quarta-feira, abril 30, 2008

Acabou a brincadeira

Depois de tanta frescura em cartaz nos cinemas entre os grandes filmes do Oscar e o aguardado mês de maio, finalmente, os corajosos cinéfilos que esperaram pacientemente por uma produção digna de nosso rico e suado dinheirinho podem dizer "Aleluia".

Hoje estréia Homem de Ferro, a extravagância cinematográfica do ator e diretor Jon Favreau, que adaptou os quadrinhos de Stan Lee e Jack Kirby. Com a intervenção do roteirista Larry Lieber e do desenhista Don Heck, eles lançaram o Ferraço no gibi (dane-se o "comic book", na minha época era "gibi" mesmo) Tales of Suspense, em 1963.

O doido varrido mais talentoso de Hollywood, Robert Downey Jr., ganhou o papel de Tony Stark, o Ferraço. Não deixa de ser uma escolha incomum. Mas fico extremamente feliz em ver grandes atores interpretando personagens que muitos dizem que não devem ser levados a sério. Downey Jr. se arriscou e é assim que se faz nessa terra de ninguém.

Se essa moda já estivesse na cabeça de Hollywood nos gloriosos anos 1970, majestosos como Robert De Niro e Al Pacino fatalmente seriam considerados para o papel que ficou com Downey Jr. Imaginem só a turma setentista como Wolverine (Jack Nicholson de costeletas), Batman (Pacino e seu vozeirão de dar medo), Homem-Aranha (Dustin Hoffman recém-saído de A Primeira Noite de um Homem) e Superman (De Niro e seu olhar de quem acabou de acordar de um pesadelo).

Abram alas para o cinemão feito com qualidade. O fanático pela sétima arte que estuda ou trabalha diariamente merece conforto e alegria nas horas vagas. É chegado o momento triunfante desses intrépidos leões desbravadores das salas de cinema de todo o País relaxarem e assistirem a Robert Downey Jr. com a armadura vermelha e dourada esmagando os inimigos da paz.

Tenho absoluta certeza de que o filme será um deleite sonoro e visual para os nossos cerebelos. Esqueça o stress, o trânsito, a conta de telefone, a declaração do imposto de renda e aquela reunião feita às cinco e pouco da tarde pelo chefe mala. No fim do expediente, tire a gravata, vista a camiseta do Homem de Ferro, toque Iron Man, do Black Sabbath, no iPod e grite: "FUI!"

Seja feliz e vá ao cinema. Talvez não seja um filmaço, mas a diversão inserida imediatamente em nossos neurônios durante uma sessão de Homem de Ferro jogará os problemas, além de qualquer chatice e chororô na lata do lixo. Ao menos, por duas belas horas no cinema. Te vejo lá.

Namorada de super-herói é ciumenta


Todo mundo sabe que as mulheres são ciumentas por natureza, mas nenhum herói vive sem elas. Diferente dos jogadores de futebol, eles só conquistam beldades. Em 2008, Gwyneth Paltrow, Liv Tyler e Maggie Gyllenhaal são as namoradas ciumentas dos super-heróis do cinema: Homem de Ferro, O Incrível Hulk e Batman, respectivamente.

Antigamente, em filmes de ação e aventura, as "mocinhas" ganhavam características de donzelas indefesas e desamparadas. Nem mesmo um herói com superpoderes era capaz de deixar a sua garota segura e confiante. Elas só sabiam chorar e gritar... E que gritos!

Hoje, os tempos são outros. Justamente agora, que não sou mais criança, são elas quem dão as cartas e mandam no pedaço. Aquele estereótipo de dondoca que não sabe se defender ficou para trás. Atualmente, temos "mocinhas" encantadoras sim. Mas elas também batem e arrebentam como a Keira Knightley, de Piratas do Caribe, por exemplo. O melhor de tudo é que essas lindas parceiras dos grandes heróis jamais abdicam de suas características femininas - vejo tal mudança de personalidade como cortesia de O Tigre e o Dragão, de Ang Lee, que mostrou as mulheres como guerreiras, mas totalmente femininas. Enfim, não existem mais Fay Wrays, de King Kong, e muito menos, Kate Mahoneys, da série jurássica Dama de Ouro.

De qualquer forma, em filmes de super-heróis (e a discussão se refere a este "gênero"), as mulheres geralmente não partem para a briga. Um exemplo é a Mary Jane, de Kirsten Dunst, nos três filmes da saga Homem-Aranha. Ela pode não levar desaforo pra casa, mas é uma garota carente e indefesa. Existem casos e casos, afinal ninguém mexe com as meninas superpoderosas de X-Men, claro. Eu não mexeria.

A partir de hoje, Gwyneth Paltrow, que eu amo (linda, meiga e tem uma bela voz) e odeio (por causa do Oscar por Shakespeare Apaixonado) começa a definir o perfil da "mocinha" em 2008 - em filmes de super-herói ou qualquer outro gênero fantástico. Nos próximos meses, a idéia segue com a talentosa Maggie Gyllenhaal, em Batman - O Cavaleiro das Trevas, que substitui a insossa Katie Holmes, e a maravilhosa Liv Tyler, a Arwen, de O Senhor dos Anéis, como a namoradinha do Incrível Hulk Edward Norton.

terça-feira, abril 29, 2008

Aos fãs de Keanu Reeves


Primeiramente, sejam bem-vindos! Como vocês ficaram bravos comigo na crítica de Os Reis da Rua, sinto-me na obrigação de reconhecer a importância de Keanu Reeves na história do cinema.

O Sr. Reeves foi ninguém menos do que o herói mitológico da década de 1990. É inegável que Neo, o protagonista de Matrix, marcou o cinema de ação, aventura e, principalmente, ficção científica. Na fantasia dos Irmãos Wachowski, não importa se o Sr. Reeves é bom ator ou não. Do mesmo modo como não vale bater em Mark Hamill, o eterno Luke Skywalker, de Star Wars. Ou Harrison Ford, que apesar de considerado como "astro do século" (passado), ele jamais foi admirado como um ator de primeira linha. Astro, mas não ator.

Quem se importa, não é verdade? Muitos atores passam a vida inteira tentando, mas não têm a sorte (ou o mérito) dos exemplos citados: Keanu Reeves, Harrison Ford e Mark Hamill. São nomes que viverão para sempre no imaginário e no coração dos cinéfilos. Independentemente de outros aspectos analisados, eles são reconhecidos pelo brilho natural na tela. Isso é heroísmo.

Mas diferente dos astros acima, Johnny Depp já era respeitado como ator antes da explosão de Piratas do Caribe. Tobey Maguire também tinha um certo reconhecimento antes de Homem-Aranha. Pode ser o caso de Robert Downey Jr, após Homem de Ferro, que estréia amanhã no País. Mas não importa. Tais nomes marcaram personagens inesquecíveis na galeria de heróis do cinema. Isso basta.

Acho que os melhores filmes da carreira do Sr. Reeves são Drácula de Bram Stoker e, claro, Matrix. Confesso que também gosto de Matrix Reloaded, mas quebrei a cara no terceiro. Com isso, o episódio do meio ficou um tanto... inacabado.

Só acho que o Sr. Reeves poderia ser muito mais do que ele é. Suas escolhas pós-Matrix não foram tão memoráveis. E como astro em Hollywood, ele pode selecionar o roteiro que bem entender. Por exemplo, O Homem Duplo é um trabalho intrigante de Richard Linklater, mas as histórias de Philip K. Dick já tiveram dias melhores no cinema. Já Constantine, que também tem bons momentos, não passa de um filme (no máximo) mediano.

Mesmo assim, antes de Os Reis da Rua (e Matrix), Keanu Reeves foi heróico tanto na pele de protagonista de Velocidade Máxima quanto em dizer "não" para a seqüência ridícula com Sandra Bullock, Jason Patric e... Carlinhos Brown. Ou seja, ele até que cuidou bem da carreira até chegar a Matrix.

O Sr. Reeves tem status, mas precisa fazer grandes filmes. É a velha cobrança de sempre. Não adianta somente atuar ao lado de nomes como Jack Nicholson, Diane Keaton, Forest Whitaker e Hugh Laurie. Ele precisa justificar esse status de astro em bons filmes. Atuação pode até ser um detalhe na vida de um astro, mas veja só o Johnny Depp - ele não será somente o Jack Sparrow, de Piratas do Caribe. E não sei se Keanu Reeves ainda voltará a ser Neo, como Harrison Ford fez com Indiana Jones. Então, a hora para provar aquilo que falta em sua carreira é agora.

Para mim, Neo é o bastante. Em Matrix, Keanu Reeves é sensacional. Não imagino outro ator em seu lugar. Sua contribuição como o grande herói do cinema nos anos 1990 será idolatrada para sempre. Mas a discussão iniciada com a crítica de Os Reis da Rua continua no próximo filme de Keanu Reeves.

segunda-feira, abril 28, 2008

Os Reis da Rua


O que dizer de um filme que denuncia toda a sua trama em seus primeiros 10 ou 15 minutos? E quando esse filme tem atores do calibre de Forest Whitaker, vencedor do Oscar por O Último Rei da Escócia, e Hugh Laurie, duas vezes ganhador do Globo de Ouro? E que Hugh Laurie, o House em pessoa; pai de Stuart Little, aparece somente em meia dúzia de cenas? E isso só para dar espaço ao grande protagonista Keanu Reeves. Essa perda de tempo se chama Os Reis da Rua (Street Kings, 2008). Mesmo com Whitaker e Laurie no elenco, parece que o único nome a reinar em cena é o do Sr. Reeves, um ator limitado com o rei na barriga depois de Matrix.

