar mais importância para a história do que para os efeitos visuais. Vendo assim, Coraline é evolução. E é engraçado pensar nisso sabendo que Henry Selick uniu o melhor de dois mundos: o antigo e o novo.

A premissa do filme é simples, mas aos poucos, caminha para se tornar uma das histórias mais originais já contadas pelo cinema. É a saga da menina Coraline (voz de Dakota Fanning), que se muda com seus pais workaholics (Teri Hatcher e John Hodgman) para um velho casarão. Entediada e infeliz, Coraline explora a vizinhança, faz amizade com um menino falastrão (Robert Bailey Jr.), e durante suas andanças pela casa, encontra uma portinha em uma das paredes a la Quero Ser John Malkovich. É como a toca do coelho de Alice no País das Maravilhas. Mas não quero contar onde essa passagem vai dar. Prefiro que você viva essa experiência. Basta saber que Coraline entrará no avesso da realidade.


Depois disso, você verá que o filme toma um rumo de difícil comunicação com mentes que vêem animações como produtos para sossegar e divertir a criançada numa temporada de férias. O roteiro é cheio de camadas, algumas imperceptíveis sem uma revisão, ligadas a uma sensibilidade contemporânea tão sutil e, ao mesmo tempo, equilibrada com a fantasia dos melhores contos de fadas já contados.

Coraline é um filme de uma beleza única tanto em seu visual quanto em seu conteúdo. É um passo a frente para o cinema, que mostra que pode evoluir sem deixar as influências clássicas no limbo. É uma fantasia com a cara do novo milênio, que compreende diferentes culturas, e mostra aos fãs de Totó e Dorothy, que definitivamente não estamos mais no Kansas.

Coraline e o Mundo Secreto (Coraline, 2009)
Direção: Henry Selick
Roteiro: Henry Selick (Baseado no livro de Neil Gaiman)
Com as vozes de Dakota Fanning, Teri Hatcher, Jennifer Saunders, Dawn French, Keith David e John Hodgman

Tarantino quer 100 escalpos nazistas


Você já pode ver o trailer de Inglorious Basterds, o filme de guerra de Quentin Tarantino, que estréia em 21 de agosto. Destaque para o discurso de Brad Pitt - com uma baita cicatriz no pescoço - exigindo 100 escalpos nazistas aos seus oito bastardos sem glória.

Marquem minhas palavras: Inglorious Basterds vai detonar! Como diz o trailer abaixo, "você ainda não viu a guerra se não a enxergou pelos olhos de Quentin Tarantino..."


quarta-feira, fevereiro 11, 2009

Milk


Hollywood já apresentou vários filmes baseados em sagas de personagens reais (ou não) lutando por classes ou ideais que acabaram mudando a forma de muita gente pensar e agir. Não falo de algo romântico como Sindicato de Ladrões (1954), mas de sangue, suor e lágrimas que poderiam ser derramados em nosso dia-a-dia. Filmes como Norma Rae (1979), com os gritos de Sally Fields, e O Povo Contra Larry Flynt (1996), com a bagunça causada por Woody Harrelson. Ironicamente, a atual década ainda não tinha um grande filme abordando tal temática. Mas a energia e o carinho de Sean Penn e Gus Van Sant capturaram a essência dessa vontade de mudar o mundo em Milk - A Voz da Igualdade (Milk, 2008).

Aliás, que ator extraordinário e completo que é Sean Penn. É só lembrar de Tom Hanks, que interpretou um advogado homossexual vítima de preconceito em Filadélfia (1993). Embora discreto, assim como todos os personagens homossexuais do filme de Jonathan Demme, Hanks foi ótimo e mereceu seu Oscar. Agora, em Milk, veja como Sean Penn abraça o protagonista do filme de Gus Van Sant sem qualquer receio de chocar ou parecer exagerado. Sem qualquer artifício óbvio, Sean Penn não interpreta um ativista gay. Ele "É" gay neste filme. E um gay orgulhoso de ser quem ele é. E, principalmente, do que sua luta pode representar para outras pessoas. Seu Harvey Milk não é exatamente um herói, mas uma conseqüência da injustiça, do preconceito assumido na São Francisco dos anos 70. Ele é um homem comum e bondoso, que dá voz aos oprimidos. Sob o olhar de Gus Van Sant, Harvey Milk se torna político não para benefício próprio, mas para ajudar quem tem medo de sair do armário a ter o orgulho e a coragem de mudar o mundo. Com todo o respeito, mas é isso mesmo.