Dirigido por David Ayer, roteirista de Dia de Treinamento, que estréia no ofício de cineasta, Os Reis da Rua - como o filme que deu o Oscar de Melhor Ator a Denzel Washington, em 2002 -, também é mais um filme sobre um tira honesto no meio de uma polícia corrupta. Apesar do polêmico banho de sangue promovido pelo policial Tom Ludlow (Reeves) para fazer justiça nos 10 minutos iniciais, não é preciso ser gênio para adivinhar que ele é o mocinho nesse ninho de cobras. Os abraços de urso e tapinhas nas costas do "herói" já dizem ao espectador como o filme vai acabar.

O problema é que a história engrena depois de meia hora de filme. Até a última cena, quando Ludlow soluciona o mistério envolvendo o assassinato de um ex-parceiro da lei, o diretor enrola e exagera na lentidão do desenvolvimento da trama como se houvesse alguma carta na manga; uma surpresinha só guardada para o pobre do espectador. Ledo engano. O final é exatamente aquele desenhado no começo do filme. Você sabe quem é bonzinho e quem é bandido. Sabe quem vai morrer e quem sobreviverá. Então, para quê tanta enrolação?

Os Reis da Rua é um desperdício de elenco e paciência. Em poucas cenas, Hugh Laurie aparece bem e Forest Whitaker dá um show, claro. Eles são ótimos. Mas todos estão ali para servirem ao grande Keanu Reeves, que se contenta em fazer cara de quem não dormiu à noite e tomou cachaça no café da manhã. Quer mais? Seu Tom Ludlow tem um trauma do passado a ser superado no decorrer da história. Quer mais clichê do que isso? Só adivinhando o final do filme logo no início.

E olha que Os Reis da Rua saiu da mente de James Ellroy, autor dos livros que originaram Los Angeles - Cidade Proibida, de Curtis Hanson, e Dália Negra, de Brian De Palma. Aqui, ele é um dos roteiristas. Lamentável. Diferente de Los Angeles - Cidade Proibida, Os Reis da Rua não é um trabalho estupendo em conjunto dos atores. Todos são apoios para Keanu Reeves. Só que o astro esqueceu que não está em Matrix, um filme que ninguém liga se ele é ou não é um bom ator.

O interessante no meio disso é lembrar que além de Dia de Treinamento, o cinema que David Ayer quer contar tem suas raízes em Serpico, clássico de Sidney Lumet. Mesmo com esse baita ponto de partida como referência, e com um elenco caro (e James Ellroy), o diretor conseguiu estragar tudo. Lógico que Ayer jamais faria um novo Serpico. Longe disso. Mas nem chegou aos pés de belos policiais modernos como o recente (e subestimado) Os Donos da Noite.

Os Reis da Rua é assistível, mas não engana ninguém, afinal o filme não chegaria a lugar algum sem nomes famosos iluminando o pôster. E o problema do roteiro não é lembrar outros filmes semelhantes, mas ser completamente óbvio. Ainda seria dessa forma se o mesmo script tivesse sido o primeiro a tratar do tema da corrupção na polícia. É como jantar aquele macarrão requentado do almoço de domingo não na segunda, mas na terça-feira.

Os Reis da Rua (Street Kings, 2008)
Direção: David Ayer
Roteiro: James Ellroy, Kurt Wimmer e Jamie Moss
Elenco: Keanu Reeves, Forest Whitaker, Hugh Laurie, Chris Evans, Martha Higareda e Cedric the Entertainer

sábado, abril 26, 2008

Principais Estréias da Semana

Três Vezes Amor (Definitely, Maybe), de Adam Brooks

Elenco: Ryan Reynolds, Abigail Breslin, Isla Fisher, Rachel Weisz, Elizabeth Banks e Derek Luke

O que é: Às vésperas de um divórcio, Will Hayes (Ryan Reynolds) relembra e explica seus três últimos relacionamentos com Elisabeth Banks, Isla Fisher e Rachel Weisz para sua filha de 11 anos, a adorável Abigail Breslin. Essa é uma produção da Working Title, responsável por Quatro Casamentos e um Funeral, Notting Hill, O Diário de Bridget Jones e Simplesmente Amor.

O que eu acho: A Working Title costuma entregar belas comédias românticas, mas nem sempre acerta. Esse Ryan Reynolds é um chato de galocha e o título nacional é ridículo, porém chama a atenção da mulherada, que adora o gênero. De qualquer forma, o filme tem Rachel Weisz e a Pequena Miss Sunshine Abigail Breslin. Elas sempre valem o ingresso.

Veja o trailer


Pecados Inocentes (Savage Grace), de Tom Kalin

Elenco: Julianne Moore, Eddie Redmayne, Stephen Dillane, Elena Anaya, Belén Rueda e Hugh Dancy

O que é: A chocante história real de Barbara Daly Baekeland (Julianne Moore). A tragédia de sua família abalou a opinião pública de Londres nos anos 1970.

O que eu acho: Sinceramente? Acho que vale, ao menos, por Julianne Moore.


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Encurralados (Butterfly on a Wheel), de Mike Barker

Elenco: Pierce Brosnan, Maria Bello, Gerard Butler, Emma Karwandy, Claudette Mink e Desiree Zurowski

O que é: A filha de Maria Bello e Gerard Butler é seqüestrada por Pierce Brosnan.

O que eu acho: Parece um suspense tradicional para uma sessão de Supercine. A diferença é o elenco famoso. E já temos vários títulos nacionais derivados da palavra "Encurralado". Um deles é o primeiro filme de Steven Spielberg. Quando a tradução repete títulos, boa coisa não é. Então, vá por sua própria conta e risco.

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Fôlego (Soom), de Kim Ki-Duk

Elenco: Chang Chen, Ha Jung-woo e Park Ji-a

O que é: Mãe de família tenta se manter longe de casa para ignorar a infidelidade do marido. Com isso, ela inicia um romance com um prisioneiro.

O que eu acho: Os filmes coreanos que conseguem chegar aos cinemas brasileiros não fazem feio. E Kim Ki-Duk é o diretor do belo Primavera, Verão, Outono, Inverno... e Primavera.

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Hannah Montana & Miley Cyrus Show: O Melhor dos Dois Mundos (Hannah Montana/Miley Cyrus: Best of Both Worlds Concert Tour), de Bruce Hendricks

Elenco: Miley Ray Cyrus

O que é: Um show em 3D de Hannah Montana/Miley Cyrus, realizado em 2007.

O que eu acho: Desculpe-me, mas ainda não decorei o repertório da Hannah Montana. Acho que isso é para a criançada, não?

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Obs: As estréias estão confirmadas em São Paulo. Confira o roteiro de sua cidade.

sexta-feira, abril 25, 2008

Pôster destruidor de Batman - O Cavaleiro das Trevas


Eu sei, eu sei. Esse deve ser o milésimo pôster de Batman - O Cavaleiro das Trevas. Mas será que preciso dizer algo a respeiro da arte acima? É para deixar os fãs babando ou não?

O filme estréia mundialmente no dia 18 de julho, mas bem que poderia ser hoje.

quinta-feira, abril 24, 2008

Antes de Partir


Antes de Partir (The Bucket List, 2007) faz parte de um ciclo enganador planejado por Hollywood. Volta e meia, os estúdios criam certos "filmes do bem", que enganam e conquistam o público em geral. Esse é um deles.

Muitas pessoas confundem tais produções com bons filmes, mas na verdade, estão longe disso. Esse fenômeno (ou praga) ocorre nos cinemas uma vez a cada um ou dois anos. São filmes com elencos caros e roteiros fracos, mas que acertam em cheio em algum ponto fraco emocional da Humanidade por tratarem de temas "do bem" e lembrarem que a vida é curta e precisa ser aproveitada intensamente. O público adora, mas os críticos detestam. Dois exemplos: Patch Adams e A Corrente do Bem.

Desta vez, o produto vem numa bela embalagem, afinal temos Jack Nicholson e Morgan Freeman. E o diretor é Rob Reiner, que fez Harry & Sally. Como os filmes citados acima, a intenção de Antes de Partir é boa. Mas de boas intenções, o inferninho do cinema está cheio. Um dos problemas de Rob Reiner é a sua mania de tentar repetir a leveza de Harry & Sally em filmes diferentes, quando seus melhores trabalhos foram produções fortes como Conta Comigo, Questão de Honra (também com Nicholson) e Louca Obsessão. Mas, infelizmente, ele quer ser o Rob Reiner do bem. Harry & Sally foi ótimo, principalmente naquela famosa cena que deixa os homens com medo. Mas vire a página, Sr. Reiner. Siga em frente.

E não é a trama de Antes de Partir que comparo a Harry & Sally, mas falo de sua leveza mesmo. Neste filme, Rob Reiner tratou um tema complicado, difícil (a morte) de forma leve. Essa é a história dos últimos dias de vida de Edward Cole (Jack Nicholson), o dono milionário de uma rede de hospitais, e do humilde mecânico Carter Chambers (Morgan Freeman). Graças ao dinheiro do ricaço, os pacientes em estado terminal viajam pelo mundo e aproveitam seus momentos finais.

Não sei o que o roteiro de Justin Zackham pretendia, mas nas mãos de Rob Reiner, Antes de Partir ganhou um tratamento esquizofrênico no equilíbrio entre drama e comédia. Seria injusto dizer, no entanto, que o diretor esbarra no sentimentalismo barato - até porque alguns momentos são até pesados ou sérios demais. E em outras partes, o filme conquista a atenção do público pelo bom humor de Jack Nicholson e Morgan Freeman. Mas o equilíbrio jamais é alcançado. De repente, no finzinho, vem aquela mensagem edificante (e óbvia) para cada um curtir sua vida da melhor maneira possível. Mas acho o recadinho meio falso, afinal Antes de Partir mostra que só quem tem dinheiro é capaz de morrer feliz.

Ainda assim, a trama cairia como uma luva para um cineasta como Frank Capra, que sempre manipulou as emoções de uma maneira suave, mas original, sincera. Só que Reiner não é Capra. E fala sério: se Antes de Partir não tivesse Jack Nicholson e Morgan Freeman, este seria um filme esquecível ou ignorado pela maioria dos cinéfilos. Aliás, peço desculpas, mas preciso citar Morgan Freeman como narrador oficial de Hollywood. O ator se tornou uma espécie de Cid Moreira americano. Seu vozeirão narra Um Sonho de Liberdade, Seven, Menina de Ouro, Guerra dos Mundos (Freeman nem aparece, mas sua voz sim) e Antes de Partir. Devo ter esquecido algum título, porque isso já virou clichê.

Maldades à parte, o fato é que nenhum filme protagonizado por Morgan Freeman e, principalmente, Jack Nicholson deveria ser reconhecido como uma experiência ruim ou decepcionante. Mas o desleixo de Rob Reiner é tão evidente em sua direção burocrática, que fica a impressão de que ele quis apenas realizar um desejo de vida: trabalhar novamente com o grande Jack Nicholson antes de partir.

Antes de Partir (The Bucket List, 2007)
Direção: Rob Reiner
Roteiro: Justin Zackham
Elenco: Jack Nicholson, Morgan Freeman, Sean Hayes, Beverly Todd e Rob Morrow

"Homem de Ferro é jóia"


O jornalista Roberto Sadovski, editor da revista SET, já viu Homem de Ferro e garante que o filme de Jon Favreau é "jóia". Além disso, ele ressaltou o trabalho de Robert Downey Jr como Tony Stark: "Robert Downey Jr., que deve experimentar um upgrade em sua carreira como o de Johnny Depp pós-Piratas do Caribe, constrói um Tony Stark genial, em que pequenos detalhes em sua atuação detalham bem sua mudança de filosofia."

Quem quiser saber a opinião de Sadovski, entre aqui. Mas cuidado com os spoilers - o cara é fanático por quadrinhos e não resistiu em contar algumas partes.

Essa foi a primeira impressão que eu li a respeito de Homem de Ferro. Mas, falando sério, Jon Favreau ainda não fez um filme ruim. Zathura é ótimo e até aquele Um Duende em Nova York, com Will Ferrell, é bem divertido.

Homem de Ferro estréia nos cinemas brasileiros no próximo dia 30 de abril. E já estou indo pra fila.

quarta-feira, abril 23, 2008

O bom filho à casa torna

Após uma temporada pela Europa (Match Point, Scoop e os inéditos O Sonho de Cassandra e Vicky Cristina Barcelona), o diretor Woody Allen finalmente retorna ao tradicional cenário de seus melhores trabalhos.

Hoje, sairam as primeiras imagens do set de seu filme (ainda sem título) previsto para 2009 e protagonizado por Larry David, ator e criador de Curb Your Enthusiasm, e autor da melhor série cômica de todos os tempos: Seinfeld.

Ao lado, você pode ver o sensacional Larry David bem a vontade com uma serelepe Evan Rachel Wood (Across the Universe, Aos Treze).

Por mais que os filmes "europeus" de Allen tenham qualidades, nada se compara a essa espera. Quem é fã do grande cineasta e sente saudades de suas declarações de amor por Nova York, sabe bem o que quero dizer. Além disso, uma parceria entre Larry David e o incansável Woody Allen não é pouca coisa.

Falando no cineasta, o atrasado O Sonho de Cassandra, com Ewan McGregor e Colin Farrell, estréia nos cinemas brasileiros no próximo dia 1º de maio.

terça-feira, abril 22, 2008

Awake - A Vida por um Fio


Depois de Awake - A Vida por um Fio (Awake, 2007), eu começo a acreditar que filmes estrelados pela adorável Jessica Alba são verdadeiras "frias". Eu não vi, mas amigos confiáveis me garantiram a ruindade de produções recentes com a menina (O Olho do Mal é um exemplo). Não preciso passar por isso. Acredito neles.

Hayden "Anakin Skywalker" Christensen vai pelo mesmo caminho. Depois de Star Wars - Episódio III: A Vingança dos Sith (o filme decente da nova trilogia de George Lucas), Christensen pagou mico em Jumper e, agora, em Awake.

Em sua estréia, o roteirista e diretor Joby Harold segue uma narrativa completamente bagunçada. Awake começa com pose de filme sério ao explicar uma situação rara: apesar da anestesia geral colocar os pacientes no décimo sono, alguns permanecem conscientes na hora da cirurgia. Dados numéricos comprovam que isso é verdade. Ok. Mas será que uma parcela desses infelizes consegue sentir dor durante o processo? Awake diz que sim, mas como não sou médico, não vou entrar nessa discussão.

Só que até o filme chegar nessa parte, a trama é conduzida como um draminha romântico para lá de piegas com a gracinha Jessica Alba fazendo beicinho e dizendo a Hayden Christensen que merece casar de véu e grinalda, etc. O importante nesse primeiro ato é saber que o filhinho-milionário-de-mamãe Clay (Christensen) tem um problema cardíaco e precisa urgentemente de um transplante. Até entrar na faca, o rapaz se casa com Sam (Jessica). Mas você sabe: quando uma moça linda e escultural como Jessica Alba está desesperada para subir no altar... hmm... aí tem.

Encerrado o ato "novela das oito", Clay se submete ao transplante, mas descobre que a anestesia geral não funcionou. Desse ponto em diante, Awake vira uma espécie de Olha quem Está Falando Macabro - o tagarela sofre e comenta toda a cirurgia. O pobre coitado ainda ouve os médicos planejando sua morte, mas não pode fazer nada a respeito. Está pronta a sinopse de uma futura noite de sábado em Supercine.

Mas o pior está por vir no terceiro e último ato com suas inevitáveis reviravoltas forçadas, dilemas morais e acertos de contas com o passado. É hora de dar risada, desligar o cérebro, aceitar essa bobagem e dizer ao diretor Joby Harold: "Me engana que eu gosto." Afinal, só ele não percebeu como tudo é resolvido de forma previsível.

O filme recebeu duas indicações ao Framboesa de Ouro nas categorias de Pior Atriz (Jessica Alba) e Pior Dupla (Jessica Alba e Hayden Christensen). Não por acaso. Mas nessa altura do campeonato, acho que os críticos não deveriam jogar tanta pressão em cima de Hayden Christensen e Jessica Alba. Seria como o torcedor do América-RJ (ou a imprensa esportiva) cobrar títulos de um elenco tão limitado. Como o tradicional time carioca, em que os erros da diretoria refletiram no campo, Awake é um equívoco que começou no estúdio e terminou em sua montagem final. Se fosse um time de futebol, Awake teria de jogar mesmo na segunda ou na terceira divisão.


Awake - A Vida por um Fio (Awake, 2007)
Direção: Joby Harold
Roteiro: Joby Harold
Elenco: Hayden Christensen, Jessica Alba, Terrence Howard, Lena Olin, Christopher McDonald, Arliss Howard e Fisher Stevens

segunda-feira, abril 21, 2008

Teaser e artes promocionais de The Spirit











The Spirit, a adaptação dos quadrinhos de Will Eisner, teve um teaser divulgado neste final de semana. Veja aqui. E o clima é 100% Sin City - até pela aparência dos cartazes acima (destaque para uma Eva Mendes destruidora).

A direção é do quadrinista Frank Miller, autor de Sin City e 300. Esse é o primeiro trabalho solo de Miller como cineasta. Em 2005, ele co-dirigiu Sin City, ao lado de Robert Rodriguez.