Confesso aqui a minha ignorância na saga de Harvey Milk. Quero dizer, antes do filme de Van Sant eu jamais havia lido ou escutado este nome. Ora, bolas! Se cada detalhe deste filme aconteceu na vida real, o sujeito merece uma estátua. Harvey Milk é o William Wallace dos gays. Não ria, pois estou falando sério. Essa é a magia do filme e a comprovação do poder de persuasão de um diretor contador de histórias que sempre viveu à margem de Hollywood, com seus corajosos projetos independentes, mas que mostra ser capaz de comandar um espetáculo de grande estúdio como se fosse um veterano. Em Milk, Gus Van Sant evoca um diretor da estirpe de um Milos Forman em seus melhores dias.

Mas Milk não é "somente" (e isso não é pouco) o resultado do entusiasmo de Gus Van Sant e Sean Penn. O filme nasce de um roteiro muito bem construído por Dustin Lance Black, que equilibra o tradicional e a ousadia. Além disso, não há como esquecer do elenco de apoio, que encara Milk com tanta união e dedicação, que a sensação transmitida é que Josh Brolin, Emile Hirsch (fantástico), Diego Luna e James Franco atuam como se este fosse o último trabalho de suas vidas. Milk também é a montagem precisa de Elliot Graham. É a trilha ora bonita, ora nervosa de Danny "Oingo Boingo" Elfman. É a fotografia de Harris Savides, que convida para uma verdadeira viagem no tempo, assim como a direção de arte magnífica de Bill Groom, Charley Beal e Barbara Munch, e o figurino de Danny Glicker, que fazem qualquer um se sentir parte do bairro do Castro, em São Francisco, na década de 70.

Triste, poderoso e carismático, Milk foi um dos melhores filmes de 2008. E espero que o tempo reconheça seu valor como bom cinema. O mesmo valor da luta de Harvey Milk, que pode crescer com o filme de Gus Van Sant e atingir um público mais abrangente com o significado da emocionante cena final. Milk não fala somente aos gays, mas a todas as minorias vítimas de preconceito. Fala diretamente com quem se sente por baixo e ainda não descobriu seu potencial. Se alguém aqui não concorda que uma pessoa é capaz de mudar o mundo, aposto que Milk fará você, pelo menos, pensar no assunto.

Milk - A Voz da Igualdade (Milk, 2008)
Direção: Gus Van Sant
Roteiro: Dustin Lance Black
Elenco: Sean Penn, James Franco, Emile Hirsch, Diego Luna, Alison Pill, Victor Garber, Denis O'Hare, Lucas Grabeel, Joseph Cross, Brandon Boyce, Kelvin Yu e Stephen Spinella

terça-feira, fevereiro 10, 2009

A Pequena Notável


Chica Chica Boom Chic pra você também!


Pequena homenagem do Hollywoodiano
aos 100 anos da notável Carmen Miranda


segunda-feira, fevereiro 09, 2009

O Lendário Mickey Rourke


Mickey Rourke, um dos ídolos da geração oitentista, está de volta. Para o astro, sua presença no espetacular O Lutador, de Darren Aronofsky, tem a mesma importância que Pulp Fiction, de Quentin Tarantino, proporcionou a John Travolta, em 1994. É o retorno e a consagração de um nome popular que reinou numa época que não volta mais. O filmaço que pode dar um Oscar de Melhor Ator a Mickey Rourke estreia nesta sexta-feira. Mas, antes de continuar, admita: Há 20 anos atrás, imaginar Rourke com um prêmio da Academia era requisito básico para uma internação num hospício. Ou você realmente achou que, um dia, ele estaria numa festa do Oscar?