Com Gabriel Macht no papel de Spirit, além de Samuel L. Jackson, Eva Mendes, Sarah Paulson e Scarlett Johansson, o filme estréia em 16 de janeiro de 2009 nos EUA. No Brasil, em 30 de janeiro.

sexta-feira, abril 18, 2008

Estréias da Semana


Apenas uma Vez (Once), de John Carney

Elenco: Glen Hansard e Markéta Irglová

O que é: A música é o assunto e a linguagem de Apenas uma Vez, filme premiado com um merecido Oscar de Melhor Canção (Falling Slowly). Esse musical independente vindo da Irlanda narra as desventuras de um casal que se encontra por acaso.

O que eu acho: As canções são maravilhosas! Se o filme tiver um terço da qualidade de sua trilha, eu já estarei feliz. Talvez seja a melhor estréia da semana.

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Os Reis da Rua (Street Kings), de David Ayer

Elenco: Keanu Reeves, Forest Whitaker, Hugh Laurie e Chris Evans

O que é: Policial baseado numa história do especialista James Ellroy (Los Angeles - Cidade Proibida, Dália Negra), que também assina o roteiro. A trama se passa nos anos 1990 e mostra o tira Tom Ludlow (Keanu Reeves) tentando desmascarar um esquema de corrupção no departamento de polícia de Los Angeles. A direção é de David Ayer, o mesmo roteirista de Dia de Treinamento.

O que eu acho: Esse é um tipo de filme que chama a minha atenção. É policial e tem um bom elenco, mas ainda assim, tenho minhas dúvidas. David Ayer pode ter assinado Dia de Treinamento, mas também criou aquele Velozes e Furiosos. E, tirando o cabelo, o Keanu Reeves não está a cara do personagem dele em Velocidade Máxima?

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Quebrando a Banca (21), de Robert Luketic

Elenco: Jim Sturgess, Kate Bosworth, Kevin Spacey e Laurence Fishburne

O que é: Inspirado no livro de Ben Mezrich, Bringing Down the House. Seis estudantes do Instituto de Tecnologia de Massachussets (MIT) são treinados para contar cartas e quebrar a banca dos cassinos.

O que eu acho: Geralmente, filmes sobre "jogos" são... chatos. Mas Quebrando a Banca saiu de um livro cultuado e tem um elenco interessante. Jim Sturgess (Across the Universe) é o inglês da vez em Hollywood, Kate "Lois Lane" Bosworth é talentosa e Kevin Spacey é um monstro. Desta vez, Spacey também assina como produtor. Pode ser um programa legal.

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Falsa Loura, de Carlos Reichenbach

Elenco: Rosanne Mulholland, Cauã Reymond, Maurício Mattar e Dijin Sganzerla

O que é: A bela Silmara (Rosanne Mulholland) sustenta o pai ex-criminoso e se envolve com dois astros da música popular brasileira.

O que eu acho: As críticas são positivas. Principalmente para o trabalho de Rosanne Mulholland, a nova queridinha do cinema nacional. O jornalista Luiz Carlos Merten (O Estado de S. Paulo) só tem elogios para a menina. Como se não bastasse, Rosanne Mulholland é linda. Mas ela é filha daquele reitorzinho da UNB. Ninguém é perfeito.

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Uma Chamada Perdida (One Missed Call), de Eric Valette

Elenco: Edward Burns, Shannyn Sossamon, Ana Claudia Talancón e Ray Wise

O que é: Guria ignora uma chamada em seu celular por não reconhecer o número. Quando ela finalmente escuta a mensagem, descobre que a ligação era dela mesma - só que vinda do futuro, durante seu próprio assassinato.

O que eu acho: A sinopse é curiosa, sinistra, etc. Mas trata-se de mais um terror japonês refilmado por Hollywood. Eu passo. Deixo para o DVD.

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Super-Herói: O Filme (Superhero Movie), de Craig Mazin

Elenco: Drake Bell, Leslie Nielsen, Leslie Paxton, Christopher McDonald e Marion Ross

O que é: O time de Todo Mundo em Pânico tira um sarro dos filmes de super-heróis.

O que eu acho: A equipe de Todo Mundo em Pânico está por trás disso? Estou fora.

Veja o trailer


Obs: As estréias estão confirmadas em São Paulo. Confira o roteiro de sua cidade.

quinta-feira, abril 17, 2008

O mapa de Australia


O australiano Baz Luhrmann é um diretor ousado. Quem se arrisca é capaz de fazer grandes filmes. Ou grandes bombas. Mas esse é o caminho. Por tentar inovar a estrutura e a linguagem da narrativa, Luhrmann merece respeito e admiração. Mesmo de quem não gosta de seus filmes extravagantes.

No momento, ele trabalha no épico Australia. Até aqui, as fotos divulgadas revelam que este pode ser o filme romântico do ano. Ao menos isso, afinal há muita conversa paralela em Hollywood a respeito do projeto. Uma delas é sobre o potencial do roteiro de Stuart Beattie (Colateral), Ronald Harwood (O Pianista) e Richard Flanagan para ser aclamado como "O novo E o Vento Levou".


Recluso desde 2001, quando dividiu opiniões com seu musical Moulin Rouge (mas que tem mais fãs do que se imagina), Lurhmann tentou fazer Alexandre, O Grande, com Leonardo DiCaprio, mas não foi mais rápido do que Oliver Stone, que dirigiu aquele desastre com Colin Farrell no papel principal.

Com a saga de Alexandre deixada para trás, Baz Luhrmann desenvolveu Australia com extrema paciência. Exigente e com um belo olhar para detalhes, Luhrmann planeja algo realmente grande para o filme, que não poderia deixar de ter a presença da musa do diretor, Nicole Kidman.


Se Australia será o novo E o Vento Levou, ainda é cedo para discutir. Hollywood sabe se promover. Aliás, pouco se sabe da visão de Baz Luhrmann referente a este filme. Alguns dizem que é um musical, enquanto outros imaginam que se trata de um épico romântico bem sério. Não se sabe nem mesmo se o diretor continuará com a montagem histérica utilizada em Romeu + Julieta e Moulin Rouge. Pode até ser uma mudança de ares para Luhrmann, assim como Sangue Negro foi para o cinema de Paul Thomas Anderson.

Talvez Australia faça com que a Academia se reencontre com sua tradicional preferência por épicos românticos. Veja só: Moulin Rouge foi ousado demais e recebeu oito indicações ao Oscar, mas levou apenas duas estatuetas (Direção de Arte e Figurino). Graças a Baz Luhrmann, o musical voltava com tudo a Hollywood - ainda que causando uma certa estranheza pela roupagem moderninha. No ano seguinte, em 2002, a conseqüência foi o caminho aberto para o gênero, que se consagrou (novamente) com um filme mais convencional que Moulin Rouge e que apostou no velho estilo Broadway idolatrado pelos americanos. Resultado? Chicago ganhou seis Oscars, incluindo Melhor Filme.

Tudo isso para voltar ao assunto "Academia X Épicos Românticos". Neste ano, tivemos o deslumbrante, apaixonante Desejo e Reparação, de Joe Wright. Embora tenha disputado o prêmio principal, o filme ganhou um Oscarzinho só de Melhor Trilha Sonora. Há pouco tempo, um belo épico (e de preferência, romântico) costumava ser aposta certa no Oscar. Atualmente, a Academia anda preocupada com sua seriedade questionável e prefere "filmes de críticos" como Onde os Fracos Não Têm Vez. E, claro, a Academia está se renovando e conta com muitos jovens hoje em dia.

Mas talvez Desejo e Reparação tenha deixado um caminho rumo ao Oscar para um bom representante do gênero, que pode vir a ser Australia. O que pode ajudar: muita gente torceu por Moulin Rouge no Oscar 2002. E muitos reclamaram da ausência de Baz Luhrmann na categoria de Melhor Diretor. Enfim, esse pode ser o ano da consagração deste irreverente cineasta. E da reconciliação da Academia com épicos românticos.


Deixando os prêmios um pouco de lado, Australia vem aí cheio de aspectos interessantes. O maior deles é a reunião de uma equipe quase que inteiramente de australianos. Quando tudo começou para este sonho de Baz Luhrmann, o diretor imaginou os conterrâneos Nicole Kidman e Russell Crowe fazendo par romântico. Mas a agenda de Crowe anda lotada, principalmente por causa de sua duradoura parceria com o diretor Ridley Scott. De qualquer forma, isso não foi um problema.

Luhrmann convidou Hugh Jackman, que aceitou. Aliás, essa pode ser a grande chance de Jackman depois de seu papel como Wolverine. É verdade que X-Men abriu as portas para o astro, mas até agora, ele não foi reconhecido como um ator que saiba... atuar. E ele sabe. Mas como Hollywood tem a mente que tem, quando os estúdios pensam num australiano para um filme, eles logo imaginam Russell Crowe. Como Baz Luhrmann fez. De repente, Australia talvez seja o Gladiador de Hugh Jackman.

A trama do filme se passa obviamente numa Austrália às vésperas da Segunda Guerra Mundial (Hmm... Romance + Tragédia Histórica = Oscar?). Neste cenário, Lady Sarah Ashley (Nicole Kidman) recebe uma fazenda de herança, mas o local é cobiçado por um barão. Um cowboy (Hugh Jackman) decide ajudá-la, mas um problema ainda maior surge na frente do casal: o bombardeio japonês da cidade de Darwin, na Austrália.


A expectativa em torno do épico é imensa. Muita coisa vai rolar até o dia 14 de novembro, quando o filme estrear nos EUA. Ainda nem temos um trailer para conferir parte do resultado. Mas tudo indica que Baz Luhrmann se arriscou novamente. E é assim que nascem os grandes filmes. Ou bombas. A tentativa já é louvável. Australia tem estréia prometida para o dia 25 de dezembro no Brasil.

Fabricante de sonhos


Nesta semana, morreu Ollie Johnston (1912-2008), o último gênio dos Nove Velhos (Nine Old Men), um grupo de lendários animadores da Disney. De suas mãos sairam clássicos como Branca de Neve e os Sete Anões, Fantasia, Cinderela, Alice no País das Maravilhas, Pinóquio, O Cão e a Raposa, Peter Pan, A Dama e o Vagabundo, A Bela Adormecida, Mogli, 101 Dálmatas e Bambi.

Ollie Johnston trabalhou na Disney de 1935 a 1978. Seu primeiro trabalho foi o curta Mickey's Garden. Entre as grandes cenas desenhadas por Johnston está a chocante morte da mãe de Bambi, além da participação de seus traços no primeiro sucesso da Disney no cinema (e o meu favorito) Branca de Neve e os Sete Anões.

Numa época em que a animação feita à mão praticamente desapareceu do mapa, a lembrança da contribuição de Ollie Johnston viverá para sempre no imaginário e nos corações de milhares de "crianças grandes" que compreenderam a sua arte.

Fica aqui uma homenagem do HOLLYWOODIANO e um "Muito Obrigado, Sr. Johnston!"

quarta-feira, abril 16, 2008

Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto


O veterano Sidney Lumet foi indicado ao Oscar de Melhor Diretor por grandes filmes como 12 Homens e uma Sentença, Um Dia de Cão, Rede de Intrigas e O Veredicto. Mas nunca saiu da festa como vencedor. Lumet ainda assinou o magistral Serpico, com Al Pacino em uma de suas maiores atuações. Sua obra concentrada nos deslizes do homem comum numa situação de desespero marcou o cinema dos anos 1970 e influenciou muitos diretores da atualidade, principalmente no gênero policial.

Em 2005, o aparentemente aposentado Sidney Lumet foi homenageado pela Academia com um Oscar pelo conjunto de sua obra. Naquela ocasião, ele tinha 80 anos. Em 2007, no entanto, ele provou ainda ter fôlego para seguir como um inigualável contador de histórias sobre crime, ganância e desespero. O filme em questão é o excepcional Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto (Before the Devil Knows You're Dead, 2007), com Philip Seymour Hoffman, Ethan Hawke, Marisa Tomei e Albert Finney atuando como se este fosse o último trabalho de suas vidas.

Se o filme não está entre os cinco melhores de Sidney Lumet, isso não significa um problema. Para mim, a ordem de preferência ainda é 12 Homens e uma Sentença, Um Dia de Cão, Serpico, Rede de Intrigas e O Veredicto. Mas posso garantir que Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto vem logo atrás, em sexto lugar.

Para começo de conversa, quanto menos você souber da trama do novo Sidney Lumet, melhor. E não é aqui que eu vou te contar. Trata-se de uma história sobre um roubo e suas conseqüências. Pronto. Sente-se, relaxe e aproveite a viagem. Assim, você descobrirá que ainda é possível se surpreender no cinema com uma história teoricamente simples sem o recurso da tradicional reviravolta que acontece em nove entre cada dez filmes atuais de suspense, policial ou terror. Quem pensa que já viu isso antes, eu garanto que sairá do cinema agradecendo aos deuses da sétima arte pela oportunidade.

Parte dos méritos vai para a estreante Kelly Masterson, por seu roteiro forte e intrigante. É um dos melhores da década por sua ousada narrativa, que não é exatamente fragmentada de forma não-linear como, por exemplo, um legítimo Quentin Tarantino, mas contada cautelosamente em camadas. Isso permite que alguns acontecimentos chocantes do roteiro sejam mais importantes que o melodrama evidente, afinal isso é uma tragédia.

De fato, há algo de shakesperiano na condução da trama, que oferece um belo estudo de personagens com uma contribuição intensa dos atores. Preste atenção num diálogo solitário e amargo entre Albert Finney e Philip Seymour Hoffman. Na cena seguinte, Hoffman desabafa com Marisa Tomei dentro de um carro. Dá vontade de aplaudir toda essa passagem.

Outro ponto interessante é que apesar de ser um filme quase que de interiores, as ruas de Nova York em Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto têm um clima de década de 1970. Neste terreno, o velho Sidney Lumet encontra um prato cheio para posicionar sua câmera e deixar os atores brilhando. E quem conhece o cinema de Lumet, sabe o quanto ele ama essa cidade e é intenso na direção de atores e na transposição dos roteiros para as telas. Com Lumet, o roteiro de Kelly Masterson ganha uma aura setentista.

Mas, hoje, numa época menos rigorosa quanto a censura, a surpresa é ver um Sidney Lumet sem pudores ao filmar cenas de violência, sexo e nudez. É como se isso estivesse guardado em sua alma de cineasta. Dito isso, agora, tente visualizar como ele teria imaginado os relacionamentos entre Paul Newman e Charlotte Rampling, em O Veredicto, ou entre William Holden e Faye Dunaway, em Rede de Intrigas. É, rapaz... E Deus abençoe Marisa Tomei, aos 43 anos.

O título imenso do filme vem bem a calhar de um ditado irlandês: "Que você esteja no Céu por meia hora, antes que o Diabo saiba que você está morto." E isso é cinema. Isso é Sidney Lumet, um diretor que prova ser dono de um talento atemporal.

Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto (Before the Devil Knows You're Dead, 2007)
Direção: Sidney Lumet
Roteiro: Kelly Masterson
Elenco: Philip Seymour Hoffman, Ethan Hawke, Marisa Tomei, Albert Finney e Rosemary Harris

terça-feira, abril 15, 2008

Um pôster bacana para O Incrível Hulk


O Incrível Hulk, com Edward Norton, estréia no dia 13 de junho nos cinemas. Liv Tyler, Tim Roth e William Hurt também estão no elenco. A direção é de Louis Leterrier, de Carga Explosiva.

segunda-feira, abril 14, 2008

Peter Petrelli no cinema


Você sabe que existem (e existiram) várias séries de TV sobre médicos. Atualmente, temos E.R., House, Grey's Anatomy e Scrubs - só para citar algumas. Mas no cinema, o tema andava meio esquecido até a chegada desse Pathology, com Milo Ventimiglia, que colhe os frutos de seu sucesso na TV como o Peter Petrelli, da série Heroes.

Em Pathology, no entanto, nada de romance ou rotina profissional como nas séries citadas acima. Escrito por Mark Neveldine e Brian Taylor (de Adrenalina), o filme apresenta Ventimiglia como o jovem médico Ted Grey (Grey?), que se envolve com alguns colegas de profissão, que planejam assassinatos e outros jogos macabros.

Embora pareça mais uma bobagem de Hollywood, o trailer é esquisito o suficiente para chamar bastante a atenção. Mas nada se compara ao teaser, que tira um sarro de um diálogo da comédia Napoleon Dynamite. Veja aqui. É mórbido.

Pathology estréia nesta sexta-feira nos EUA. Além de Peter Petrelli (ou Milo Ventimiglia), o elenco é formado por Alyssa Milano, Lauren Lee Smith, Johnny Whitworth, Keir O'Donnell, Dan Callahan, Michael Weston e Mei Melancon. A direção é do alemão Marc Schoelermann.

domingo, abril 13, 2008

Information Society


Outro dia me deram um puxão de orelha, porque não falei tanto de Homem de Ferro aqui no HOLLYWOODIANO. Eu confesso que estou esperando pelo filme com ansiedade e que estarei na fila no dia da estréia. Mas se você acompanha tudo pela internet sabe que todos os dias a Paramount libera várias fotos de Homem de Ferro. São mais de 150 até o momento.

Já vi tanta foto que estou preocupado se vai sobrar algo inédito para ser visto no cinema. Afinal, o que fica para o espectador que ainda quer ser surpreendido numa sala de cinema? E olha que eu nem mencionei os sites que contam os filmes na sinopse. Ops. Já era. Na verdade, essa divulgação exagerada de Homem de Ferro não fica concentrada apenas nas fotos. Se procurarmos no You Tube, temos vídeos de cenas inteiras. Agora, só falta divulgar o roteiro.

Desse jeito, o estúdio deveria liberar Homem de Ferro na internet, afinal muita gente defende a comercialização de um filme por diferentes mídias. Mesmo que a produção seja inédita. Não falo de pirataria, claro. Mas as pessoas ficam cada vez mais em casa. Os condomínios são gigantescos com piscina, academia e até cinema. Alguns apartamentos possuem home theaters, etc. Por tudo isso, será que um filme ainda precisa ser visto no cinema pelo preço oferecido?