A primeira chance de Mickey Rourke veio com um pequeno papel na subestimada comédia 1941 - Uma Guerra Muito Louca (1979), de Steven Spielberg. Mas sua estrela começou a brilhar nos filmes Quando os Jovens se Tornam Adultos (1983), de Barry Levinson, e, principalmente, O Selvagem da Motocicleta (1983), de Francis Ford Coppola, e O Ano do Dragão (1985), de Michael Cimino. E como ninguém é de ferro em Hollywood, Rourke topou produções como 9 1/2 Semanas de Amor (1986), bomba do diretor Adrian Lyne que ficou em cartaz no Brasil por muito, mas muito tempo mesmo. É claro que o filme fez bem para a sua imagem de astro, mas acho que a única bola dentro de 9 1/2 Semanas de Amor foi inspirar a turma de Top Gang a colocar Charlie Sheen fritando bacon na barriguinha de Valeria Golino. Felizmente, no ano seguinte, Mickey Rourke pôde fazer Coração Satânico (1987), de Alan Parker, que, para mim, é o melhor filme de sua carreira.

Mas apesar do sucesso popular, das oportunidades, e de sair na capa da primeira edição da revista SET, Mickey Rourke dispensou grandes filmes. Era como se ele buscasse um reconhecimento como ator. E não como astro. Mas sendo dono de um temperamento difícil, além de carregar problemas conjugais e o consumo excessivo de álcool e drogas na bagagem, as portas começaram a se fechar para Mickey Rourke.

Ainda por cima, ele recusou os papéis principais de Highlander (1986) e Os Intocáveis (1987), que acabaram, respectivamente, nas mãos de Christopher Lambert e Kevin Costner. Entre umas e outras curiosidades, o ator foi uma das escolhas da Paramount para fazer o policial Axel Foley, em Um Tira da Pesada (1986), que deu um gás e tanto na carreira de Eddie Murphy. Hoje, pensando bem, como Mickey Rourke torrou seu dinheiro e se meteu em várias outras enrascadas em sua vida pessoal, até que personagens como Connor MacLeod, Elliott Ness e Axel Foley teriam colaborado (e muito) para sua carreira. Convenhamos: Seria bem melhor que protagonizar Orquídea Selvagem (1989).

Nos anos 90, para piorar, Rourke resolveu se dedicar ao boxe, mas não deixou o cinema totalmente de lado - apesar de ter recusado o papel que ficou com Bruce Willis, em Pulp Fiction. Agora, imaginem: Tarantino teria feito dois milagres num filme só ressuscitando Mickey Rourke e John Travolta. E em 1994, quando Pulp Fiction estourou, Rourke era, de fato, um boxeador profissional, a profissão de Butch Coolidge, personagem de Bruce Willis neste clássico moderno.

Em 1995, Rourke desistiu dos ringues. Mas, então, foi a vez do troco de Hollywood, que deu uma esnobada no ator-que-cansou-de-esnobá-la. O astro não desistiu e tentou sobreviver em filmecos que geralmente iam direto para as prateleiras empoeiradas das locadoras. Entre as bobagens que conseguiram estrear nas telas brasileiras, Rourke foi sparring de Jean-Claude Van Damme e Dennis Rodman (!) em A Colônia (1997), ação tranqueira dirigida por Tsui Hark.

Embora, em 1997, o chapa Francis Ford Coppola tenha dado uma ajudinha ao convidá-lo para um pequeno papel em O Homem que Fazia Chover, Rourke permaneceu no anonimato, sendo constantemente ridicularizado por seus deslizes pessoais. Era como se o astro dos anos 80 não tivesse direito a uma segunda chance para mostrar - a quem ainda não sabia - que ele é um ator de verdade. Mas alguns amigos não o abandonaram. Desta vez como diretor, Sean Penn estendeu a mão a Rourke e o colocou em A Promessa (2001), filme protagonizado por Jack Nicholson. Robert Rodriguez lembrou do ator e o convidou para Era Uma Vez no México (2003), estrelado por Antonio Banderas e Johnny Depp.