Hoje, ir ao cinema não é tão barato assim. Muito pelo contrário. Além de gastos com gasolina, trem ou ônibus, precisamos pagar pelo estacionamento (para quem vai de carro), assim como o ingresso, a pipoca e outras guloseimas. Sem falar que o deslocamento em grandes cidades não é nem um pouco seguro, por causa dos assaltos. É complicado.

Não sei se estamos nos acostumando rápido demais com essa interatividade toda, ou com a modernização deste mundo. As vitrolas sumiram, os video cassetes também. Estamos nos despedindo dos CDs e, daqui a pouco, dos DVDs. Celulares, iPods, MP3, MP4... É tudo tão rápido... Espero não viver até o dia do fim da sala de cinema!

É lógico que não somos bobos e escolhemos ler ou ver a informação que bem entendermos. Mas prefiro pisar um pouquinho no freio da tecnologia e da interatividade e respeitar o leitor. Vamos com calma. Como sou curioso, quero ver as fotos do Homem de Ferro ou um vídeo ou outro a respeito do filme. Mas deixem um pouquinho de novidade no cinema para este saudosista, por favor.

Homem de Ferro (ou o que sobrar dele) estréia nos cinemas brasileiros em 30 de abril.

sexta-feira, abril 11, 2008

O Reino


Depois do 11 de setembro, ficou muito difícil engolir os americanos como os heróis ou salvadores do mundo. Na tela do cinema ou na vida real. Tanto faz. O Reino (The Kingdom, 2007), do também ator Peter Berg, veio na onda dos filmes hollywoodianos que analisam os conflitos no Oriente Médio - a produção foi lançada na época de Leões e Cordeiros, que aliás tem o mesmo roteirista (Matthew Michael Carnahan), e Jogos do Poder, mas é a pior da remessa.

É ruim porque parte do princípio de que o mundo ainda vê os jogadores de futebol com as mãos como mocinhos no cenário de disputas internacionais. Além disso, O Reino tenta passar a imagem de que é um filme sério em forma de thriller político, mas é um festival de ação enrustido e sem cérebro. Começa como um CSI Riyadh e termina como Rambo. Um detalhe: qualquer filme da série com Sylvester Stallone é melhor.

Até que o longa começa com uma abertura legal, que explica, durante os créditos, como o reino da Arábia Saudita foi criado, passando pela descoberta do petróleo até chegar ao infame 11 de Setembro. Mas tudo é tão rápido, que é preciso voltar o DVD algumas vezes para pegar o conteúdo. Se isso fosse base de estudo para uma prova, eu tiraria nota zero.

Mas não se preocupe, afinal estamos falando de Hollywood e essa aulinha não tem importância alguma no restante do filme, que narra as investigações de uma equipe de agentes do FBI (Jamie Foxx, Jennifer Garner, Chris Cooper e Jason Bateman) em Riyadh, na Arábia Saudita, depois que uma colônia ianque é mandada pelos ares num ataque terrorista.

Está certo que um filme estrelado por Jennifer Garner já é meio caminho andado, mas não precisava exagerar na ruindade e nos clichês. Jason Bateman, filho da engraçadíssima série de TV Arrested Development, não tem pinta de agente do FBI, certo? Então, o que ele pode fazer é soltar uma piada por minuto, claro. Ele é o tradicional alívio cômico de O Reino. Jennifer Garner é a donzela da equipe. Ela se impressiona facilmente e chora para demonstrar emoção. Mas se você já viu Alias, sabe que a garota também é capaz de atirar na hora certa. Chris Cooper é o intelectual da equipe. Ele é uma espécie de Locke (da série Lost) neste filme. Já Jamie Foxx é obviamente o cara durão da história, que bate e atira, mas pergunta depois. Seu nome no filme é Ronald Fleury (e é muito engraçado ouvir os atores pronuciando "Fleury"). Foxx é dono de uma das falas mais americanas e ultrapassadas neste tipo de produção. É algo como: "Deixe-nos fazer nosso trabalho. Somos bons nisso." Dã! Parece saudosismo ianque de segunda categoria. Nos anos 1980, o lema era "Me engana, que eu gosto" (meu avô dizia isso), mas agora não me venha com essa.

Depois da tentativa de mostrar ao público que O Reino é um thriller sério, o diretor parte para a ação frenética nos minutos finais. Não chega a ser um desastre neste caso, afinal o tratamento dado ao filme antes de seu último ato funciona como um remédio para dormir. Acho que até o público que acreditava na proposta de um filme dramático e tenso, não agüentava mais tanta conversa fiada. Mas aí vem o despertador em forma de ação. É hora de correria, tiros e bombas para todos os lados de um jeito que você já viu em várias produções. O que nos leva ao parágrafo abaixo.

É impressionante como, muitas vezes, Hollywood liga a edição e a fotografia de um filme no piloto automático. Explico: O Reino é dirigido por esse Peter Berg, mas poderia ser um filme de Michael Bay (A Rocha, Bad Boys, A Ilha, Transformers) ou qualquer pau mandado do produtor Jerry Bruckheimer (Con Air, A Lenda do Tesouro Perdido, Armageddon). Ninguém ia notar a diferença em detalhes como câmera lenta, luz do sol estourada, poluição visual e coisas do tipo.

O pior de tudo é que O Reino não é uma obra de Jerry Bruckheimer ou Michael Bay, que teriam assumido a produção como diversão escapista. E eu diria aqui que o homem por trás deste filme não passa de um robozinho sem alma e personalidade fazendo exatamente o que o estúdio quer. Mas essa é uma produção de Michael Mann, diretor de grandes filmes como Fogo Contra Fogo, O Informante e Colateral. Ele pode ser talentoso, mas é um ser humano que também erra. E infelizmente, o Michael Mann de O Reino é o mesmo de Miami Vice.

O Reino (The Kingdom, 2007)
Direção: Peter Berg
Roteiro: Matthew Michael Carnahan
Elenco: Jamie Foxx, Chris Cooper, Jennifer Garner, Jason Bateman, Ashraf Barhom, Ali Suliman e Jeremy Piven

quinta-feira, abril 10, 2008

Contagem regressiva para Indy


Desde a confirmação do início das filmagens de Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal, que você agüenta o HOLLYWOODIANO na expectativa pelo filme do ano. Peço para que os leitores resistam mais um pouquinho, afinal estamos a praticamente um mês da estréia mundial em 22 de maio.

Daqui até lá, falaremos sobre Steven Spielberg, George Lucas, Harrison Ford e a saga dos três filmes clássicos do homem de chapéu, jaqueta e chicote, além, claro, de O Reino da Caveira de Cristal.

Por enquanto, deixo vocês com mais quatro imagens do novo filme do aventureiro mais famoso do cinema.


Mutt Williams (Shia LaBeouf)


O velho Indy (Harrison Ford)


Mais Mutt Williams

quarta-feira, abril 09, 2008

Quem matou foi o mordomo


Um dos filmes mais esperados do ano era Operação Valquíria, que teve sua estréia adiada pela segunda vez. Isso nunca é bom sinal. Antes programado para outubro, o filme foi jogado para fevereiro de 2009, o que deixa o thriller de Bryan Singer (Os Suspeitos, X-Men, Superman - O Retorno) fora da disputa do próximo Oscar. E pior: fevereiro é um mês fraquíssimo na corrida pela estatueta dourada, já que os votantes da Academia têm memória curta.

Será que o astro e produtor Tom Cruise se desentendeu com Bryan Singer? A amiga do ator (e também produtora de Operação Valquíria) Paula Wagner garante que tudo não passa de uma estratégia de lançamento para o feriado do President's Day (existe isso, Senhor?) em fevereiro.

Agora eu pergunto: como é que nós ficamos? Sou o único aqui que se sente com cara de bobo? Quantas vezes o trailer de Operação Valquíria já passou nos cinemas? Eu juro que já comecei a ver a prévia em cópias do final do ano passado. Que fiasco!


Como se não bastasse tantos problemas, tem gente querendo ver a caveira do Tom Cruise. Ou o gigantesco sorriso do astro saindo amarelo na foto. Operação Valquíria é a história verídica de um oficial alemão, que tentou assassinar Hitler. Ponto final. Não quero saber mais. Só que alguns sites já colocam o final do filme na sinopse.
Uns e outros jornalistas sabichões acham que o público tem a obrigação de saber a história da Segunda Guerra Mundial tim tim por tim tim. Apenas porque ela é... real. Isso já virou um péssimo vício da imprensa.

Operação Valquíria recebe a mesma estratégia bisonha de divulgação de filmes recentes como Na Natureza Selvagem e O Gângster. Mas, você sabe, o risco é todo seu: a produção é baseada em fatos reais, então leia a nota do site "x" e saiba o final. Portanto, cuidado com as sinopses em certos veículos de "prestígio". Não somente de Operação Valquíria, mas de todo e qualquer filme.

Ao que parece, o barco do anteriormente promissor Operação Valquíria navega para o fundo do mar. Espero estar enganado, mas o destino está mais para Waterworld que Titanic. O que vocês acham?

terça-feira, abril 08, 2008

Horton e o Mundo dos Quem!


O elefantinho fofinho Horton (voz de Jim Carrey) descobre que há vida dentro de um grão. É a Quemlândia, um mundo povoado por seres microscópicos. O simpático e atrapalhado Horton sabe que a selva é perigosa para o grão e precisa protegê-lo até encontrar um local seguro. Em sua jornada, o elefantinho bonitinho alerta o Prefeito dos Quem (voz de Steve Carell) para as constantes ameaças que a Quemlândia enfrenta, mas que seus habitantes não têm conhecimento. Com receio das conseqüências dos ideais de Horton, alguns animais extremistas, que parecem a Santa Inquisição, querem a cabeça (ou a tromba) do herói. Só porque o lema de Horton é: "Uma pessoa é uma pessoa, não importa o seu tamanho."

A teoria é legal, mas não se engane. Fruto da mente criativa do Dr. Seuss, autor de cerca de 40 livros infantis como How the Grinch Stole Christmas e The Cat in the Hat, a trama de Horton e o Mundo dos Quem! (Horton Hears a Who!, 2008) é assumidamente infantil. Por muitos anos, o escritor e cartunista fez o imaginário das crianças americanas e garantiu um lugar cativo na cultura dos EUA. Mas o Dr. Seuss nunca foi tão popular no Brasil. Aqui, o negócio é Maurício de Sousa e a sua Turma da Mônica.

Pela fidelidade ao livro original, a emoção oferecida pela animação Horton e o Mundo dos Quem!, do Blue Sky Studios (responsável por A Era do Gelo), atingiu em cheio o público americano. No Brasil, animações sempre vão bem nas bilheterias, mas apesar das curiosas metáforas inseridas na trama, Horton e o Mundo dos Quem! pretende mesmo é dialogar com a criançada, especialmente os pequeninos até cinco anos de idade. Meninos e meninas com mais do que isso, já terão vergonha de serem vistos na fila do filme.

Há muito tempo que eu não vejo uma animação voltada quase que exclusivamente para a garotada. Para os adultos, duas dicas: 1) Ou Horton e o Mundo dos Quem! desperta o menino (ou a menina) que cresceu com as histórias do Dr. Seuss ou; 2) É melhor levar seu filho, sobrinho ou irmãozinho nessa sessão.

Ao adulto, nem ao menos resta a discussão da frase "Uma pessoa é uma pessoa, não importa o seu tamanho" ou do grito "Nós estamos aqui", que surge perto do final. Alguns radicais que procuram mensagens (ou problemas) na arte usaram Horton e o Mundo dos Quem! em discursos contra o aborto e pesquisas com células embrionárias. Mas se é assim, a animação também luta pela preservação da natureza e a igualdade entre povos e raças. Não sei se o Dr. Seuss teve essa intenção, mas sua obra se tornou domínio público. Eu acho bobagem, porque se há alguma teoria, a prática de Horton e o Mundo dos Quem! é a diversão para a criançada.

Em sua parte técnica, a animação é maravilhosa e serve muito bem ao roteiro voltado para gente miúda. A verdade é que achei o humor bobo para adultos (ou meninões como eu). Todos os personagens entram em cena tropeçando, batendo a cabeça, etc. E é uma pena que a premissa sobre a existência de diversos mundos seja concluída de forma infantil. Sei que estou pedindo demais, mas acredito que Horton e o Mundo dos Quem! funcione mais com os meninões americanos. Ou com o público-alvo de canais como Discovery Kids e Baby TV.

Horton e o Mundo dos Quem! (Horton Hears a Who!, 2008)
Direção: Jimmy Hayward e Steve Martino
Roteiro: Ken Daurio e Cinco Paul (Adaptado do livro do Dr. Seuss)
Com as vozes de Jim Carrey, Steve Carell, Carol Burnett, Seth Rogen, Will Arnett, Dan Fogler, Amy Poehler e Isla Fisher

segunda-feira, abril 07, 2008

Jumper


"O filme não tem história". "A história é fraca". Quantas vezes você ouviu alguém analisando um filme dessa forma? E o que a palavra "história" significa nessas expressões? Jumper (2008) é um belo exemplo para explicar a ligação entre história, idéia e roteiro na avaliação de um filme.

Para começo de conversa: TODOS os filmes têm histórias. TODOS. Boa ou ruim, ela sempre está lá. Já idéia é uma coisa e roteiro é outra completamente diferente. Então, vamos lá, o que é uma idéia?

Vamos nos concentrar no exemplo de Jumper. O diretor Doug Liman (A Identidade Bourne, Sr. e Sra. Smith) e os roteiristas David S. Goyer, Jim Uhls e Simon Kinberg se inspiraram no livro de Steven Gould sobre pessoas dotadas do poder do teletransporte. David Rice (Hayden Christensen) é um deles. Num piscar de olhos, ele consegue ir a qualquer parte do mundo ou simplesmente atravessar portas, cofres, qualquer coisa. Em pouco tempo, o malandro descobre que não é o único de sua espécie e começa a ser caçado por uma sociedade secreta de paladinos (!) liderada pelo pagador de micos Samuel L. Jackson.

Quando é que você viu um filme sobre gente que se teletransporta? Ok. Em Star Trek, isso acontecia com a ajuda da Enterprise. Em Harry Potter, os bruxos não se teletransportam. Eles "aparatam". E em X-Men, temos a Kitty Pride (Ellen Page) atravessando paredes. Mas até aí, Jumper explora essa idéia interessante para sustentar um filme inteiro. Parece novidade. Ou seja, a idéia é boa, e concluímos essa parte do texto.

Ao contrário do que pensa a maioria dos executivos de Hollywood, uma idéia promissora não significa um bom roteiro ou um bom filme. Jumper parte de uma idéia legal, mas, como todo filme, precisa de um roteiro competente para seguir em frente. Dito isso, posso imaginar que os problemas de Jumper começaram antes mesmo das filmagens, afinal o roteiro é péssimo. Se é que existe um roteiro.

Mas o filme foi feito assim mesmo. Não teve jeito. Jumper parece uma sucessão de efeitos visuais bacaninhas e improvisações dos atores - o que não ajuda, pois todos estão horrorosos. Quem reclamou de Hayden Christensen em Star Wars, precisa ver o que ele apronta em Jumper. George Lucas tirou leite de pedra.

Jumper é uma fórmula (nem faltam os tradicionais motivos para uma futura seqüência), mas não deixa de ser um filme com história. Uma história que saiu de uma boa idéia trabalhada em um péssimo roteiro. Aliás, o diretor Doug Liman vive de idéias, mas não consegue acertar. Ainda bem que as seqüências de A Identidade Bourne foram desenvolvidas pelo diretor Paul Greengrass, que compreende a importância do roteiro como ponto de partida para um filme.

Jumper (2008)
Direção: Doug Liman
Roteiro: David S. Goyer, Jim Uhls e Simon Kinberg (Inspirado no livro de Steven Gould)
Elenco: Hayden Christensen, Rachel Bilson, Samuel L. Jackson, Diane Lane e Jamie Bell

Mudanças e reconhecimentos


Hora de mudanças e reconhecimentos no HOLLYWOODIANO. Em primeiro lugar, o blog inaugura a cotação Obra-Prima (cinco estrelas) na "Avaliação dos Filmes" como você pode ver na barra lateral direita. Acredito, no entanto, que essa cotação acontecerá, pelo menos, uma vez por ano por motivos óbvios: Obras-primas são raras - eu chamo de "obra-prima", mas também pode ser entendido como "perfeito", "inesquecível", "marcante", "eterno" ou "imortal". Você escolhe.

Com isso, a seção Filmes Cinco Estrelas (com meus favoritos em todos os tempos) reconhece mais duas produções: os vencedores do Hollywoodiano Awards 2006 e 2007 (Os Infiltrados, de Martin Scorsese, e Sangue Negro, de Paul Thomas Anderson).

Quanto ao Hollywoodiano Awards, as escolhas do blog para os melhores do ano, temos mudanças para a edição 2008. Para manter uma conexão com os blogs dos meus amigos, os filmes considerados para este ano precisam passar nos cinemas brasileiros de janeiro a dezembro. Portanto, os filmes do Hollywoodiano Awards 2007 ficam de fora.

Última coisa: o HOLLYWOODIANO também pode ser acessado como www.hollywoodiano.com. Parece que o problema foi resolvido e a visualização está legal para todos. Se alguém tiver qualquer problema para ler os posts ou ver imagens, estrelas, etc, por favor, avise.

Um abraço a todos,

Otavio Almeida

domingo, abril 06, 2008

Charlton Heston, o maior

(1924-2008)


Nas telas, Charlton Heston foi um dos maiores. Fora delas, uma figura polêmica, discutível. Em sua profissão, ficou marcado por épicos gigantescos da era de ouro de Hollywood como Ben-Hur, Os Dez Mandamentos, El Cid e Agonia e Êxtase, além de filmes fantásticos como Planeta dos Macacos, A Última Esperança da Terra e Terremoto.