Aos poucos, Rourke subia novamente degrau por degrau. Em 2005, finalmente, Rodriguez fez o astro voltar aos holofotes com um dos principais papéis de Sin City. Seu rosto estava coberto de maquiagem, é verdade, mas o apelo comercial do filme fez o público notar novamente o nome do ator. Também não podemos esquecer de citar o help do diretor Tony Scott, que deu oportunidades a Mickey Rourke em Chamas da Vingança (2004) e Domino (2005).

Mas o diretor Darren Aronofsky, de Réquiem Para um Sonho, estava em seu caminho. O Lutador não é somente um dos melhores filmes de 2008, mas é o respeito tardio a Mickey Rourke - hoje, com 56 anos. É público e crítica reconhecendo um ex-astro como um ator de verdade. Agora, chovem propostas em sua horta. E nesta fase da vida, Rourke não tem mais receio de se arriscar em produções extremamente comerciais, afinal, entre seus próximos projetos, ele será nada menos que o vilão de Homem de Ferro 2, um dos maiores lançamentos da temporada 2010.

Parafraseando seu personagem em O Lutador, se o único lugar onde Mickey Rourke se machuca é lá fora, que ele viva para sempre na tela do cinema, que é o lugar de onde jamais deveria ter saído.

domingo, fevereiro 08, 2009

Filmes Cinco Estrelas


Era uma Vez no Oeste
(C'era una volta il West, Sergio Leone, 1968)



Alguns diretores sabiam usar a tela inteira para "pintar" seus filmes. Não sobrava um mísero espaço sem tinta. Eram cores com vida que não apareciam aqui e ali somente para preencher o que estava em branco. Tudo estava lá por uma razão. O inglês David Lean abria sua câmera e captava uma imensidão - era como se o mundo não tivesse fim. Cecil B. DeMille era grandiloqüente, enxergava a vida maior do que ela é. Para ele, viver era um espetáculo. John Ford desbravou o oeste americano como nenhum outro conterrâneo. Em cenas externas, suas panorâmicas indicavam terras que ainda deveriam ser exploradas. Era como se o caubói americano ainda tivesse muito do mundo para conhecer.

Já o italiano Sergio Leone pegou o faroeste americano já um tanto cansado e lhe deu novo fôlego. Na verdade, Leone não dirigia faroestes. Ele entrava neste território para fazer épicos intimistas. Usando e abusando de sua visão original nos filmes com Clint Eastwood - Por uns Dólares a Mais, Três Homens em Conflito -, Leone, para muitos, exagerou em Era uma Vez no Oeste (C'era una volta il West, 1968). Era como se o acusassem de virar clichê de si próprio. Eu já vejo como uma assinatura. Leone é autor. E é só parar e pensar um pouco pra imaginar como esse rótulo de autor faz falta nos dias de hoje.

Sergio Leone foi um gênio que esteve a frente de seu tempo e de todas as críticas injustas que recebeu, afinal como é que poderiam aceitar um italiano mudando o tom do faroeste, a última mitologia americana? Leone orquestrou novos paradigmas no gênero em todos os sentidos: roteiro, montagem, fotografia, trilha sonora e... êxtase. Na verdade, falo de emoção extraída da narrativa em forma de imagem, som e movimento. Seus exageros fazem parte do show. Para mim, os filmes de Leone são verdadeiras óperas cinematográficas.