Heston fez filmes maiores do que a vida e foi um dos grandes astros do cinema. Apesar de sua eterna ligação a personagens históricos, ele protagonizou um dos melhores filmes de Orson Welles, o noir A Marca da Maldade - para mim, o maior do diretor de Cidadão Kane. Também gosto muito de um filme que ele fez com Cecil B. DeMille, que muita gente odeia: O Maior Espetáculo da Terra.

Como fã dos livros de O Senhor dos Anéis, sempre imaginei Charlton Heston como o mago Gandalf. Achava que seria legal convidá-lo para o filme, por sua imagem ligada a épicos. Enfim, o diretor Peter Jackson quis Sean Connery, mas ficou com Ian McKellen, que fez um trabalho extraordinário e tornou impossível pensar em qualquer outro ator como Gandalf.

Quando penso no ator, mesmo com tantos filmes num currículo espetacular, lembro de duas cenas magníficas: a última de Planeta dos Macacos e a fantástica corrida de bigas, em Ben-Hur. O épico de William Wyler é um dos maiores do cinema. Foi feito na marra, sem a facilidade dos efeitos digitais de hoje. Até hoje, Ben-Hur impressiona e é referência.

Hoje, o cinema amanheceu triste. Na verdade, o ano está difícil. Heath Ledger, Anthony Minghella, Roy Scheider e, agora, Charlton Heston. Não tive idade para ver Heston nos cinemas, mas ele foi um dos meus heróis nas telas. Quando vi Gladiador, disse ao meu pai o quanto eu estava impressionado com o filme e a atuação de Russell Crowe. Na hora, ele respondeu com perguntas: "Você já viu Spartacus, com Kirk Douglas? Ou Ben-Hur, com Charlton Heston?" Ele tinha razão.

sábado, abril 05, 2008

O cinema e as Olimpíadas 2008

Quando pensamos em Olimpíada e cinema, sempre vem na cabeça um filme como Carruagens de Fogo, grande vencedor do Oscar de 1981. Apesar de tudo, a produção é mais lembrada por ter associado a trilha de Vangelis a uma competição mundial que prega a paz e a união entre os povos. Mas para os jogos de Pequim neste ano, aqui vão dois filmes como dicas para reflexão:

Kundun (1997), de Martin Scorsese

Sete Anos no Tibet (1997), de Jean-Jacques Annaud

sexta-feira, abril 04, 2008

The Rolling Stones - Shine a Light


Numa época em que fofocas sobre a vida pessoal das celebridades são tão importantes quanto suas obras, o diretor Martin Scorsese faz de The Rolling Stones – Shine a Light (Shine a Light, 2008) uma devolução ao artista daquilo que realmente deveria marcar sua imagem: a arte.

Se William Shakespeare fosse figura dos nossos tempos, por exemplo, o público estaria interessado em desvendar os segredos de sua vida pessoal. Shakespeare faria comercial de cueca e seria muito importante saber com que roupa (ou ao lado de quem) ele chegaria ao tapete vermelho de uma premiação ou estréia. Sua arte seria colocada em segundo plano. No caso da banda de 46 anos de estrada formada por Mick Jagger, Keith Richards, Ron Wood e Charlie Watts, a arte em questão é a música. Estamos diante de mitos. O próprio Scorsese é um mito.

Não importa que roupas eles usem ou que tipo de comida eles comem ou se gostam de homem ou mulher. É a arte que importa. São figuras públicas, mas acho que confundimos as coisas ao longo dos anos. Celebridades não deveriam misturar fama com vida pessoal. Em Shine a Light, Scorsese mostra que não interessa a opinião política da banda ou a preferência sexual ou se eles usam e abusam de drogas e bebidas. Enquanto não houver propaganda, o que importa é se eles vivem e divulgam a música.


Quem conhece o cinema de Marty, sabe o quanto ele é mestre ao selecionar as trilhas de seus filmes (especialmente com o rock). Como os Stones, nessa longa jornada, o cineasta vive, sente e respira música. Não me lembro se Marty usou alguma canção dos Stones antes de Caminhos Perigosos, mas Tell Me ilustra uma das mais alucinógenas cenas do filme estrelado por Harvey Keitel. É quando o protagonista termina uma confissão na igreja e, na seqüência, entra num bar de luzes vermelhas do Inferno.

Em Shine a Light, o diretor privilegia o mito dos Stones. Nada de verdades sobre suas rotinas fora dos palcos. Sabemos apenas poucos e bons devaneios a respeito do segredo para tantos anos de sucesso de uma das mais influentes bandas do rock. O artista e sua obra. É o ensinamento de Shine a Light.

A impressão inicial é que Marty apenas filmou um show – captando a energia insana de um espetáculo ao vivo, é verdade. Meus momentos favoritos: Buddy Guy e Mick Jagger mandando bem em Champagne & Reefer, e Keith Richards e um cigarro cantando You Got the Silver. Mas, aos poucos, com a intimidade das divertidas entrevistas antigas que intercalam as canções, Marty constrói um filme sobre tempo. Shine a Light mostra como preencher o tempo ou a vida simplesmente... vivendo. Os diálogos e toda a explicação para a longevidade dos Stones estão na música. Só música, cara. Só música.

The Rolling Stones - Shine a Light (Shine a Light, 2008)
Direção: Martin Scorsese
Elenco: Mick Jagger, Keith Richards, Ron Wood, Charlie Watts, Buddy Guy, Jack White, Christina Aguilera, Martin Scorsese e Bill Clinton

quinta-feira, abril 03, 2008

Medo da Verdade


Nunca li os livros de Dennis Lehane, mas pelas adaptações de Sobre Meninos e Lobos, de Clint Eastwood, e Medo da Verdade (Gone Baby Gone, 2007), estréia do ator Ben Affleck como diretor, suas histórias exploram uma tristeza rara ou uma melancolia escondida bem no fundo da alma, que o ser humano expõe numa inesperada situação de violência.

Medo da Verdade é a quarta "aventura" literária dos detetives urbanos Patrick Kenzie (Casey Affleck) e Angie Gennaro (Michelle Monaghan), mas a primeira para o cinema. Aqui, eles investigam o desaparecimento de Amanda (Madeline O'Brien), uma garotinha de quatro anos. A polícia julga o casal pela juventude e inexperiência, mas a vizinhança sabe que eles conhecem muita gente em Boston, e que são capazes de ajudar.

Aos poucos, Medo da Verdade parece ganhar forma do filme-padrão de sábado à noite na TV aberta. Mas a direção segura de Ben Affleck e seu roteiro cheio de camadas (escrito também por Aaron Stockard) revelam um filme mais intrigante do que sua aparente inocência.

E quem diria? Ben Affleck pode não ser um grande ator, mas é um diretor repleto de boas intenções para animar o marasmo oferecido pelo cinema recente. Sua câmera não quer aparecer mais do que os atores. Nada de closes que denunciam os pensamentos dos personagens - Affleck não entrega os vários segredos deste filme antes da hora certa e segura a atenção do espectador até a última cena sem reviravoltas forçadas, que viraram moda. Como um bom contador de histórias, o diretor sabe que ainda é possível explorar temas batidos com alguma originalidade. Ironicamente, Affleck também sabe comandar seu elenco. Além do casal principal, temos Morgan Freeman e Ed Harris em alta voltagem. Sem falar em Amy Ryan, que disputou o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante como a mãe viciada e alcóolatra de Amanda.

Se tudo isso já abre um sorriso no rosto do cinéfilo que busca produções com roteiros de qualidade, imagine só como é o final de Medo da Verdade. É algo que muda completamente o tom do filme e faz o espectador querer voltar e rever a mesma trama já sabendo como ela vai acabar. Com o final revelado, Medo da Verdade se encaixa na opinião do grande cineasta Billy Wilder sobre a conclusão de um filme. Para o genial diretor de Crepúsculo dos Deuses e Quanto Mais Quente Melhor, se o final é maravilhoso, o público esquece e perdoa o resto.

É a conclusão que eleva o nível de Medo da Verdade e tira sua credencial para o Supercine. Neste momento, Ben Affleck mostra que seu filme não é necessariamente uma análise sobre seqüestro e violência, mas uma discussão sobre regras ou dogmas da sociedade. A decisão final de Patrick, personagem de Casey Affleck (o irmão talentoso de Ben, mas dono de uma voz horrenda) vai deixar muita gente pensando neste filme por um longo tempo. Isso sempre é bom sinal.

Só tiro uma estrelinha da crítica por causa do lançamento cafajeste da distribuidora diretamente em DVD. Se não posso ver um filme de primeira linha numa sala de cinema somente por causa da decisão de alguns executivos que não entendem nada de arte, eu também não posso reconhecer suas qualidades. Brincadeira. Eu não tiraria uma estrela por isso, mas dá vontade. É que Medo da Verdade talvez dependa demais de seu final. Mas na atual conjuntura do cinema, Ben Affleck está de parabéns.

Medo da Verdade (Gone Baby Gone, 2007)
Direção: Ben Affleck
Roteiro: Ben Affleck e Aaron Stockard (Adaptado do livro de Dennis Lehane)
Elenco: Casey Affleck, Michelle Monaghan, Ed Harris, Amy Ryan, John Ashton, Morgan Freeman e Amy Madigan