Com um roteiro assinado por três mestres do cinema italiano - Dario Argento, Bernardo Bertolucci e, claro, Sergio Leone -, Era uma Vez no Oeste tem uma das aberturas mais sensacionais de todos os tempos. Em silêncio, vemos três caubóis sujos aguardando a chegada de um trem numa estação castigada pelo sol. Os créditos passam e não há sinal da música de Ennio Morricone, pela qual esperamos ansiosamente. Sabemos que ela explodirá em toda a sua magnitude em alguns minutos, mas não será agora. A abertura cria um clima incômodo - como se o trio malvado estivesse esperando pela morte. E é mais ou menos isso mesmo. Quem chega é um pistoleiro (Charles Bronson como mais um dos heróis sem nome de Sergio Leone) tocando sua maldita gaita (em inglês, gaita é "harmonica" e é assim que o personagem passa a ser reconhecido) e trazendo o som arrepiante, irritante da Dona Morte. São séculos de espera para o primeiro disparo. Como sempre, Leone arma a situação e a beleza está toda ali. Portanto, não tenha pressa. Não importa quem morre primeiro. Apenas entre no clima. Esse é o cinema de Leone. Cinema que não se faz mais.

Mais tarde, Harmonica junta-se ao pistoleiro Cheyenne (Jason Robards), para ajudar a viúva Jill (Claudia Cardinale), enquanto um magnata das linhas de trem (Gabriele Ferzetti) contrata um bando impiedoso liderado pelo insano Frank (o grande Henry Fonda em seu único papel de vilão) para ficar com as terras da moça. Aliás, o bando é apresentado matando uma criança. E será que há algo mais covarde e cruel do que isso? Frank tem olhos azuis e é a representação do mal nesta terra de ninguém cultivada por Sergio Leone. Uma terra imunda de homens fedorentos e desumanos, com suas capas arrastando pelo chão. É por isso que a doce imagem de Claudia Cardinale surge como um alívio, um colírio. É um sinal de esperança para quebrar este mundo violento. Claudia tem para o filme a mesma importância da construção da ferrovia. É uma imagem de vida após a morte. Um novo começo após o caos. Futuro.

Quando Harmonica fica frente a frente com Frank, entendemos, finalmente, qual é a intenção do mocinho do filme. Mas antes do duelo, temos 15 minutos com os dois se encarando, cuspindo no chão, rangendo os dentes, e muita música de Ennio Morricone. Muitos acham tudo isso um saco. Era uma Vez no Oeste talvez seja o western spaghetti mais complicado de seu autor. As acusações de Leone ter se tornado pastiche de seu próprio estilo em Era uma Vez no Oeste são compreensíveis, mas um tanto infundadas se você não conhece o seu cinema. Um iniciante na obra de Leone não deve começar por este filme. É bom estudar Por um Punhado de Dólares, Por uns Dólares a Mais e Três Homens em Conflito antes de chegar aqui. Depois dessas lições de casa, você tem tudo para delirar com a ópera Era uma Vez no Oeste.

Assim, você entenderá o fascínio assumido de Quentin Tarantino por Sergio Leone. Ou como Clint Eastwood provou saber dirigir após aprender tudo com o seu mestre (se bem que Clint também admite a influência de Don Siegel). Ou como Robert Zemeckis "homenageou" uma das cenas mais belas de Era uma Vez no Oeste em De Volta Para o Futuro - Parte III. É quando Marty McFly (Michael J. Fox) chega a Hill Valley de 1885. A câmera mostra a entrada da cidade e, depois, passa por cima do portão para dar uma "geral" do lugar. São os mesmos movimentos de Leone ao acompanhar a chegada de Claudia Cardinale a Flagstone de Era uma Vez no Oeste. Esse é o legado de Sergio Leone, que ainda brindaria os cinéfilos com mais uma obra-prima depois de Três Homens em Conflito e Era uma Vez no Oeste: Era uma Vez na América, de 1982.


Era uma Vez no Oeste (C'era una volta il West, 1968)
Direção: Sergio Leone
Roteiro: Dario Argento, Bernardo Bertolucci e Sergio Leone
Elenco: Claudia Cardinale, Charles Bronson, Jason Robards, Henry Fonda e Gabriele Ferzetti